segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

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32 por 32 - L32

Dallas Cowboys. O que você pensa quando lê essas duas palavras? Time mais popular da América? Ou time de recorde 8-8 que sempre fracassa em dezembro? Quem não torce para o time de Dallas certamente já usou a última sentença para provocar os torcedores da estrela azul. Esse ano, no entanto, não houve espaço para qualquer brincadeira sobre o time comandado por DeMarco Murray e cia. Eles deram conta do recado e não abriram qualquer brecha para que dezembro voltasse a assombrar novamente. Mas como foi que o Cowboys finalmente conseguiu dar esse passo à frente e voltar aos playoffs após 5 anos? Sorte? Claro que não. Comissão técnica e General Manager trabalharam duro em várias frentes para mudar o estigma de time que nada, nada e morre na praia. Tento explicar um pouco de como se deu esse processo de evolução lá no Texas.

– Os Drafts

O Draft é aquele momento de moldar seu time para o futuro, escolher jogadores das universidades que vão representar sua franquia por – assim se espera – muitos anos. Através do processo de seleção do Draft, talentos que foram avaliados e reavaliados são escolhidos e ajudam a fortalecer o time que será seu novo lar. Costumo dizer que time bom se faz no Draft, no Free Agency contrata-se jogadores medianos para bons para tapar buracos e preencher posições mais frágeis do time. Time que se monta investindo tudo nesse período de contratações, normalmente não dá boa coisa.

E o Dallas Cowboys sabe disso. Montaram seu atual time escolhendo bem jogadores determinantes para essa campanha atual em cada um dos últimos Drafts realizados. Vamos relembrar?

Em 2012, selecionaram o DE Tyrone Crawford. Ele vem sendo simplesmente o cara dessa defesa, jogando de maneira muito agressiva. Conta com 4 sacks, 12 hits no QB do oponente e 21 tackles para perda – atrás da linha de scrimmage. Foi uma escolha acertada e que mudou a cara da defesa do time, especialmente esse ano que é o melhor ano do Crawford na carreira.

Já em 2013, destaco a escolha do Center Travis Frederick. Ele foi a primeira escolha do Dallas no Draft daquele ano e sempre que um jogador de linha ofensiva é escolhido com a Pick número um, os torcedores torcem o nariz. Torcida está sempre esperando um WR ágil, alto e dominante ou um J.J. Watt da vida. Um playmaker, um cara que faça estrago no ataque ou na defesa. Mas escolher o Travis foi corajoso e bem planejado, isso porque veremos que no Draft de 2014 completou-se a estratégia. Ressalto aqui que Travis Frederick cedeu apenas um sack na temporada.

Estamos no Draft do ano passado – sim, 2014. Já estamos no ano de 2015 – e o Cowboys usou sua primeira escolha para, mais uma vez, selecionar um jogador de linha ofensiva: OG Zack Martin. Zack está jogando demais já no seu primeiro ano e fechou uma linha extremamente poderosa – vários integrantes selecionados com primeira escolha – não só na proteção, mas no jogo corrido, abrindo corredores para DeMarco Murray ter o melhor ano da sua vida. Zack Martin não cedeu nenhum sack em toda a temporada regular.

Outro destaque da linha ofensiva é Tyron Smith (Left Tackle), que também foi primeira escolha em 2011. Tem idéia do nível dos jogadores que compõem a melhor linha para o jogo corrido da NFL? Nada é por acaso. Várias escolhas número um usadas para selecionar jogadores de linha ofensiva. O jogo começa a ser vencido nas trincheiras!

 – Free Agency

Quando escrevi sobre o Draft, expliquei que o Free Agency, período de contratações, deve ser usado para acertos pontuais. Dallas acertou aqui também.

Em 2013, confiando no potencial e ignorando as críticas que recaiam sobre Tony Romo, o Cowboys renovou com o seu QB e se já em 2013 essa decisão se mostrou acertada, em 2014 então ficou ainda mais claro. Romo só evoluiu desde 2012, lançando para cada vez mais TDs e menos interceptações.

Na temporada de contratações de 2014, acertaram em cheio em vários bons jogadores, incluindo um aposentado que voltou a jogar. Anthony Spencer, Jeremy Mincey, Henry Melton e Rolando McClain foram contratados e todos eles não foram apenas atrás de grana, mas estão rendendo bem em campo e fazendo a diferença. McClain não jogou em 2013 porque, após problemas fora de campo, se aposentou e deixou o Raiders, mas o Cowboys buscou ele em 2014 e a aposta deu resultado.

 – O fator DeMarco Murray

Um time fortalece a linha ofensiva usando as primeiras escolhas em vários Drafts, essa linha se torna capaz de abrir corredores para o running back e esse jogador consegue evoluir claramente com o passar dos anos e com a chegada dessa peças essenciais ao ataque de Dallas. É a história de amor entre DeMarco Murray e a linha de ataque do Cowboys.

Veja a evolução do Murray nos últimos anos:

2012 – 161 corridas –663 jards –4 TDs

2013- 217 corridas – 1121 jardas – 9TDS

2014 – 392 corridas – 1845 jardas 13 TDs

A maioria das pessoas olha para dois números: Ele teve mais jardas e mais TDs ao longo dos anos. Cresceu o número de corridas também, ele foi muito mais utilizado. “Ah, mas ele só correu para mais jardas e TDs porque foi mais utilizado”. Mentira. Um RB só é tão utilizado quando ele consegue “funcionar” assim. Se ele não render bem, não será explorado além do normal, como foi o caso. E diga-se, 392 corridas em uma temporada regular não é normal, talvez nem humano e isso só foi possível graças ao grande RB que é o DeMarco e a linha ofensiva que o time possui.

Investimento alto em jogadores da linha de ataque, aumenta o rendimento do running back da equipe e…aumenta também o do QB Tony Romo.

Em 2012, ano em que o DeMarco Murray correu em 161 oportunidades, Tony Romo sofreu 19 interceptações. Nessa temporada, o Cowboys é muito mais sólido no ataque. É outro time! São 392 corridas do running back e 11 INT do seu QB, 8 a menos que em 2012. Verdade que no passado o Romo lançou para mais jardas, tinha que levar o time nas costas e acabava sendo interceptado em momentos cruciais, mas agora ele é mais eficiente e conta com um jogo mais balanceado dando todo o suporte para que ele maximize seus acertos e minimize os erros.

A linha ofensiva e o RB trouxeram a Romo o que ele precisava: menos pressão para jogar, menos dependência dos seus lançamentos. Toda a estratégia do Cowboys no Draft, como falei, não só acertou isso, mas também mudou o próprio estilo do time atacar.

A quantidade de TDs também subiu e ninguém foi mais beneficiado com isso que o Dez Bryant. Ele recebeu 16 bolas para TD, recorde na sua carreira. O Cowboys teve 29 TDs em 2012, 33 em 2013 e 37 em 2014. São mais TDs terrestres também. O que nos leva a uma conclusão lógica: Esse ataque é mais perigoso que nunca.

 -Defesa

De 2013 para 2014 o ataque do Cowboys evoluiu. Mas nada perto do passo à frente que a defesa da equipe deu. Ofensivamente, Dallas já era um time top 5 da NFL em 2013. Hoje, de acordo com o Pro Football Focus, é o melhor ataque. Era muito bom, ficou ainda melhor.

No entanto, é de se observar que a defesa do Dallas Cowboys em 2013 era um desastre e foi duramente criticada todo o ano. Era das piores defesas da liga. Hoje, ela não é o destaque do time, mas é uma defesa que subiu 10 posições no ranking das melhores defesas em um ano e isso é suficiente para decidir partidas, especialmente aquelas mais apertadas. A grande força desse setor é o pass rush e aqui vale mencionar Jeremy Mincey e Tyrone Crawford, responsáveis por aterrorizar os QBs adversários e trazer equilíbrio ao restante dos setores de defesa, notadamente por serem capazes de apressar o QB, facilitando o trabalho da secundária.

 – Conclusão

O ataque do Cowboys que foi forte em 2013, está melhor em 2014. Linha ofensiva dominante, abrindo espaços para DeMarco Murray ter o seu grande ano. Com o time balanceado, Tony Romo lança com menos pressão e mais eficiência, o que beneficia Dez Bryant – em ano com mais TDs da carreira.

No outro lado da bola, a defesa cresceu. De vergonhosa na última temporada, hoje não é o ponto forte do time, mas evoluiu ao ponto de ter um pass rush de destaque e ser capaz de garantir vitórias e parar adversários quando necessário. Por tudo o que foi explicado, o Cowboys hoje é mais forte que nos últimos 5 anos, mais sólido e mais completo. Se tivesse que apontar um time para surpreender na NFC, seria o Dallas Cowboys.

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