segunda-feira, 18 de junho de 2018

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A intertemporada da NFL é dividida em diversos grupos de atividades nas quais os jogadores participam com seus times. A mais importante são as OTAs, acrônimo para Organized Team Ativities (Atividades Organizadas da Equipe, em português), período te treino não-mandatório que abrangem um período de 9 semanas e estão em suas fases finais neste momento. Falando em fases, as atividades são divididas em três:

Na primeira fase, que abrange as primeiras duas semanas, as atividades são limitadas a melhorar o condicionamento dos jogadores. Ou seja, apenas academia sem nada envolvendo jogo. Fora isso, os jogadores se reúnem com os técnicos para estudar o livro de jogadas que será utilizado na temporada. Isso é o mais próximo de futebol americano que acontece nesse tempo. São 4 horas por dia de atividades durante esse período.

A segunda fase, entre as semanas 3 e 5, as coisas começam a ficar um pouco mais interessantes. Agora os jogadores podem ir para campo com os técnicos, porém com a limitação de que não podem haver treinos com um jogadores contra os outros. Então, por exemplo, um recebedor não poderá estar sendo marcado em um treino de rotas. As atividades continuam com a duração de 4 horas diárias e essas semanas são importantes principalmente para o ataque, seja no estudo das jogadas, seja no aprimoramento da sincronia entre os jogadores.

A terceira fase (últimas 4 semanas) é a mais importante das OTAs, pois os jogadores agora podem fazer alinhamentos de ataque contra defesa, porém sem tackles ou bloqueios, tudo com velocidade e intensidade baixas. Além disso, as ombreiras ainda ficam de fora desses treinamentos. Nesse momento os técnicos aplicam o maior nível de repetições possível de jogadas, para que os atletas as absorvam e dominem ao máximo.

Entre o draft e o início da pré-temporada, com exceção de jogadores se envolvendo em problemas extra campo ou se machucando, a grande maioria das notícias da liga são em relação às atividades organizadas. Especialmente quando atletas optam por não participar destas atividades que, lembrando, são não-mandatórias. E esse ano estamos cheios de notícias do tipo, com ausências como de Aaron Donald, Tom Brady, Rob Gronkowski, Earl Thomas, David Johnson, Julio Jones e Le’Veon Bell. Mas afinal, isso é preocupante para a temporada dos times? Sim e não.

Primeiramente, as atividades organizadas são importantes para a temporada por uma série de razões. A principal delas é revisar todo playbook com os jogadores, tando ofensivamente quanto defensivamente, alinhando chamadas de jogadas, rotas, coberturas, formas de comunicação. Ou seja, deixar o time preparado e com a melhor sintonia possível para os jogos. Além de revisar tudo o que os jogadores já conheciam (caso a comissão técnica se manteve) esse período serve para implementar novas filosofias, esquemas e conceitos. Já com uma comissão técnica nova a importância aumenta exponencialmente.

Além disso, esse período serve para que a sinergia entre os jogadores seja aprimorada. Temos jogadores novos, sejam contratados na janela de transferência ou calouros, além de muitas vezes uma nova comissão técnica no comando. Desenvolver o relacionamento pessoal entre todas estas partes é crucial para a formação da equipe. Ter um quarterback em sintonia com seus recebedores é importante, mas ter um  vestiário “fechado” com jogadores com bom relacionamento e companheirismo também é.

Fora tudo isso, essas 9 semanas também são ótimas para que os treinadores avaliem tanto a condição física dos jogadores (novos ou veteranos) quanto busquem talentos para compor o time. Sendo a profundidade no elenco uma preocupação que praticamente todos os técnicos possuem, identificar atletas promissores para fechar o plantel ajuda muito, seja para utilizar em rotação no elenco ou para suprir alguém em caso de lesão.

Para calouros ou jogadores novos a participação nas atividades organizadas é crucial. Se o time está com uma comissão técnica nova, a importância é maior ainda. Esse é o período para criar a sintonia entre os jogadores e técnicos, criar laços de amizade e companheirismo e principalmente aprender o livro de jogadas do time. Nestas condições, a não participação destas atividades pode atrasar em muito a evolução do time e prejudicar a temporada.

Mas isso não é um problema para todos. Tom Brady e Rob Gronkowski trabalham com Bill Belichick há anos. Nesse caso não existe essa necessidade de aprender o esquema de jogo, pois estes jogadores já o sabem e podem facilmente absorver as mudanças. Já Aaron Donald e Earl Thomas, por exemplo, estão entre os melhores em suas posições e o fato de não estarem presentes em OTAs não terá impacto em suas performances em campo. E você acha que alguém irá se importar com a ausência de Le’Veon Bell nas atividades se ele correr para 100 jardas e marcar um touchdown na semana 1 da temporada? Tudo será esquecido. Para jogadores neste nível, por mais que as atividades organizadas sejam interessantes, não são nem de longe cruciais.

 

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