sexta-feira, 28 de junho de 2019

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A NFL consegue cada vez mais internacionalizar a sua marca. A televisão a cabo e a internet permitiram que esse esporte antes tão norte-americano rompesse fronteiras e conquistasse o coração de muitas pessoas no mundo todo. Hoje, seja você nascido entre centenas de milhões de brasileiros ou entre dezenas de milhares de samoanos, chegar a essa enorme liga não é impossível. E acompanhá-la de perto é uma realidade.

Mas nas origens do futebol americano profissional, um século atrás, já havia estrangeiros se destacando. É preciso remover a poeira da história para falar sobre essas pessoas que estão esquecidas entre tantos nomes que marcaram época. Porém, é conhecido que pelo menos nove estrangeiros participaram da temporada inaugural da NFL, em 1920.

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Entre os nove, estavam os irmãos Nesser. É deles a história que iremos contar nesse texto.

Theodore Nesser nasceu em 1850, na Alemanha (mais precisamente, Confederação Germânica). Sua vida não parecia ter nada de memorável: como um homem de sua época, lutou em uma guerra, perdeu parte de um dedo, casou-se, teve um enorme número de filhos. Seu trabalho era na ferrovia, como caldeireiro. Entre tantos problemas da época, decidiu que buscaria uma vida melhor no novo mundo e embarcou com sua esposa, Katerine, e cinco crianças para os Estados Unidos.

No total, Theodore e Katerine tiveram doze filhos, sendo oito homens. Desses, sete seguiram os passos do pai e foram trabalhar na ferrovia. A família se estabeleceu na cidade de Dennison, Ohio. Ali perto, engatinhava o futebol americano profissional.

Seis dos irmãos Nesser.

O principal esporte profissional nos Estados Unidos do início do século XX era o beisebol. Qualquer liga esportiva que surgisse tinha como inspiração a MLB, criada em 1903. O futebol americano ainda era primordialmente universitário e tentava alcançar um novo patamar com alguns campeonatos que tinham dificuldade para se estabelecer. Foi só em 1920 que isso mudou.

Foi em Ohio que a NFL surgiu. Fundada como APFC, American Professional Football Conference, contava com cinco dos quatorze times iniciais no estado. Entre eles, estava o Columbus Panhandles.

Voltemos à história da família Nesser: Theodore sentiu-se traído após apresentar um projeto de motor que seria usado por muitos anos nas ferrovias norte-americanas, mas ver a Pennsylvania Railroad fazer pequenas mudanças estruturais para contornar a patente. Sem nada, mudou-se para Columbus e passou a trabalhar como encanador. Seus filhos continuaram com o ofício familiar da caldeiraria.

Os Nesser eram extremamente altos e fortes. Fanáticos por esportes, jogavam futebol americano em todos os horários livres que tinham do trabalho. Desde 1904, existia o Columbus Panhandles, que treinava em um campo atrás da ferrovia. A partir de 1907, disputou algumas ligas sempre com sucesso razoável, mas só foi realmente tornar-se algo mais sério com o estabelecimento da APFC.

Joe Carr era o homem por trás desse time. Jornalista esportivo, ele era técnico do time de beisebol da Pennsylvania Railroad, mas tinha o futebol americano como grande paixão. Sonhava em ver um dia esse esporte ter uma liga tão popular como a MLB. Por sua ligação com a ferrovia, pôde cortar custos, conseguir passagens gratuitas para os jogadores e levá-los para disputar jogos pelo país. Fez a transição do Panhandles das pequenas competições estaduais para membro inaugural da APFC. E entre os jogadores ferroviários, estavam os irmãos Nesser.

Sete irmãos Nesser, com seus tamanhos acima da média e sobrenatural força física, atuaram por cerca de vinte anos na equipe de Carr. Eles pegaram tanto a fase ainda amadora, como os três primeiros anos de APFC e NFL (a mudança de nome veio em 1922). Eram uma enorme atração nos jogos, uma vez que demonstravam suas habilidades atléticas em uma época que não havia tanto foco nesse quesito. Suas imagens apareciam em jornais e panfletos que divulgavam o jogo.

Recorte de jornal falando sobre os irmãos Nesser.

O irmão mais velho era John Nesser, que jogou até os 46 anos de idade e manteve o recorde de atleta mais velho da NFL até ser superado por George Blanda. Phil Nesser, também nascido na Alemanha, era visto como um gênio da matemática. Ted Nesser era, além de jogador, o técnico do Panhandlers e é creditada a ele a invenção de diversas jogadas. Diz-se que Frank Nesser era capaz de chutar field goals de 63 jardas e punts que ficavam 70 jardas no ar.

O Panhandlers foi dissolvido em 1924 após mudar de nome para Columbus Tigers. A NFL, por sua vez, continuou crescendo e Joe Carr chegou a ser presidente da liga. Alguns dos irmãos Nesser não seguiram adiante após o fim do time local, mas outros sim: Al Nesser, um dos mais jovens, chegou a ser campeão com o New York Giants em 1927.

O Columbus Panhandles em ação.

Hoje, é difícil encontrar referências aos irmãos Nesser nos livros de história da NFL. Há um painel com uma imagem deles no Hall da Fama, em Canton. E registros da importância que essa família alemã teve nos primórdios do futebol americano profissional podem ser encontrados, só que sem a frequência que deveriam.

Mas antes de qualquer outro astro estrangeiro desse esporte, havia sete com o mesmo sobrenome: Nesser. Uma tradição tão americana não poderia ter sido construída sem aqueles que foram fundamentais para fazer dos Estados Unidos uma enorme potência mundial, os imigrantes.

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