segunda-feira, 27 de maio de 2019

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Atualmente vivemos a era contemporânea da NFL. A tecnologia está aí para facilitar ao máximo tanto a difusão do esporte com as transmissões por todo o mundo mas também para colaborar com tudo que diz respeito à segurança e também facilidades para o melhor desempenho possível – tanto do ataque quanto da defesa e isto facilita demais o nível alcançado pelos atletas atualmente, não tirando nenhum mérito, obviamente. Mas é utópico pensarmos que atletas da fase romântica da NFL durante o século passado tinham à sua disposição todos os aparatos que atletas atualmente possuem, e mesmo assim alguns deles entraram para a rica história da NFL superando todos os tipos de adversidades.

Infelizmente uma destas lendas nos deixou no domingo (26 de Maio) e com isso abre-se uma lacuna na história de uma das franquias mais tradicionais da NFL, o Green Bay Packers. Pois bem, o ex-Quarterback Bart Starr é um dos principais motivos que a franquia se colocou em tal status durante o crescimento da NFL na segunda metade do século passado.

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Starr foi o MVP das duas primeiras edições do AFL – NFL Championship Game, nome dado ao jogo do título da temporada antes da alcunha Super Bowl ser usada à partir de 1970 (eu mesmo escrevi sobre as mudanças que a NFL sofreu ao longo dos anos, você pode ler aqui). Foi também a pedra-chave para a dinastia construída pelo Green Bay Packers nos anos posteriores às duas conquistas pós-fusão entre AFL e a antiga NFL.

O Packers foi o responsável por comunicar a notícia para todos, divulgando uma nota oficial da família de Starr em todas as suas mídias na internet. Confira:

“É com pesar que informarmos o falecimento de nosso marido, pai, avô e amigo, Bart Starr. Ele batalhou com coragem e determinação para combater um sério AVC (acidente vascular cerebral) sofrido em Setembro de 2014, mas as sequelas e recentes complicações nos últimos meses foram muito para ele.

Enquanto muitos provavelmente o conhecerão pelo sucesso obtido como Quarterback do Packers por 16 anos, seu verdadeiro legado será o de um respeitoso patrono para todos aqueles que o conheceram, um humilde benfeitor e uma pessoa com um gigantesco espírito de ajudar.

Nossa família deseja agradecer os milhares de amigos e fãs que alegraram sua vida – e posteriormente a nossa por muitas décadas, mas especialmente nos últimos cinco anos. Cada carta, mensagem, telefonema e visitas pessoais o motivaram muito e o fizeram viver muito bem nos últimos anos.

Seu amor pela comunidade é altamente conhecido, e sua afeição com o estado de Alabama e Wisconsin não poderão agradecer por tudo aquilo que o propuseram durante toda sua vida. Ele tinha um desejo incontrolável de fazer uma última viagem para Green Bay para acompanhar o Packers na próxima temporada, mas agora com toda a certeza ele irá acompanhar seu time favorito em espírito.”

Starr foi recrutado pelo Green Bay Packers na 17ª rodada do Draft de 1956 e permaneceu por lá até 1971 como jogador – vários deles como titular. Ao se aposentar dos gramados, ele foi técnico dos QBs em 1972 até assumir o comando técnico em 1975, permanecendo até 1983 em tal cargo. Ao lado também lendário HC Vince Lombardi, formou uma das primeiras grandes duplas de QB-HC de toda a história da NFL. Starr marcou seu nome na história, entre outras realizações, como:

  • 1º Quarterback à vencer cinco títulos da NFL (três campeonatos da NFL e dois Super Bowls);
  • MVP da temporada regular de 1966;
  • MVP dos dois primeiros Super Bowls
  • Recorde de 9 – 1 em playoffs durante a carreira;
  • Três vezes líder de jardas aéreas lançadas em uma temporada.

Mesmo com tantas realizações ao longo de vários anos, talvez o momento mais icônico de Starr ao longo de sua carreira se deu em 31 de Dezembro de 1967, quando o Green Bay Packers enfrentou o Dallas Cowboys no que posteriormente ficou conhecido como o Super Bowl II, mas que na época ganhou a alcunha de Ice Bowl.

Tido por muitos como o jogo mais importante da história da NFL, foi o grande catalizador para o aumento decisivo da popularidade do esporte até se tornar o que é hoje, um dos mais assistidos em todo o mundo. Mais de 50000 pessoas presenciaram o que é até hoje o jogo disputado na temperatura mais baixa da história da NFL, já que os termômetros apontavam uma temperatura de -26ºC e graças à neve e ventos abundantes naquela tarde, a temperatura real estava em incríveis -44º₢ ao longo do embate. A banda marcial da universidade de Wisconsin – Lacrosse estava incumbida de tocar antes do embate mas devido às condições de temperatura, os instrumentos simplesmente não funcionavam. Juízes que apitavam o jogo tiveram que utilizar sinais durante o jogo, já que o apito simplesmente grudou na boca de um deles no começo da partida, ocasionando um corte na boca dele.

Coube ao próprio Starr anotar o TD da vitória do Packers no quarto período, em uma jogada chamada pelo próprio Quarterback que culminou na vitória de 23 x 17 para sua equipe. Starr completou 14 de 24 passes para 194 jardas e 2 passes para TD – além do citado TD terrestre, para vencer também o prêmio de MVP da partida.

Fica nossos sentimentos à toda a comunidade e aos familiares também, desta verdadeira lenda da NFL.


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