sexta-feira, 15 de junho de 2018

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Não tão diferente dos acordos de sindicatos com empresas que estamos acostumados a ver, existe um contrato que estipula diretrizes entre a associação dos jogadores profissionais (NFLPA) e a NFL. O acordo determina a distribuições de lucros da liga, aborda padrões de segurança e saúde para os jogadores, assim como pensões e benefícios médicos. O primeiro acordo foi assinado em 1968, quando a NFLPA votou por iniciar uma greve buscando melhores salários, pensões e benefícios para todos os jogadores da liga. Em alguns outros casos também houveram paralisações devido a divergências durante negociações de contratos, como nos anos de 1982, onde boa parte da temporada foi perdida e 1987, quando substitutos entraram em campo para manter o calendário.

O acordo que está em andamento entre a NFL e a associação dos jogadores foi assinado em 2011, com validade de 10 anos. Ou seja, acabará em 2021. Neste acordo as principais mudanças foram em relação a segurança e saúde dos jogadores, com redução e aplicação de restrições do número de treinos na intertemporada e limite de treinos com contatos, tanto na offseason quanto na temporada regular. Além disso foram incluídos benefícios para jogadores aposentados e também para atletas afetados por problemas neuro-cognitivos decorrentes de concussões. Foi definido um percentual entre 47% e 48,5% de divisão dos lucros da liga e o salário mínimo base dos jogadores e o percentual mínimo do teto salarial que deve ser gasto também aumentaram. 

O que os jogadores podem exigir em 2021?

Uma das principais exigências dos jogadores para um futuro novo acordo com a NFL é quanto aos salários. Muito mais que valores mais altos, os jogadores desejam a segurança que os atletas da NBA e MLB possuem. Ou seja, salários 100% garantidos. Hoje praticamente qualquer contrato na NFL possue cláusulas e mais cláusulas com condições que os jogadores devem cumprir para receber seus pagamentos de forma integral, seja por desempenho, tempo em campo ou saúde, além de situações em que o time pode sair do contrato sem ter que pagar a totalidade para o jogador. O motivo para haver a palavra “praticamente” na frase anterior é Kirk Cousins, que assinou com o Vikings um contrato de 3 anos com valores 100% garantidos, primeiro na história da liga. Para o restante dos mortais a realidade é muito diferente. Toda essa briga se dá principalmente as incertezas quanto a segurança do esporte, afinal um jogador pode se machucar e ter sua carreira comprometida em seu auge e acabar com seu contrato cortado, deixando de receber grande parte dele. Um contrato com todos os valores garantidos traria mais segurança para os jogadores. Vale lembrar que esse direito só foi conquistado na NBA e MLB através de greve.

Ainda sobre salários, os jogadores estão vendo o lucro das franquias crescer bastante e quebrando recordes, num ritmo muito maior que o crescimento do salary cap. Os 47% de distribuições de lucro acordados em 2011 devem subir. Também existe a vontade por parte dos jogadores de melhorar o salário e as possibilidades de negociação de novos contratos com jogadores em seus primeiros anos na liga.

Outro ponto que aparece com força é em relação em como a NFL está lidando com punições disciplinares, vide os casos de Ezekiel Elliot, Ray Rice e Tom Brady. A associações dos jogadores exige que as punições sejam determinadas por um grupo neutro, com partes indicadas tanto pela liga quanto pela NFLPA. Hoje qualquer decisão referente ao assunto está nas mãos do comissário Roger Goodell. Além disso existe uma preocupação crescente em relação a concussões. Uma das propostas seria cortar completamente os contatos entre jogadores em treinos.

Há algo que está em vitrine nesta intertemporada mas que não deve (ou ao menos não deveria) influenciar em 2021. E se for uma reivindicação dos jogadores, dificilmente será conquistada. Atletas que estão em seus respectivos últimos anos de contrato, como Earl Thomas do Seahawks, Aaron Donald do Rams e David Johnson do Cardinals estão se recusando a participar das atividades dos times antes de terem um novo contrato assinado. Técnicamente, eles ainda estão sob os atuais contratos de forma que qualquer manifestação quanto a assinatura de um novo contrato, seja por se negar a participar de treinamentos até mesmo de jogos, não faz tanto sentido. Seria o mesmo se o time decidisse pagar para o jogador menos do acordado caso ele não desempenhasse bem dentro de campo.

Trump e as polêmicas no hino

Um dos pontos que tem gerado muita polêmica e que com certeza terá impacto nas discussões sobre o novo contrato entre NFLPA e a NFL foi a recente decisão da liga em relação aos protestos de jogadores durante a execução do hino dos Estados Unidos antes dos jogos. Na reunião de maio, os donos das franquias decidiram punir com multas quem protestar durante a execução do hino. Quem tiver intenção de fazê-lo, deve permanecer no vestiário até o final da execução. Quem descumprir poderá sofrer punições tanto da franquia quanto da liga.

Algo que também não ajudou foram as declarações de Donald Trump no Twitter, especialmente no final do ano passado, muitas apenas para desviar o foco do real problema. No post acima, Trump diz: “Você acredita que o desrespeito por nosso país, nossa bandeira, nosso hino continua sem penalizações aos jogadores. O Comissário perdeu controle sobre esta liga que sangra. Os jogadores são os chefes!”. Também já declarou que jogadores que se ajoelhassem durante o hino são anti-patriotas e nem deveriam estar no país.

Além disso, a tradicional visita dos campeões do Super Bowl à Casa Branca foi cancelada, muito devido aos protestos realizados. Em um anúncio, Trump falou que o Philadelphia Eagles está impossibilitado de comparecer a cerimônia pois o time não concorda com sua crença de que os jogadores devem ficar orgulhosamente de pé para o hino nacional, em honra aos grandes homens e mulheres das forças militares e de todas as pessoas do país. Há alguns dias o safety Malcolm Jenkins (Eagles) respondeu uma entrevista utilizando apenas cartazes com frases de apoio aos jogadores e suas ações e em protesto à tentativa de pintar os atletas como anti-patriotas ou anti-militares.

Afinal, pode ocorrer uma nova greve?

Há diversos indícios de que sim, pode ser gerada uma greve em 2021. Rishard Sherman, cornerback do San Francisco 49ers e um dos atletas mais vocais em defesa dos atletas, falou em entrevista para Jalen Rosen (ESPN) antes da temporada de 2017 começar que os jogadores devem se unir para buscar melhores salários e que só quando a liga sentir no bolso é que as mudanças acontecerão.

“Você vai ter que perder jogos, você vai ter que perder algum dinheiro se você estiver disposto a provar seu ponto, porque é assim que a MLB e a NBA conseguiram. Eles perderam jogos, eles atacaram, eles flexionaram com todo o poder que tinham, e foi incrível. Isso funcionou para eles.”

Rishard Sherman

DeMaurice Smith, diretor executivo da associação dos jogadores, também falou que uma greve é virtualmente certa em 2021 e disse que os jogadores devem começar a poupar dinheiro para o tempo de greve, ou caso os donos da franquias imponham uma paralisação de trabalho (algo que já aconteceu em 2011). As recentes decisões da liga, em especial em relação aos protestos, colocaram ainda mais lenha na fogueira. Imaginar hoje um cenário de negociação tranquila entre a NFL e a NFLPA é praticamente impossível.

 

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