quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

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Prestes a estrear nos playoffs e embalado pelo 5º título seguido da AFC Oeste com o Denver Broncos, o WR Demaryius Thomas já mostrou ser um dos melhores da NFL em sua posição, mas além disso ele tem outro grande motivo para comemorar. Quando ainda era uma criança de 11 anos, o atual camisa 88 da equipe de Denver viu sua mãe e padrasto serem presos dentro da própria casa, mas em novembro, depois de mais de 15 anos, ela foi liberada e finalmente conseguiu dar um abraço em seu filho. Além disso, no domingo, contra o Pittsburgh Steelers, a mãe dele finalmente vai assistí-lo em um estádio pela primeira vez.

Pois bem, no dia 16 de novembro, o atleta do Broncos escreveu uma carta com o título “For Mamma” para a The Players Tribune”, um espaço onde os jogadores da NFL, NBA, NHL e MLB podem escrever sobre variados assuntos ligados aos esporte que praticam. Abaixo vamos passar os trechos mais emocionantes da declaração, mas se você quiser ler tudo o que ele escreveu, pode entrar aqui e conferir, em inglês, as palavras de Thomas.

O pequeno Demaryius Thomas morava com sua mãe, seu padrasto e sua avó em um bairro com estradas sem asfalto e pessoas sem muito dinheiro. Para sobreviver, as mulheres da casa começaram a vender drogas dentro de um trailer ao lado da casa e com o tempo o garoto foi percebendo a situação verdadeira. Elas sempre me disseram para ficar longe do trailer. Eu sabia o que estava acontecendo e sabia que minha avó comandava a operação, mas eu fingia que não sabia e agia como se nada estivesse acontecendo. Elas estavam fazendo o que achavam que deveriam fazer para sobreviver”, escreveu o atleta em uma das partes da carta.

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Katina Thomas foi mãe aos 15 anos de idade, por essa pequena diferença entre ela e o filho, os dois costumavam brincar juntos durante os dias: “Nós costumávamos jogar basquete e apostar corridas no jardim o tempo todo”. Tudo parecia normal na medida do possível na casa do pequeno Demaryius, até um fatídico dia que ficará marcado para sempre na memória do jogador: “Certo dia eu disse a minha mãe que algo terrível iria acontecer, mas ela falou que ficaria tudo bem. Poucos meses depois eu ouvi o barulho mais alto da minha vida. Eram sete horas da manhã, um pouco antes do horário que eu ia para a escola, quando os policiais arrombaram a porta da minha casa e foram em direção ao quarto de minha mãe. Ela implorou para me levar até o ponto de ônibus pela última vez, ali eu me dei conta que ficaria um bom tempo sem vê-la. Nós fomos até lá e ela se despediu com um beijo na minha bochecha”.

A partir daquele momento, Thomas se tornou praticamente um órfão, já que o seu pai era militar, sua mãe, avó e padrasto estavam presos: “Eu fui para a casa naquele dia e pensei sobre o que fazer para tomar conta das minhas irmãs. Prometi a mim mesmo que iria conseguir uma bolsa em uma faculdade para ter um diploma e cuidar da minha família”, foi assim que o garoto de 11 anos conseguiu o seu primeiro emprego: ajudante em fazendas das redondezas: “Eu acordava às seis da manhã para puxar o milho e ervilhas, e precisava fazer isso tudo antes do horário da escola. Eu tinha apenas duas opções na vida: o jogo da droga e o jogo do milho, eu só não queria estragar a minha chance de entrar para uma faculdade”.

A situação era difícil para ele: “Eu não tinha muito. Se a casa estivesse pegando fogo eu não tinha nada para tentar salvar, talvez apenas um par de sapatos e algumas calças. Eu era solitário, costumava chorar todas as noites. Mesmo depois que entrei para a NFL, ainda chorava pensando na minha mãe, pensando que ela nunca seria libertada da prisão”. Como todos nós sabemos, mãe é mãe, e isso não era diferente para o atleta: “Nenhuma quantia de dinheiro, nenhuma quantidade de fama, nenhuma quantidade de qualquer coisa seria capaz de substituir a minha mãe”.

Durante todo esse tempo, a mãe de Demaryius Thomas nunca viu ele entrando em campo para jogar futebol americano, não viu a formatura do garoto na escola, nem quando ele entrou para a faculdade de Georgia Tech e muito menos quando o Denver Broncos selecionou o atleta na primeira rodada do Draft de 2010: “Eu sabia que ela estaria orgulhosa de mim”, declarou o WR em sua carta.

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No verão de 2015, chegou a notícia de que 46 infratores da legislação antidrogas seriam liberados da prisão, e Katina Thomas era uma delas. Seu filho Demaryius finalmente pôde comemorar: “Ela passou anos escrevendo Thomas e um número 88 com uma caneta preta em seu uniforme cinza. Ela me viu jogando o Super Bowl em 2013 pela televisão na prisão, Quando eu recebi a notícia, me dei conta que ela iria me assistir pela primeira vez e estaria sentada na arquibancada com uma camisa laranja verdadeira do Broncos”.

O final dessa história é bem feliz. A mãe dele saiu da prisão no início do mês de novembro, mas ela ficou impedida de viajar por dois meses, então Demaryius teve que esperar mais um pouco para que Katina o assistisse na arquibancada do estádio: “Isso não importa. O que realmente importa é que vou abraçar minha mãe novamente. Eu posso falar com ela a qualquer momento agora, não preciso mais esperar uma chamada, é uma coisa pequena, mas significa muito. Temos nos falado muito, ela disse que ainda quer apostar corrida comigo e ainda acha que pode me vencer. Nós temos um monte de coisas para fazer e recuperar o tempo perdido, mãe”. Finalizou Thomas na carta aberta para a “The Players Tribune”.

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