domingo, 25 de agosto de 2019

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Na decisão mais surpreendente da década e uma das mais surpreendentes do século na NFL, Andrew Luck, quarterback do Indianapolis Colts e vencedor do prêmio de Comeback Player of The Year em 2018 (prêmio dado ao jogador que deu a melhor “volta por cima” no ano), anunciou sua aposentadoria dos campos de futebol americano. A notícia dada pelo insider Adam Schefter e confirmada pelo Indianapolis Colts e pelo próprio jogador.

Segundo Luck, ele estaria desgastado emocionalmente, vivendo uma vida diferente da que gostaria e isso lhe tirava o prazer de jogar. Luck já informou o dono do time Jim Irsay e concedeu entrevista coletiva no sábado a noite.

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A notícia chocou o mundo da NFL, pois Luck, de apenas 29 anos, vinha de uma temporada ótima com o jovem time de Indianapolis e tinha perspectiva de brigar para chegar mais longe na pós-temporada de 2019, após um longo período sem jogar devido a uma cirurgia no ombro. Em 2018, Luck lançou para 4593 jardas, com 67,3% de passes completos e 39 touchdowns (atrás apenas do MVP Patrick Mahomes) com 15 interceptações. Após um início ruim, foi ao wild card, venceu o rival de divisão Houston Texans e sucumbiu no Arrowhead Stadium frente ao Kansas City Chiefs no Divisional Round.

Luck jogou futebol americano universitário em Stanford, universidade conhecida pelo desempenho acadêmico e sempre foi conhecido pelos scouts pelo braço forte e preciso e processamento mental de nível muito avançado, diferente da maioria dos quarterbacks universitários. Há um consenso entre a maioria dos analistas que Luck, juntamente com Peyton Manning e John Elway eram os três jogadores da posição de quarterback mais preparados para o jogo profissional ao fim de suas carreiras no futebol americano universitário. Curiosamente, todos eles foram draftados pelo Colts, sendo que Elway não chegou a jogar pelo time.

Assim que chegou na NFL, Luck fez com que Peyton Manning, um dos melhores quarterbacks da história da liga e quatro vezes MVP até aquele momento, fosse dispensado pelo Indianapolis Colts, time que o escolheu em 1998. Luck chegou na liga e teve impacto de imediato, como esperado, sendo selecionado ao Pro Bowl em suas três primeiras temporadas, chegando a final da conferência e liderando a liga em touchdowns em 2014.

Em 2015, começou a sofrer com um problema no ombro, fruto de anos de negligência em sua proteção por parte dos treinadores e diretoria do Indianapolis Colts que simplesmente ignoraram o fato de que a linha ofensiva não conseguia proteger seu quarterback. Também contribuiu para as lesões, o constante heroísmo de Luck, que raramente tinha medo de tackles e pancadas de defensores quando escapava do pocket para ganhar jardas com as pernas. Com o ombro baleado e uma linha ofensiva em frangalhos, o time de Indianapolis nunca mais voltou a jogar bem como em 2014, e Luck passou a perder jogos constantes por conta do ombro.

Após passar quase todo 2016 jogando visivelmente com limitações físicas, Luck finalmente operou o ombro e passou a temporada de 2017 se recuperando, com Jacoby Brissett assumindo o posto de titular. Com um time problemático e sua pior estrela fora da temporada, Chris Ballard, general manager do Indianapolis Colts aproveitou a fraca campanha para remontar o time pelo draft, acumulando escolhas e tentando resolver o problema no elenco de apoio a Luck. Em 2018, com a volta de seu quarterback titular, a reconstrução de Ballard deu resultado e o time fez uma campanha animadora com um elenco bem jovem e Luck foi o “Comeback Player of The Year”.

Assim como sua chegada, sua saída da liga também é impactante, sendo a notícia mais importante da intertemporada da NFL desde que o próprio Indianapolis Colts desistiu de Peyton Manning para draftá-lo. Luck desiste de mais de 50 milhões de dólares restantes no contrato para se aposentar aos 29 anos, idade onde normalmente os quarterbacks caminham para seu auge físico e mental. Sem contar que com o aumento do teto salarial, Luck certamente seria o mais bem pago da liga em sua próxima renovação de contrato.

Com um elenco jovem e em plena evolução, esperava-se que Luck fosse levar o talentoso time a brigar pelo título da conferência americana e provar estar recuperado da lesão que o atormentou. Entretanto, os anos de descaso de alguns antigos técnicos do Colts custaram a Luck sua saúde física e mental. Com dores constantes e muito barulho quando ficava de fora de alguma atividade do time, Luck simplesmente achou melhor terminar a carreira do se desgastar mais com o jogo que tanto amava.

Um dos quarterbacks mais promissores que já chegaram na NFL, Luck tinha potencial enorme que foi atrapalhado por lesões e encerra uma carreira que caminhava para seu auge, em um momento inesperado e que talvez, não se presenciava desde a aposentadoria de Michael Jordan, em 1993. Luck fará muita falta para o Indianapolis Colts, mas fará muita falta também para o futuro da liga e aos fãs que gostam de um jogador de extrema qualidade.

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