segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

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Concordamos em discordar que há um equilíbrio tangente e singular dentro da NFL. Ao mesmo tempo que há vários anos existe um time que fica em último lugar em sua divisão mas ressurge no ano seguinte rumo ao título da mesma nos diz que a possibilidade de reviravolta é intensa e mais, sempre está no horizonte para um time que vai mal na temporada. Se manter no topo por tanto tempo em uma liga regida por teto salarial e que “premia” times ruins com a chance de recrutar os melhores atletas amadores para mudar o rumo da franquia também colaboram para isto, mas há uma certeza anual que nos rege.

Por praticamente duas décadas há uma constante em toda a NFL. Uma única certeza acerca de qual rumo a temporada regular irá tomar e com isso a sorte de uma equipe nos playoffs está praticamente definida, aconteça o que acontecer. O New England Patriots de alguma maneira ressurge após uma temporada regular no mínimo questionável – mas mesmo assim capturando o título da AFC Leste apenas para destruir o Los Angeles Chargers (que teve doze vitórias na temporada regular e treze se contarmos a vitória contra o Baltimore Ravens no Wild Card) para lembrar o restante da NFL que qualquer chance de título passa primeiro pela mão do QB Tom Brady e a mente do QB Bill Belichick, discutivelmente o melhor combo QB – HC da história.

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O ressurgimento no último final de semana marcado pela confortável vitória por 41 x 28 marcou a oitava temporada consecutiva em que o Patriots estará na final de conferência da AFC – um fato até então impensável que relega à pensarmos se realmente a NFL é marcada pela paridade que algumas pessoas tanto pregam. Ainda se pensarmos que, este atual time é o menos talentoso em décadas e que nos fizeram pensar que finalmente seriam eles meros mortais que caíram de desempenho é um fato que salta aos olhos. Agora, estão a sessenta minutos de mais um Super Bowl para sua rica história.

Olhando a temporada regular, o desempenho foi, se não há outra palavra, estranho. Derrotas antes inimagináveis para Jaguars, Lions e Titans por um placar combinado de 51 pontos não denotaram que a equipe poderia alçar vôos que eram rotineiros em temporadas anteriores. Vitórias “feias” como contra o Buffalo Bills liderado pelo QB Derek Anderson com menos de duas semanas para aprender o plano de jogo também deram a toada de como poderia ser esta temporada para os comandados de Belichick, e que finalmente uma mudança de poderes dentro da AFC poderia estar acontecendo.

A partida contra o Los Angeles Chargers, que com treze vitórias na temporada regular era um dos times a ser batido – defesa potente, jogo terrestre equilibrado, QB veterano e grandes recebedores normalmente significam a fórmula de uma equipe que pode sonhar com o título máximo da temporada, correto? Somemos isto ao fato do Chargers ter tido oito vitórias em oito jogos “fora de casa”, incluindo uma partida em Londres em que era mandante do duelo denotava que eram verdadeiros guerreiros longe de seus domínios – e que poderiam destronar o império construído ao longo de praticamente duas décadas, certo?

Errado.

Naturalmente, o Chargers foi obliterado pelo plano de jogo do Patriots que, se conhecido por todos é igualmente difícil de ser parado. A vantagem confortável de 35 x 7 obtida antes do intervalo apenas nos mostrou que esta equipe sabe a hora certa de “chutar a porta” e apresentar um desempenho fenomenal na parte mais importante da temporada, e isto é um aviso para o resto da NFL. Foram quatro TDs nas quatro posses iniciais do primeiro tempo que construíram a vantagem de 28 x 7. No primeiro punt da equipe já perto do intervalo, o Chargers colaborou ao sofrer um fumble na tentativa de retorno que posicionou o Patriots já território adentro para o TD que praticamente colocou um ponto final no embate mesmo antes do intervalo.

A vantagem que esta franquia tem para todas as outras, se não parece eterna, não dá indícios de queda em nenhum momento – seja qualquer jogador talentosos saindo de lá. É uma mistura de inevitabilidade com surpresa olharmos a formação dos playoffs e olharmos o antes cambaleante Patriots parecer invencível com vários atletas desconhecidos e questionáveis com um tal Tom Brady recebendo o snap já adentrando os 40 anos de idade. As estatísticas desta era Brady e Belichick no Patriots são dignas de videogame, se bem que nem mesmo nas plataformas virtuais nós chegamos tão longe em um desempenho fenomenal:

  • A equipe está 20 – 3 atuando em casa nos playoffs;
  • São 13 aparições no AFC Championship Game em dezoito temporadas;
  • São dez títulos consecutivos da AFC Leste;
  • Nove folgas consecutivas nos playoffs (que indica a classificação como cabeça de chave #1 ou #2);
  • OITAVA aparição consecutiva no AFC Championship Game;
  • 16 títulos de divisão em 17 temporadas.

Surreal.

Se pensarmos apenas no jogo do título da AFC, o recorde de Belichick (8-4) representaria simplesmente a melhor porcentagem de aproveitamento de qualquer técnico principal ativo da NFL. Sei que a amostra é pequena se comparado à técnicos que construíram carreiras longínquas e duradouras dentro da liga, mas é estarrecedor pensarmos o quão vencedor este time é – e que muitas vezes não damos o devido valor simplesmente por termos nos acostumado a isso.

A partida contra o Kansas City Chiefs pelo título da AFC no próximo domingo é o que espera os comandados de Brady e cia. As casas de aposta já colocam o Patriots como azarão contra Patrick Mahomes e seus comandados, afinal 50 passes para TD e mais de 5000 jardas aéreas na temporada regular saltam aos olhos dos analistas e denotam que este ataque é simplesmente impossível de ser parado. Para você que não se lembra, o Patriots já venceu o Chiefs nesta temporada lá na semana 6, o que denota que a partida tende a ser bastante disputada, mas cá entre nós, era o que esperávamos deste Chargers e Patriots dominado amplamente pelos mandantes.

A esperança de quem torce pela troca de poderes na AFC? Brady está 0 – 3 atuando fora de casa desde a temporada de 2003 no AFCCG, quando venceu Peyton Manning e o Colts em Indianapolis. Todas as três derrotas foram para times liderados pelo próprio Manning (Colts em 2007 e Broncos em 2013 e 2015) mas dentro de uma coluna tão robusta de vitórias em todas as categorias possíveis, analisar que Brady não vence um jogo fora de casa nesta época há quinze anos é um alento para os mais críticos à esta mudança de paradigma que Mahomes tentará construir no próximo domingo.

Do contrário, será a nona aparição de Belichick e Brady no jogo máximo da temporada. O longínquo técnico Andy Reid e o garoto Patrick Mahomes tentarão evitar isto com um ataque aéreo potente e armas ofensivas espalhadas por todo o campo. Jason Kelce, Tyrekk Hill, Sammy Watkins e muitos outros atletas, mas honestamente não me atrevo a dizer que seriam os favoritos neste jogo.

Na pós-temporada, tudo passa pelo QB Tom Brady. Isto é um fato.

Concorda?


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