segunda-feira, 13 de maio de 2019

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Continuando as análises e avaliações sobre as melhores e mais valiosas escolhas de cada round do NFL Draft desse ano, chegamos ao terceiro dia do evento, que supreendentemente ainda contava com alguns nomes inesperados disponíveis no board, jogadores que ao longo do processo eram muito bem cotados, mas caíram na avalição dos times.

Vale a ressalva de que para tratar uma escolha como boa ou não, deve-se levar em consideração a altura e momento em que ocorre, se foi em uma posição posterior, anterior ou de acordo com aquilo que era esperado e projetado para o jogador, tomando como base sua amostragem no College e sua projeção e expectativa de atuação para chegar na NFL. Avaliar o prospecto e principalmente o valor da escolha não é uma tarefa simples, tendo que se ter em mente que, no geral, a resposta concreta sobre isso somente será obtida ao longo dos anos.

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Leia Também: As Melhores e Mais Valiosas Escolhas do 3º Round do Draft 2019

Vamos conferir então, conforme minha avaliação, algumas das melhores e mais valiosas escolhas realizadas no início do terceiro dia de Draft, já na quarta rodada do evento:

Pick 103 – WR Hakeem Butler, Iowa State – ARIZONA CARDINALS

Precisando adicionar mais profundidade ao seu raso corpo de recebedores, que de confiança, contava basicamente apenas com o incrível veterano Larry Fitzgerald, o Cardinals abriu a quarta rodada draftando Hakeem Butler, mesmo após já ter selecionado o wide receiver Andy Isabella na segunda rodada, deixando nítido a necessidade de atacar essa opção.

Butler era tido por muitos analistas como um talento top 5 de sua posição nessa classe (não por mim), mas que certamente poderia ter saído no segundo dia de Draft, diante de seu talento e principalmente potencial. Jogador muito alto, que mostra boa habilidade e capacidade de fazer recepções contestadas, assim como de ser um recebedor vertical, com velocidade até interessante pelo seu grande tamanho. Possui problemas de agilidade e mudança de direção, fato que limitou seu sucesso com algumas rotas no College, mas deve trabalhar principalmente no seu release, pois mostrou muita dificuldade com press coverage, situação que será ainda mais comum de se enfrentar na NFL.

Tem muito potencial e a capacidade de criar matchups favoráveis desde o seu primeiro dia na liga, com todas as ferramentas atléticas e físicas para se desenvolver como um “X receiver” ou mesmo trabalhar como uma opção de “big slot receiver”. De todo modo, tem tudo para proporcionar um ótimo retorno ao Arizona e vir a se tornar um dos alvos favoritos de Kyler Murray.

WR Hakeem Butler – Arizona Cardinals

Pick 105 – DB Chauncey Gardner-Johnson, Florida – NEW ORLEANS SAINTS

Na minha opinião, essa foi uma das quedas mais inconcebíveis do Draft desse ano, Gardner-Johnson era cotado para o início do segundo dia e esteve disponível até esse ponto, ocasião em que o Saints aproveitou, realizou uma troca, subiram, gastando um pouco mais de seu já reduzido capital de Draft, a fim de garantir o jogador.

Trata-se de um atleta extremamente versátil e competente em tudo que faz, retratando bem o papel que um safety moderno deve executar na NFL. Consegue ir bem na cobertura e jogar eventualmente como safety profundo, tendo a velocidade para se jogar até a sideline e fazer as jogadas, seja interceptando ou dando um “big hit”, impedindo a recepção. Da mesma forma como consegue ser bastante sólido no box, se aproximando da linha de scrimmage, e até fazendo blitz para cima do QB, assim como ajudando a parar o jogo terrestre.

Em 2018 atuou muito mais no papel de nickel, como um slot corner, cobrindo bem essa área do campo, de forma competente seja contra tight ends ou wide receivers. Não tem o quadril tão fluído ou mesmo uma boa capacidade para espelhar rotas, mas compensa na fisicalidade, devendo procurar ser mais consistente e regular, sobretudo com seus níveis de concentração e atenção, para afastar de vez até mesmo alguns problemas com tackle e finalização de jogadas, algo em que o jogador já conseguiu elevar o patamar de 2017 para a última temporada.

Pick 108 – CB Julian Love, Notre Dame – New York Giants

Mais um bom jogador que caiu um pouco além do esperado, mas que tem justificativas muito mais plausíveis para isso, há de se ressaltar. Embora seja um ótimo jogador, com boa produção no College, principalmente no que diz respeito a encontrar a bola, muito físico e que vai muito bem, sendo extremamente eficiente, na cobertura homem a homem, Love sofre vários questionamentos quanto ao seu jogo e a projeção para o próximo nível.

O jogador não é tão alto, além do que sofre um pouco com sua velocidade e fluidez, levantando muitas dúvidas sobre sua sobrevivência fora de esquemas que potencializem suas principais forças. Apesar disso, é uma boa aposta que chega para um papel complementar nessa nova secundária que será remontada, tendo um potencial grande de se tornar um sólido e produtivo jogador para o Giants.

Pick 115 – EDGE Christian Miller, Alabama – CAROLINA PANTHERS

O Panthers selecionou a essa altura o seu segundo Edge rusher/OLB no Draft 2019, fato absolutamente compreensível para um time que necessitava realmente de muita ajuda e uma renovação no setor, após a aposentadoria do futuro Hall da Fama, Julius Peppers. Ao menos no papel, a equipe conseguiu, podendo ter encontrado nessa escolha mais um bom nome, de potencial, além do ótimo Brian Burns, selecionado na primeira rodada.

Miller foi reserva praticamente durante toda a carreira em Alabama, tendo a oportunidade de começar a jogar como titular apenas em 2018, ainda assim por somente 4 jogos (lesões também o atrapalharam). Não à toa que conseguiu a partir disso ter, de longe, sua melhor produção, com 8,5 sacks. Mesmo diante desse cenário de utilização é e foi bastante elogiado pelo comportamento e ética de trabalho, inclusive por Nick Saban. Tem um bom band, contornando o arco com certa flexibilidade, de maneira interessante e usando muito bem suas mãos, tanto com punchs, como trabalhando na técnica e sua colocação.

Trabalha de maneira similar com 2 ou 3 apoios, não tendo um grande first step, mas compensando na “segunda marcha”. Alia o uso das mãos com o seu tamanho, valendo frisar o fato de possuir braços gigantes e, por conseguinte, uma grande envergadura, bem utilizada para estabelecer o primeiro contato (strike timing). Não possui uma âncora tão forte, podendo sofrer um pouco mais no jogo terrestre quando não consegue se impor através dos braços, carecendo de mais trabalho e desenvolvimento nesse ponto, assim como no seu entendimento e leitura de jogo, até pelo fato de não ter atuado tantos snaps assim. Se bem trabalhado e aproveitado, pode vir a dar muito frutos para a equipe do Carolina.

OLB Christian Miller, em ação ainda por Alabama

Pick 116 – S Amani Hooker, Iowa – TENNESSEE TITANS

Escolha muito interessante e consistente, como foi basicamente todo o Draft realizado pela esquipe do Titans, fato já bem repercutido por aqui, inclusive em texto (https://bit.ly/2PSm7b9). O jogador tem como principais características o seu QI de futebol e a capacidade de ler e brincar com os olhos dos QBs durante as jogadas, com um ótimo poder de reconhecimento das rotas ofensivas, de maneira a conseguir fazer ajustes muito rápido, com ótimo processamento mental.

Chega muito bem no box, não se omite contra o jogo terrestre e tem uma boa capacidade e técnica de tackle, só precisando tomar um pouco de cuidado com a agressividade além da conta. A questão de seus atributos físicos, algumas vezes levantada como ponto de questionamento, ficou em segundo plano e foi um pouco afastada pela sua apresentação nos testes do combine, mostrando que o jogador tem sim a capacidade atlética para exercer múltiplas funções na secundária conforme o seu tape já demonstrava.

Chega para o time que com boa possibilidade de contribuir desde o início e em várias funções, fato a se valorizar demais diante de uma escolha de quarta rodada que tem tudo para se mostrar “barata”, com o desenvolvimento e evolução do jogador.

Pick 126 – WR Riley Ridley, Georgia – CHICAGO BEARS

Com um capital de Draft extremamente limitado, em razão de trocas passadas que os deixaram com poucas escolhas nesse ano, era de suma importância para o Bears encontrar valores em suas seleções mais altas, ainda que mais tardias. Foi justamente o que a equipe conseguiu aqui, draftando Ridley nesse ponto do processo.

É um jogador visivelmente talentoso, de potencial, mas que não demonstrou ou desempenhou nem metade ainda, seja pela forma/esquema de Georgia, que o subutilizou, seja por ainda não ter desenvolvido por completo seu conjunto de habilidades. No tape, não se observa uma grande árvore de rotas pelo jogador, mas dá para observar seu refinamento, cuidado e técnica naquelas em que executa, sendo essa, talvez, sua principal característica e o que leva a pensar que tal fato não será um problema no próximo nível. Da mesma maneira, não produziu muitas YAC, mas não foi colocado em situações favoráveis para tanto, sendo valorizável ainda o fato de quebrar tackles e “lucrar” muito mais do que o esperado em muitas jogadas.

Tem boas mãos, bom ball skills e capacidade para bater e fintar os marcadores de várias formas. Ainda assim, a falta de velocidade e principalmente explosão levanta alguns questionamentos sobre a sua melhor forma de utilização, porém, há de se destacar que o jogador consegue ir bem e ser competente no tanto no outside, como quando flutua para o meio do campo e alinha como slot. Mesmo não sendo um grande atleta, sua técnica e refinamento são fatores que levam a crer que pode ter sucesso na NFL e vir a desempenhar um papel complementar importante para o ataque de Chicago.

WR Riley Ridley anotando TD para Georgia.

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