quarta-feira, 12 de junho de 2019

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Com os Training Camps se aproximando, surgem as famosas batalhas por posição que movimentam os treinos todos os anos. Sejam as de QB, WR, DE ou qualquer outra, é normal vermos veteranos perdendo a posição para os calouros todos os anos. No entanto, 2019 reserva uma batalha que não víamos há muito tempo na NFL, a batalha pela posição de Quarterback do New York Giants. Como todos sabemos, Eli Manning ocupa a posição desde 2004, no entanto, com a queda na questão física graças à idade avançada batendo, a equipe selecionou Daniel Jones com a #6 geral do Draft desse ano. Tido inicialmente como um projeto, algumas declarações de Pat Shurmur, Head Coach da equipe, dão a entender que a competição pode estar realmente aberta e nenhum dos dois tem o destino certo.

Eu preciso começar esse texto deixando claro, assim como a maioria dos analistas, eu também tinha uma nota baixa para Daniel Jones como prospecto. A seleção dele na #6 overall foi um equívoco e Dave Gettleman não tem um plano como sempre costuma dizer em suas coletivas. Dito isso, esse não será o foco do texto. Vamos nos reter somente a situação da titularidade da posição do Giants.

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Daniel Jones está arrasando em todos os treinamentos dos OTAs! Bom… Se eu fosse você, não me empolgaria com nenhum desses reports. Esse é apenas um dos clichês de todas as offseasons. Mandar bem nos OTAs, na verdade, não é algo tão impressionante. Para se ter uma ideia, são treinamentos iniciais, sem muita intensidade e, entre outras coisas, sem contato. Os jogadores nem de Shoulder Pads estão. Usam apenas os capacetes e fazem exercícios básicos. Quando chegarmos no Training Camp, ai sim poderemos analisar de fato como realmente está o desempenho do atleta. Tudo antes disso é apenas publicidade.

No entanto, o que pode não ser encarado apenas como publicidade, são as declarações do HC Pat Shurmur, em especial, as de ontem. O treinador declarou que Daniel Jones está pronto para jogar na semana 1. Disse que Eli está pronto para ter um ano sensacional e, quando perguntado se existe um cenário que Jones pudesse ser titular, ele declarou: “você nunca sabe o que pode acontecer.” Bom, sabemos que dessas frases, uma com certeza está longe de se concretizar. Eli Manning vem de um declínio muito vertiginoso nas últimas duas temporadas e, agora perdendo sua melhor arma, nada leva a crer que ele possa elevar novamente seu nível de jogo. O que nos leva as outras considerações, sobre o calouro.

É normal que treinadores puxem sardinha para seus jogadores jovens. Isso serve para elevar a moral dos atletas e fazer com que se sintam confiantes e busquem melhorar a cada treino. A questão aqui, no entanto, é outra. Eli Manning não tem a menor condição de ter mais um ano como titular jogando em bom nível. A ideia da diretoria, mesmo que de forma escondida, é dar uma temporada de despedida para o camisa 10 a altura do que ele representa para Nova York. O problema é, estamos falando de Nova York. Quando as derrotas começarem a aparecer, quando as famosas interceptações derem as caras, a imprensa vai pedir fortemente pela titularidade de Daniel Jones. Por mais que a mesma imprensa que o peça, seja a que o chamava de fraco em Abril, de nada importa. Ela não precisa ser coerente, mas o Giants sim. Quando você seleciona um QB com a #6 geral, não importa o que você diga, ele tem que jogar. E é isso que Pat Shurmur busca, dar tranquilidade ao jogador e não causar espanto na torcida caso o novato apareça mais cedo do que o esperado.

No entanto, eu vou mais além. Indo na onda de Shurmur, eu acho que Daniel Jones deveria ser o titular na semana 1. Não por essa declaração, mas por todo o contexto. Uma falácia que era repetida no Draft e tem se sustentado até agora é que Daniel Jones é um projeto. Que ele deveria ficar um ano no banco do Eli “aprendendo”. Ai eu te pergunto, aprendendo o que? O principal ponto fraco do seu jogo, destacado inúmeras vezes, é a sua falta de força no braço. Jones não consegue fazer um passe longo sem deixar a bola pendurada demais por exemplo. Ou coloca-la em uma janela curta prevendo a antecipação do defensor. Isso não é “ensinavel”, não importa quantos anos no banco aprendendo, ele não vai melhorar esse aspecto. O teto de Daniel Jones é incrivelmente baixo. Hoje ele não passa de um game manager. Pode ter sucesso assim? É claro que pode, mas essa não é a questão. No entanto, quanto mais tempo no banco, mais tempo estará sendo perdido. Quanto mais cedo ele jogar, mais cedo saberemos o que de fato ele pode fazer pela equipe.

Se a competição realmente estiver aberta no Training Camp do Giants, Daniel Jones tem plenas condições de vencer. A questão aqui é se Dave Gettleman e Pat Shurmur terão coragem de barrar o maior ídolo da franquia em seu ano de despedida. Embora, na minha visão, seja o correto a se fazer, sabemos que essa decisão vai de encontro a diversos outros interesses que fogem apenas campo e bola. Está na balança a memória e imagem de um ídolo, a necessidade de produção e o emprego da comissão técnica. Um erro pode ser fatal, mas pra quem já errou tanto em decisões recentes, nada mais me fará chocar.


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