quarta-feira, 15 de maio de 2019

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Falar em reconstrução ou remontagem de elenco no Seattle Seahawks é chover no molhado ao longo dos últimos três anos, dado as múltiplas saídas e despedidas de jogadores emblemáticos do time, que marcaram época, chegaram em dois Super Bowls, conquistando um título (Super Bowl XLVIII) e que de fato conseguiram colocar seus nomes na história da franquia.

Sem nem mencionar as dos anos anteriores, essa off season parece ter selado de vez tal processo, com a saída de Earl Thomas como agente livre, assinando um ótimo contrato com o Baltimore Ravens e agora, mais recentemente, com o anúncio das dispensas do safety Kam Chancellor e do wide receiver Doug Baldwin, que em seguida anunciaram suas aposentadorias por problemas decorrentes de lesões, fatos que já eram muito especulados, mas apenas agora tiveram confirmação.

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Chancellor foi uma escolha de quinta rodada no Draft de 2010, o que por si só mostra o quão foi inesperado e incrível o fato dele conseguir se tornar um dos grandes líderes de umas das maiores defesas recentes da liga e sem dúvidas da história da franquia. Capitão por vários anos no time, o jogador foi ainda quatro vezes Pro-Bowler e duas vezes All-Pro, mostrando um espírito e capacidade de atuação que iam muito além de suas estatísticas propriamente ditas, que também eram ótimas aliás, porém incapazes de mostrar o que realmente representava Kam Chancellor em campo e seu impacto num jogo ou até para o desempenho de seus próprios companheiros.

Já Doug Baldwin tem uma trajetória ainda mais surpreendente e impressionante, pelo fato de ter chegado no Seahawks como rookie undrafted em 2011 e já no mesmo ano conseguir não somente ficar no elenco final, mas já ser um fator dentro de campo, liderando o time em recepções, jardas recebidas e touchdowns recebidos. Além da conquista do Super Bowl, o jogador acumulou ainda alguns recordes da franquia, foi duas vezes Pro-Bowler e encerrou sua carreira de maneira precoce, podemos assim dizer, já que com 30 anos, sendo o segundo da história de Seattle em touchdowns recebidos (49) e o terceiro em jardas recebidas (6.563 jardas).

WR – Doug Baldwin

Tais saídas, ainda que não tenham sido propriamente fruto de decisões exclusivamente da equipe, reforçam o momento de reconstrução vivido em Seattle, onde as bases são o QB Russel Wilson, no ataque, como não poderia deixar de ser, uma vez que o jogador é o franchise quarterback, já vitorioso e ainda com um longo caminho a percorrer na NFL, agora ainda mais motivado com sua recente renovação de contrato, que o tornou o jogador mais bem pago de toda a liga. Enquanto na defesa, a base onde tudo está sendo reconstruído ao seu redor é o Linebacker Bobby Wagner, jogador absolutamente impressionante pela produção, desempenho e longevidade em campo, dando ainda muitas amostras de que pode continuar produzindo e liderando muito bem a unidade, do alto de seus 28 anos de idade.

O Draft desse ano e o modo de atuação da equipe é outro fator que exacerba a visão e necessidade de reconstrução do elenco, de modo a preencher o maior número de buracos possíveis e encontrar valores similares aos jogadores que partiram. Originalmente o Seahawks tinha 4 escolhas, que após a troca de Frank Clark com o Kansas City Chiefs e sucessivos trade downs se transformaram em 11 escolhas totais, dessas, 4 somente dentro do top 100. Ainda que tal fórmula não seja propriamente uma garantia de sucesso, já se mostrou muito efetiva em outros momentos e com outras franquias, sendo uma linha absolutamente compreensível de ser seguida pelo momento e necessidades de Seattle.

Tudo bem que passando a olhar e analisar diretamente as escolhas, o Draft de Seattle está longe de ser uma unanimidade e poder ser realmente considerado bom, foram várias picks feitas em momentos e com valor extremamente questionáveis, um eufemismo para não dizer diretamente que o time acabou por dar alguns reachs. Sobretudo em sua única escolha efetivada na primeira rodada, onde na pick #30 a equipe selecionou o EDGE L.J. Collier de TCU, jogador que para mim, assim como para muitos analistas, tinha valor posicional e potencial para estar saindo apenas na metade do segundo dia do evento. Por mais que tenham surgido inúmeros rumores de que os alvos iniciais do time na escolha #21 fossem os EDGEs Rashan Gary e Brian Burns, que saíram antes, o fato é que John Schneider poderia ter encontrado mais valor com essa escolha, inclusive para a própria posição. No entanto, inegavelmente conseguiram pegar um jogador que gostavam e que é um bom encaixe para o sistema da equipe, restando ver se o prospecto estará pronto para contribuir desde o início, como possivelmente seja esperado dele.

Apesar disso, boas escolhas, muito mais compreensíveis e acertadas também foram realizadas pelo time. Vou destacar aqui as duas que mais me agradaram:

Pick 64) 2ª Rodada – WR D.K. Metcalf, Ole Miss

Por mais que o jogador ainda não esteja totalmente pronto para a NFL desde o seu primeiro dia, draftar um jogador como Metcalf e todo seu arsenal/potencial físico e atlético a essa altura do Draft é uma grande barganha. É extremamente raro surgir um prospecto de X receiver que reúna características e atributos físicos tão fortes e potentes quanto as do produto de Ole Miss, que detém uma combinação incrível de altura, peso, envergadura, velocidade e explosão que todas das equipes buscam e anseiam num WR.

Parte da queda no board sofrida pelo jogador foi fruto de rumores, questionamentos e suspeitas com uso de esteroides, algo que não é novidade para o mundo da NFL como um todo, mas que não foi o suficiente para afastar Seattle nesse ponto, que deu até um trade up para garantir o jogador. O fato é que, desde que afastado desses problemas e bem desenvolvido, o atleta tem tudo para fazer uma excelente dupla de recebedores com Tyler Lockett e, apesar de características diferentes, suprir bem a saída de Doug Baldwin, com potencial para virar o principal alvo de Russel Wilson, diante de sua capacidade de ser um mismatch ambulante.

WR – D. K. Metcalf

 

Pick 47) 2ª Rodada – S Marquise Blair, Utah

Tudo bem, todos podem questionar aqui o valor da escolha, a posição onde o time resolveu draftar Blair, pelo fato de ser muito além do esperado pela maioria. No entanto, para mim, não chega a ser um problema, diante do jogador ter sido ao longo do processo Pré-Draft, um dos mais interessantes e divertidos de sua posição em que avaliei e vi o tape.

Joga muito duro, bate forte e por vezes é até desleal em seu estilo de jogo, cometendo faltas desnecessárias, mas não dá para negar que essa agressividade e fisicalidade em seu jogo fazem os olhos brilhar no tape, se dosadas, com serenidade e na medida certa, pode ser um grande diferencial para o jogador. (Essa faceta “porradeira” do jogador lembra algum outro safety supracitado neste artigo?)

Muito utilizado no box, impressiona a velocidade com que chega na linha de scrimmage e faz o tackle, mostrando uma certa dificuldade apenas com bloqueios no segundo nível. Não aparenta/apresenta os melhores atributos para jogar na cobertura “man to man”, mas tem bons extintos, habilidade e velocidade para ficar até mesmo de free/single safety, seu tamanho e composição corporal ajudam para tanto. Não mostrou muito “ball skils”, mas não teve tantas oportunidades de jogo para isso, aparentemente, ficando muito jogos no box, quase que integralmente, explicando um pouco de seus tímidos números.

red flags relacionadas a lesões ainda no período do high school e ao seu início no College, esta última um tanto quanto obscura, no que diz respeito a gravidade e ao problema em si, mas não foram mais problemas para o prospecto e no seguimento de sua carreira.

Safety Marquise Blair

Há de se mencionar ainda algumas escolhas interessantes do time, que têm potencial para desenvolvimento e quem sabe, podem conseguir ganhar espaço no roster e desenvolver um papel complementar importante ao longo do tempo, são elas: o WR Gary Jennings – West Virginia, o DB Ugo Amadi – Oregon, o LB Bem Burr-Kirven – Washington e o DT Demarcus Christmas – Florida State.

Desse modo, diante de todo o exposto, resta mais que evidente o caráter transformador e renovador pelo qual o elenco do Seattle Seahawks passa, ainda que seus efeitos sejam minimizados pela permanência e o ótimo trabalho de Pete Carroll, assim como a manutenção e mescla de alguns jogadores mais experientes, não se surpreenda se nesse ano o time sentir um pouco mais forte os efeitos dessa rejuvenescida e múltiplas alterações, gerando uma certa instabilidade e queda de desempenho, algo que Russel Wison, Bobby Wagner e companhia deverão lidar muito bem para manter a equipe em condições de brigar pelo topo de sua divisão e da NFC.

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