segunda-feira, 28 de maio de 2018

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Não há mais discussões sobre o fato de que hoje a NFL é uma liga voltada ao jogo aéreo. Podemos ver o reflexo disso na valorização da posição de quarterback (e de seus salários), assim como de qualquer jogador que possa influenciar em um jogada de passe, seja pressionando o QB, o defendendo, seja recebendo ou bloqueando passes. Mas tem uma posição que, mesmo sendo importante nesse quesito, não tem recebido o devido valor.

Antes de chegar lá, vamos pegar dois casos que ocorreram na última temporada como exemplo: o Green Bay Packers vinha bem, com 4 vitórias nos primeiros 5 jogos até que na semana 6, contra o rival Minnesota Vikings o quarterback Aaron Rodgers se machucou. Após a saída dele e com Brett Hundley assumindo o under center, desconsiderando a derrota para o Vikings, foram apenas 3 vitórias nos últimos 10 jogos. Hundley, em seus 11 jogos, lançou para 9 TDs e 11 interceptações, com um passing rate de 70.6.

Ainda em 2017, o Philadelphia Eagles vinha surpreendendo a todos sob a liderança do quarterback Carson Wentz e liderava a NFC Leste com 10 vitórias e apenas 2 derrotas até o início da semana 13. Porém, na semana 14 contra o Los Angeles Rams, Wentz rompeu o ligamento cruzado e teve sua temporada encerrada precocemente. Em seu lugar entrou em campo Nick Foles, que ajudou a equipe a vencer 2 das últimas 3 partidas da temporada. Nos playoffs, Foles brilhou: nos 3 jogos, foram 971 jardas lançadas para 6 TDs e apenas uma interceptação, com um passing rate de 115.2, culminando na vitória no Super Bowl sobre o Patriots e o prêmio de MVP na dita partida.

O que ambas as situações tem em comum? Em algum ponto da temporada, ambas as equipes perderam seu quarterback titular e caiu nas costas do reserva a responsabilidade de levar a equipe para frente. É claro que a comparação pode ser um pouco injusta para o Packers, afinal o elenco do Eagles é melhor em praticamente todos os níveis, mas caso fosse Hundley no lugar de Foles, o Eagles teria vencido um Super Bowl? Acredito que não.

É nessas horas que é dado valor ao quarterback reserva, apenas quando um time precisa dele. Pense nele como o seguro de seu carro. O cenário perfeito é você nunca precisar dele, com tudo correndo às mil maravilhas. Mas existe uma chance de você ter que acioná-lo. A franquia precisa ter alguém que no mínimo possa jogar o suficiente para não comprometer o planejamento da temporada. E essa necessidade surge com mais frequência que você imagina. Durante a temporada de 2015, 50 quarterbacks receberam pelo menos 1 snap e 14 das 32 franquias tiveram que utilizar seus quarterbacks reservas em algum ponto da temporada. Já em 2016, 3 times da AFC Sul e toda a AFC Norte tiveram que utilizar seus reservas no under center. Então não, não é algo raro de se acontecer.

No lado da franquia, obviamente a balança de manter um elenco com bons titulares e reservas que consigam não comprometer o trabalho é extremamente complicada. E se tratando de um quarterback as complicações aumentam em proporção à importância da posição e trazem ainda mais dor de cabeça aos dirigentes. Tendo outros 52 jogadores para pagar, existe um limite que você pode reservar para alguém que pode nem entrar em campo. Mas digamos que você ache um bom reserva: se ele for bem, vai querer a posição de titular, seja em sua franquia ou em outra. Se você precisar de um reserva novo, conseguirá apenas alguém que é ou muito novo/não teve oportunidades ou alguém que já é mais experiente e está em declínio, afinal ninguém vai aceitar sair da titularidade de outro time para ser reserva no seu. Ou seja, não é uma situação fácil.

Mas para quem é reserva no under center, ao contrário do que muitos acreditam, a situação também é complicada. O jogador nessa posição deve ter estabilidade mental e profissionalismo impecáveis para conseguir se manter focado e motivado nos treinos mesmo sabendo que pode não chegar a entrar em campo.  Caso venha a jogar, precisa conseguir lidar com toda a pressão vinda tanto da franquia quanto dos torcedores.

Por melhor que seja seu quarterback reserva você nunca vai querer que ele entre em campo. Mas se precisar, é necessário ter alguém de confiança para a posição.  E é vital que a franquia esteja consciente disso e dê a devida atenção à situação o mais breve possível, afinal, depois que o problema acontecer, é tarde demais para fazer algo.


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