quarta-feira, 29 de maio de 2019

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Eis que chegado o momento de finalizar à série de análises e avaliações sobre as melhores e mais valiosas escolhas de cada round do NFL Draft desse ano, com uma visão sobre as duas últimas rodadas do evento, que recém completado um mês da realização, já parece fazer parte de uma realidade muito mais distante do que sua própria data sugere.

Nas escolhas de late round, deve-se ter em mente que os times estão buscando, na maioria das vezes, valores com a capacidade de contribuir nas equipes especiais ou grandes atletas, literalmente, que embora ainda não sejam bons jogadores, têm os atributos físicos e ferramentas necessárias para, se bem desenvolvidos, tornarem-se um. Óbvio, que prospectos com valor e capacidade de contribuição imediata são sempre os alvos e ainda são passíveis de serem draftados, mas a tarefa a essa altura é bem mais complicada.

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Como dito em todo esse processo, há de se destacar que para tratar uma escolha como boa ou não, deve-se levar em consideração não somente a altura e momento em que ocorre, mas também se foi em uma posição posterior, anterior ou de acordo com aquilo que era esperado e projetado para o jogador, tomando como base sua amostragem no College e sua projeção e expectativa de atuação para chegar na NFL. Avaliar um prospecto e principalmente o valor de uma escolha de Draft não é uma tarefa simples, tendo que se ter em mente que, no geral, a resposta concreta sobre isso somente será obtida ao longo dos anos e diante de múltiplos fatores que vão além do campo propriamente dito, como ambientação a cidade, envolvimento das comunidades, esquemas de jogo e o momento em que cada jogador chega para uma franquia, com responsabilidade e expectativas que podem influenciar diretamente no sucesso ou insucesso para um jovem atleta.

Sem mais delongas, vamos então para as últimas cartadas do Draft 2019 que podem gerar e causar muito barulho, além do esperado, se não imediatamente, em algum momento no futuro:

Pick 178 – 6ª Rodada – QB Gardner Minshew, Washington State – JACKSONVILLE JAGUARS

Não é um steal ou a chance de ter pego um quarterback que pode se desenvolver no futuro da franquia, mas um jogador que pode despontar e se mostrar como um bom backup para a posição no futuro, função que ganha cada vez mais valor na liga. Minshew está física e atleticamente abaixo do esperado, porém possui uma boa mobilidade no pocket e capacidade de estender as jogadas, com um braço que se não é tão forte, cumpre bem com o seu papel dentro do esquema que jogava e atendia.

Quem viu Washington State jogando em 2018 pode perceber o quão divertido pode ser o jogo com esse jogador. Óbvio que as leituras, tomada de decisão e precisão são aspectos a serem evoluídos, mas é algo natural para esse nível.

QB Gardner Minshew, com seu imponente bigode.

Pick 181 – 6ª Rodada – S Jaquan Johnson, Miami (FL) – BUFFALO BILLS

Jogador que no início do processo de Draft chamava atenção, mas foi caindo bastante, muito devido ao seu fraco desempenho em 2018. Não sou um fã e admirador, mas confesso que nesse ponto do recrutamento sua escolha é válida e interessante. Tem uma dinâmica interessante, é físico, bem agressivo e joga com uma mentalidade/paixão que chama atenção no tape. Bate forte, tem uma técnica e capacidade de tackle razoável e capacidade de chegar rapidamente na linha de scrimmage, apesar disso, não possui uma composição corporal de acordo com suas melhores características, sendo “pequeno” e ainda assim não tão bom e eficaz na cobertura quanto o esperado, carecendo de ball skills e capacidade de fazer grandes jogadas nesse ponto.

Pode contribuir muito, já no início, em times especiais e talvez até entrando em alguns pacotes específicos, até pela sua experiência no College, porém ainda há um caminho a ser percorrido para mostrar o equilíbrio e regularidade esperado para um Safety da NFL.

Pick 188 – 6ª Rodada – LB David Long, West Virginia – TENNESSEE TITANS

É um jogador que foi extremamente produtivo no College, mas não conseguiu mover muitas atenções no processo do Draft e é cercado de várias desconfianças, principalmente pelo seu tamanho, porém tem a capacidade de estar em campo nas três descidas, o que é muito valorizado para um linebacker e pode ser um diferencial para que o jogador ganhe espaço no seu novo time, além de boa velocidade e movimentação lateral. Será um contribuinte imediato nos times especiais até se desenvolver e poder mostrar que pode jogar na NFL e ajudar e produzir de modo similar que em sua carreira universitária.

Pick 192 – 6ª Rodada – DT Isaiah Buggs, Alabama – PITTSBURGH STEELERS

Atleta que passou dois anos atuando nas ligas JUCO antes de chegar e ser titular nos últimos dois anos por Alabama, conseguindo uma produção interessante, especialmente quando alinhado como EDGE rusher, embora nitidamente o seu melhor e esperado ajuste para o próximo nível seja no interior da linha defensiva, porém tendo em mente que sua estrutura e compactação física permitem essa versatilidade e a possibilidade de alinhá-lo praticamente por toda a linha defensiva.

Seus testes físicos abaixo, principalmente com relação a agilidade e explosão, levantaram alguns questionamentos, assim como a habitual desconfiança que circunda alguns jogadores que vêm de Crimson Tide, se são produtos apenas do ótimo e eficiente sistema, além do fato de terem companheiros de altíssimo nível para contribuir e auxiliar na sua produção. O fato é que Buggs se move melhor do que os números sugerem, tem um bom uso das mãos e pode ser eficiente na NFL, inicialmente dentro de um papel rotacional, talvez, porém com a capacidade de buscar mais espaço e elevar seu jogo, principalmente se conseguir ser mais consistente e regular em todos os snaps, ponto que em também sempre foi alvo de críticas.

DT Isaiah Buggs em ação ainda por Alabama

Pick 194 – 6ª Rodada – RB Dexter Williams, Notre Dame – GREEN BAY PACKERS

Foi efetivamente titular apenas um ano, em 2018, ainda assim com jogos reduzidos, mas de modo produtivo, afastando a ideia de que não poderia ter um papel maior do que um rotacional de modo efetivo. Jogador de visão muito boa saindo do backfield, aliando paciência para o desenvolvimento dos bloqueios com aceleração/explosão suficiente para atacar o GAP, porém há de se ressaltar, que no segundo nível sua visão é bem comum, não tendo o jogador uma boa tomada de decisões nessa área. Tal característica de corte e aceleração vai ao encontro daquilo que o Packers busca com o novo esquema de bloqueios e corridas implementado pelo seu novo Head Coach, Matt LaFleur.

É um bloqueador decente, mas que ainda tem um caminho a percorrer e evoluir nesse aspecto do jogo. Não teve uma grande amostragem recebendo passes, mas mostra que pode cumprir o papel, desde que aprimore e evolua nas rotas. Com bom equilíbrio corporal, “corre baixo”, não é tão poderoso quebrando tackles, mas absorve bem o contato e consegue dar seguimento as jogadas. Imprimir um ritmo muito bom quando alimentado, sendo essa uma grande virtude, sentindo-se bem e tornando-se perigoso com esse estilo de jogo. Certamente terá seu espaço como jogador rotacional, já no início, tenho ainda o potencial para vir a assumir um papel maior. Nem mesmo os problemas extracampo que esteve envolvido, episódios com droga e arma de fogo, foram capazes de fazer que o atleta não fosse draftado.

RB Dexter Williams, a mais nova arma do ataque do Packers

Pick 206 – 6ª Rodada – WR Kelvin Harmon, NC State – WASHINGTON REDSKINS

Durante todo o processo Pre-Draft Harmon era tido por muitos analistas como top 5 da posição de wide receiver (não comungo dessa opinião) e caiu de uma maneira surpreendente até o sexto round. Embora os testes físicos, sobretudo o seu Combine, não tenham sido positivos, confirmando preocupações que já existiam sobre velocidade, agilidade e explosão, tal fato não justifica essa queda, pois o jogador tem os atributos necessários para se tornar um bom valor.

Tem um bom polimento e versatilidade na árvore de rotas, trabalhando muito bem no meio do campo, com mãos seguras e uma boa capacidade de fazer recepções contestadas, algo que por si só, já o torna no mínimo uma opção segura como recebedor ball possession. Demonstra um bom QI de futebol, acima da média e ainda ajuda o jogo terrestre como um bloqueador efetivo. Ótimo ajuste indo para o Redskins, onde com o atual corpo de WRs não deve ter dificuldade em ganhar espaço e ir se sedimentando como um jogador importante para o ataque.

WR Kelvin Harmon

Pick 211- 6ª Rodada – RB Rodney Anderson, Oklahoma – CINCINNATI BENGALS

Imagine conseguir draftar o jogador mais habilidoso e poderoso de uma skill position apenas na sexta rodada? Foi o que o Bengals conseguiu aqui com Anderson, mas devemos ir com calma na escolha e ressaltar o porquê de ter sido possível escolher o atleta a essa altura.

Inicialmente, cumpre falar que se trata de um jogador muito forte, que corre com poder e impressiona bastante pela quantidade de tackles quebrados. Possui uma excelente visão de jogo, talvez sua melhor característica, sendo paciente o suficiente para aguardar a OL fazer o seu trabalho e atacar o gap certo no melhor momento, sem hesitação e com poder. Tem um ótimo trabalho de pés, principalmente levando em conta o seu tamanho, mantendo-os ativos e conseguindo excelentes cortes, com movimentação fluida. Outro ponto que impressiona é seu equilibro, corre mantendo bem o centro de gravidade baixo, o que proporciona, além da força, que quebre tantos tackles e ganhe constantemente mais jardas do que o que a jogada apresenta.

Embora pudesse ter sido mais utilizado nesse ponto, é um bom recebedor, mostrando ótimos flashs tanto saindo do backfield (principalmente), quanto alinhando poucas vezes como WR. É muito perigoso em espaço aberto e difícil de ser parado. Os principais pontos fracos do jogador são a proteção ao passe, onde constantemente luta demais, tendo dificuldade, assim como sua durabilidade, esta última a grande questão por trás de Anderson, uma vez que o jogador teve duas graves lesões, incluindo um rompimento de ACL no início da temporada de 2018. Não fosse por isso, fatalmente teria sido um dos primeiros jogadores da posição a ser chamado.  Dessa maneira, perdeu muito tempo de jogo, ficando apenas com uma temporada completa de experiência no College, fato que também pesa e há de ser levado em consideração. Apesar disso, a possibilidade de retorno é altíssima levando em consideração o capital de Draft demandado para pegar um jogador desse quilate, o que faz com que a escolha seja tão boa e extremamente válida, podendo revelar-se uma barganha nos próximos anos.

Pick 217- 7ª Rodada – CB Kris Boyd, Texas – MINNESOTA VIKINGS

Mais um caso em que a queda do jogador é motivo de muita surpresa, ainda mais levando em consideração ter sido draftado apenas na última rodada. Boyd chega para atuar na NFL junto seu antigo companheiro em Texas, Holton Hill (caso as suspensões permitam que isso seja possível) e ser mais uma opção dando boa profundidade ao já qualificado corpo de cornerbacks do Vikings. Um dos mais produtivos de sua posição na Big XII em 2018, teve impressionantes 15 passes desviados e possui um teto elevado de desenvolvimento, com capacidade de dar um retorno altíssimo para uma escolha de último round. Bela escolha.

CB Kris Boyd

Pick 234- 7ª Rodada – RB Myles Gaskin, Washington – MIAMI DOLPHINS

Jogador altamente produtivo ao longo de seus quatro anos atuando pelo Huskies, onde provou que era e foi capaz de liderar um backfield, apesar de seu pequeno tamanho e porte físico. Ainda assim, na NFL deverá encontrar um papel rotativo para contribuir com o ataque, mas ainda assim de modo efeito, pois tem ótima visão, equilíbrio, correndo com o centro de gravidade baixo e uma capacidade interessante de absorção do contato, ainda mais para seu tamanho. Por mais que a rotatividade e fungibilidade da posição de running back seja uma realidade na liga, encontrar um jogador com capacidade de produção e um teto de desenvolvimento na última rodada de Draft é sempre interessante.

RB Myles Gaskin

Pick 242- 7ª Rodada – DT Cortez Broughton, Cincinnati – LOS ANGELES CHARGERS

A amostra e quantidade de tapes do jogador é limitada, pelo menos para mim, evidentemente, mas fiquei extremamente intrigado e empolgado com tudo o que vi desse jogador, até por isso imaginava que seu nome fosse chamado mais cedo. Não tem o tamanho ideal, mas oferece o que hoje é mais valorizado pela NFL na posição, capacidade de penetração e possibilidade de estabelecer o pass rush no interior da linha. Tem um ótimo primeiro passo e muita força para dominar GAPs, principalmente o A-GAP, com uma velocidade acima da média e constantemente utilizada para bater Centers e Guards.

Tem que melhorar contra o jogo terrestre, onde apresenta algumas dificuldades de saída de bloqueios, assim como no uso das mãos, fator que lhe possibilitaria ser ainda mais perigoso e efetivo. Até por isso, dá para enxergar seu teto de desenvolvimento muito alto e com uma excelente capacidade de retorno para um jogador escolhido aqui. Evidente que o nível de competição enfrentado foi um fator que pesou na avaliação e realmente deve ser considerado, mas se o jogador conseguir mostrar que isso não era um fator, o Chargers estará muito feliz com essa escolha, que trará uma importante profundidade em sua linha defensiva.

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