terça-feira, 23 de abril de 2019

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O draft de 2015 foi marcado pela dicotomia criada entre os apoiadores de Jameis Winston e os de Marcus Mariota. Quatro temporadas se passaram e ambos ainda geram dúvidas para as suas respectivas franquias de que se realmente são o que as equipes esperavam nas escolhas 1 e 2 daquele draft.

Ambos tiveram carreiras universitárias muito boas e mostravam traços muito similares aos de grandes QBs da liga, mas o que leva os dois a ainda não serem a solução de problemas, mas sim, a criação de novos para sua comissão técnica?

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Vindo da universidade de Florida State, Jameis Winston desde cedo mostrava sinais de que poderia ser um ótimo jogador entre os profissionais. Um braço forte, boa precisão, uma liderança pouco vista entre os jogadores de college, além da sua principal característica: ser decisivo nos momentos em que o time mais precisava.

Não à toa Jameis terminou sua carreira em FSU com vinte e sete vitórias e apenas uma derrota, levando consigo o troféu Heisman de 2013 e o título nacional do mesmo ano. Título esse que foi conquistado à moda Winston: um drive de 80 jardas para TD com 75 segundos no relógio.

Todavia, já no college, o ex seminoles mostrava alguns sinais de preocupação, tais como problemas de tomada de decisão, imprecisão em passes considerados fáceis e no período pré draft surgiram algumas histórias sobre seu comportamento indevido fora de campo. Uma dessas histórias mais recentes gerou uma suspensão de três jogos para Jameis na última temporada da NFL.

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Enquanto Winston jogava contra as fortes defesas da ACC, Mariota orquestrava seu rápido e explosivo ataque na conferência da costa oeste. Um ano de 2014 espetacular colocou o havaiano na mira de inúmeros times, mas foi o Tennessee Titans, de forma até surpreendente, que selecionou o prospecto.

Com um estilo diferente ao de Jameis, Marcus trabalhava em um ataque spread – recebedores mais espalhado pelo campo, tentando achar espaços pelas combinações de rotas, além das jogadas saírem fundamentalmente da formação shotgun – muito característico do college football. Esse estilo ofensivo favorece muito o quarterback, deixando algumas de suas falhas camufladas. Dessa forma, era difícil apontar falhas claras no jogo do QB, uma vez que um release rápido e com precisão fazia com que boa parte das jogadas dessem certo, ainda que não fossem muito exigidos passes em janelas apertadas ou leituras complexas de jogadas, coisa que Mariota teve problemas ao chegar à NFL.

Na temporada de 2014 em que ganhou o Heisman e liderou o Ducks aos playoffs após ganhar a PAC-12, Mariota e Winston tiveram seu primeiro encontro. A semifinal do college daquele ano foi tão esperada, ou mais, que a própria final, visto que ver os dois principais QBs em um momento crucial, no que seria o último jogo universitário para um deles e a chance do outro se sagrar campeão e subir na caminhada para ser a primeira escolha geral. Foi nesse jogo que aconteceu a única derrota de Jameis Winston em toda sua carreira em Florida State.

O fato de Mariota ter sido derrotado na final certamente influenciou para uma não queda tão grande de Winston por suas questões dentro de campo e fora dele que estavam sendo expostas. Chegou o draft e o ex seminoles foi o 1 geral, enquanto o ex Ducks foi o 2.

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Por ironia do destino, os dois vieram a se esbarrar novamente em seus primeiros jogos como profissional. Novamente Mariota sagrou-se vencedor, tendo uma excelente atuação, com 4 passes para touchdown – talvez sua melhor atuação com a camisa do Titans.

Na liga, ambos vêm sofrendo com constantes mudanças de treinador, o que é extremamente ruim para jogadores jovens e que necessitam de desenvolvimento. Os dois tiveram bons flashes do que podem fazer como jogadores da franquia, entretanto, a falta de consistência coloca um ponto de interrogação sobre os dois e mostra que essa temporada será fundamental para a permanência ou não como os signal callers titulares.

Mariota precisa urgentemente melhorar sua precisão, sobretudo em janelas apertas, que é onde grandes QBs aparecem. Além disso, sua taxa de passes para TD é muito baixa, tendo lançado somente 11 na última temporada e passando para mais interceptações do que touchdowns em 2017. O havaiano ainda segue o hype pela vitória contra o Chiefs nos playoffs em que lançou um TD para si mesmo, mas a paciência da torcida está diminuindo e até esse lance icônico vai ser esquecido se continuar jogando mal. Ainda, o jogador sofreu com problemas de lesão em todos os anos, perdendo jogos e desfalcando sua equipe.

Já Winston precisa de vitórias. Com um time pouco talentoso à sua volta desde sua temporada de calouro, Jameis necessita mostrar que valeu a escolha mais importante do draft de 2015. Interceptações ridículas e passes que ninguém entende devem parar de acontecer. Um novo HC vai comandar a equipe da Flórida, o lendário Bruce Arians, e pode ser esse o combustível que faltava para Winston reencontrar o bom jogo, pois Arians é especialista em QBs e para sair da aposentadoria e aceitar esse trabalho, ele tem algo em mente. Porém, o fato de jogar em uma das divisões mais disputadas da NFL não ajuda o jovem jogador, dando, desse modo, um caminho de recuperação mais difícil para si que o de Mariota.

Sendo assim, lanço uma pergunta: qual dos dois terá a temporada de consolidação como o franchise QB que suas franquias tanto necessitam?

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