segunda-feira, 30 de março de 2020

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Todos os anos após o Super Bowl, a mídia especializada em futebol americano bombardeia os canais de comunicação com clichês sobre franquias ou jogadores. Frases como “jogador X está em sua melhor forma”, “franquia Y prepara para se reconstruir em volta de jogador X” ou “franquia Z deve usar o tank para draftar o quarterback W” são notícias que geralmente aparecem em nossas redes sociais nessa época do ano. Mas afinal, o que é “tank” e “reconstrução (rebuild)”?

 

 

 

 

Vamos começar alertando sobre os termos. A reconstrução de uma franquia é um termo que pode ser utilizado em qualquer esporte. Times que venceram muito após determinado período, que tiveram um jogador muito impactante que foi embora, ou mesmo que investiu em um elenco que não deu o resultado esperado, costumam praticar a reconstrução, como o Arizona Cardinals e o Carolina Panthers, recentemente na NFL, ou o Real Madrid e o Manchester United, no futebol europeu, o primeiro após a saída recente de Cristiano Ronaldo e o segundo num passado mais distante com a saída do treinador Alex Ferguson.

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A reconstrução trata-se de renovar os ares, dar uma refrescada no ambiente. Já o termo “tank” é um pouco diferente. Você pode reconstruir usando o “tank”, mas nem toda reconstrução é “tank”. Até um tempo atrás, não era usual falar de tank no mundo do futebol americano. O “tank” e comum e funciona geralmente no mundo do basquete e do beisebol americano. NBA e MLB são mais familiarizadas com o tank que a NFL. O “tank” é basicamente perder de propósito em campo para ganhar uma escolha alta no Draft do ano seguinte.

Como na NFL a rotatividade é alta e a durabilidade das carreiras de jogadores é extremamente curta e volátil, dificilmente você vai ver jogadores entrando em campo e concordando com o “tank” idealizado por um gerente geral de uma franquia. O que os gerentes fazem para possibilitar o “tank” é trocar seus melhores jogadores por escolhas de Draft. Com um time visivelmente pior, perder jogos é uma missão menos complicada. Com teto salarial sobrando pro próximo ano, capital de Draft acumulado e escolhas no começo das rodadas, o “tank” está completo e o projeto de reconstrução começa no ano seguinte, para revitalizar a franquia.

Nem sempre o “tank” ocorre como planejado. As vezes jogadores considerados piores e colocados pra jogar querem mostrar serviço para fazerem parte da renovação implantada na equipe e jogam a vida em cada jogo. Somado a isso, um dia ruim do adversário pode resultar em algumas vitórias, “estragando” a estratégia da franquia.

Temos exemplos claros nos últimos anos para serem analisados. Projetos de reconstrução de Chris Ballard no Indianapolis Colts, ou os mais recentes de Steve Keim no Arizona Cardinals e de Marty Hurney no Carolina Panthers são exemplos de times que chegaram a finais de conferência ou no Super Bowl nos últimos anos e tiveram que se reinventar. Os projetos em Indianápolis e no Arizona parecem estar dando certo e prometem um futuro próximo animador.

Já no ano passado, o #TankForTua foi quase unanimidade entre os fãs do Miami Dolphins, que sofre há anos com times ruins e quarterbacks medianos. O time trocou seus melhores jogadores o escolhas de Draft na primeira rodada, deixou jogadores saírem na free agency e começaram a todo vapor o projeto. Mas Ryan Fitzpatrick ativou seu modo “Fitzmagic” e venceu jogos no restante da temporada e o time ficou apenas com a quinta pior campanha. A sorte foi que Joe Burrow fez uma temporada magnífica no futebol americano universitário e Tua Tagovailoa sofreu uma lesão seria e caiu nas avaliações do Draft, tornando possível sua escolha.

Hoje em dia, a torcida que mais pede pelo “tank” é a torcida de New England, que após a saída de Tom Brady, quer concentrar esforços para ter a escolha número 1 em 2021 para escolher o quarterback de Clemson, Trevor Lawrence. O #TankForLawrence é popular nas redes sociais, mas não passa de imaginação. O time de New England ainda tem o melhor técnico da história do jogo e o atual melhor defensor da liga, além vários outros jogadores ótimos. Mesmo com as saídas, o momento em New England é apenas de renovação e reconstrução, mas o time é muito bem treinado e deve ganhar alguns jogos, mesmo com Cody Kessler, Brian Hoyer e Jarrett Stidham lançando as bolas este ano.

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