quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

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Dono de uma carreira absolutamente meteórica, Sean McVay é considerado uma das mentes mais brilhantes da NFL atual. Se tornando treinador principal do Rams com apenas 31 anos de idade, o prodígio chegou ao Super Bowl com apenas 33. Todo o talento e a rápida carreira do treinador são realmente impressionantes. Entretanto, após a derrota para o Patriots, pela primeira vez, McVay vê o seu trabalho sendo questionado e criticado.

Antes de começarmos a debater o momento atual do treinador, é valido fazer um breve resumo da carreira de Sean. Nascido em 1986, McVay foi um WR mediano dentro dos campos em sua carreira universitária. Porém, o conhecimento avançado da parte tática do jogo já era algo que chamava muito a atenção de seus treinadores. Após se formar em 2008, aos 22 anos, McVay teve o seu primeiro trabalho na NFL como treinador assistente dos WRs do Buccaneers. Depois deste início, a ascensão do jovem é impressionante. McVay foi treinador assistente de TEs no Redskins, em seguida foi promovido ao cargo de treinador principal da mesma posição e, em 2014, já havia sido alçado ao posto de Coordenador Ofensivo da equipe da capital americana.

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O bom trabalho no ataque do Redskins despertou o interesse da liga no talentoso, porém jovem treinador. Em 2017, o Rams decidiu dar a oportunidade para que, aos 31 anos de idade, Sean se tornasse o mais jovem HC da história da NFL. Vindo de uma temporada desastrosa e com muito receio da perda do investimento feito na escolha de Jared Goff, o Rams, que acabara de se mudar para Los Angeles, precisava de uma mudança também dentro dos campos e a ousadia da diretoria foi recompensada.

A chegada ao Rams foi impressionante e McVay transformou a equipe completamente. O antes contestado Goff passou a ter exibições de bom nível e o RB Todd Gurley se transformou na maior arma ofensiva da NFL. A temporada 2017 acabou depois da derrota nos Playoffs para o Falcons, mas isto não diminuiu em nada a empolgação com o ótimo trabalho do treinador. Ao final da temporada, inclusive, McVay foi eleito o treinador do ano e o Rams colocado no patamar dos grandes favoritos para a temporada seguinte.

Chegamos então na temporada 2018, onde o Rams fez mais uma bela campanha e chegou até o Super Bowl do último domingo. A derrota para o Patriots, olhada apenas como um fato isolado, é algo normal e, obviamente, não há qualquer demérito em uma temporada em que se chega ao Super Bowl. Entretanto, um conjunto de situações levantam questionamentos sobre algumas decisões de McVay e, pela primeira vez em sua carreira de treinador, as críticas ao seu trabalho começam a aparecer.

Vale destacar que este texto não tem nenhum teor de “caças as bruxas”. Nossa ideia é só analisar alguns pontos que foram negativos e contextualizar dentro da carreira meteórica de um treinador que praticamente só conviveu com elogios até o momento – algo quase impossível quando falamos de esportes de alto rendimento. O fato é que o ataque do Rams, principalmente na parte final da temporada e sobretudo no Super Bowl, esteve bem longe do encantador desempenho que acompanhamos anteriormente. É impossível não se chocar, embora o trabalho feito pela defesa do Patriots tenha sido brilhante, ao ver o Rams com apenas 3 pontos em uma partida.

Ao final do jogo decisivo da temporada, o próprio McVay reconheceu que seu trabalho tinha sido ruim e que ele havia sido totalmente superado. Em uma tradução livre, o treinador disse que havia sido “retirado do jogo”. A autocrítica do treinador é bem relevante ao ponto que reconhecer a sua falha e a superioridade do adversário são qualidades que nem todos os treinadores e jogadores possuem. No entanto, as críticas, que são justas, não deixarão de acontecer. Dentre outros pontos, algo que foi questionado é a utilização de Todd Gurley. Antes o melhor jogador ofensivo da liga, Gurley deixou de ser um fator na reta final da temporada. Considerando ainda que o Rams declarou que o jogador estava saudável e o próprio McVay afirmou antes da partida que Gurley seria “uma grande parte do jogo”, se torna estranha e questionável a utilização do RB.

Até mesmo algo que era muito elogiado no trabalho de Sean no Rams, agora levanta algumas dúvidas. É incontestável que, com a chegada do treinador, Jared Goff passou a atuar em um nível bem melhor. Todavia, neste momento, a forma de trabalho empregada por McVay PODE estar limitando a evolução do QB. Sempre fazendo as leituras inicias e utilizando da comunicação via ponto eletrônico com Goff, McVay conseguiu tornar funcional e, em vários momentos, bastante efetivo o desempenho do QB, porém isto pode estar deixando Goff dependente desta ferramenta.

No último domingo, o Patriots fez algumas chamadas duplas de jogadas defensivas e usou muitas variações nas movimentações, principalmente de seu front seven, para passar uma leitura inicial diferente da que seria utilizada na jogada. O resultado disto não foi nada positivo para Goff e o ataque do Rams no último Super Bowl. Este é um questionamento que envolve vários fatores que incluem até mesmo a capacidade de Jared Goff de improvisar e ler defesas por si mesmo. Neste ponto, inclusive, as críticas podem se mostrar injustas no futuro caso Goff demonstre que é um QB que pode ter responsabilidades maiores na parte tática do jogo. Entretanto, hoje, o fato é que o QB é dependente de McVay e isto não parece bom em médio prazo, além de ter sido um fator importante para a derrota no principal jogo do campeonato.

Na próxima temporada, Sean McVay vai encontrar um cenário bem diferente em termos de gestão de elenco conforme nos foi detalhando no texto, escrito por Lucas Teixeira, que pode ser acessado neste link. Além de estar em um primeiro momento em que algumas críticas estão surgindo, o HC terá que lidar com algumas limitações impostas pelo Salary Cap, a inevitável perda de alguns jogadores no mercado e as poucas escolhas no próximo Draft.

Algo impressionante na NFL é a sua capacidade de adaptação. É constante a evolução nos esquemas, jogadas, treinamentos e tudo que envolve o jogo em si. McVay trouxe coisas novas e surpreendeu a liga por duas temporadas. Contudo, como era de se esperar, os treinadores estão se adaptando. O brilhante plano de jogo desenhando por Bill Belichick não é algo simples ou comum a todos, porém os principais conceitos utilizados e muitos outros detalhes desta partida certamente serão exaustivamente estudados pelas equipes.

É válido reafirmar que as qualidades de McVay são incontestáveis e estamos muito longe de, por conta de uma derrota, deixar de reconhecer um talento singular como este. No entanto, em 2019, McVay vai precisar mostrar outras capacidades que vão além das relacionadas a uma mente ofensiva brilhante. O treinador precisará lidar com algumas críticas, com a perda de peças importantes e a necessidade de buscar caminhos diferentes dos que vinham sendo empregados com sucesso até aqui. Na próxima temporada veremos do que Sean McVay é formado!


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