segunda-feira, 14 de março de 2016

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É chegada a hora de os times da NFL irem às compras, é chegada a hora da Free Agency – o mercado de contratações da NFL! Iremos aqui trazer como surgiu a ideia de fazer acontecer a Free Agency e quais foram as piores e melhores contratações desde que ela foi instituída no calendário anual da liga.

Toda vez que escrevo sobre esse mercado da NFL, gosto de lembrar que ele não é nem de perto o meio ideal de construir um time – esse meio é o Draft -, até porque a Free Agency está recheada de veteranos em busca de um bom último contrato, pensando muito mais em serem pagos que em fazer valer o que vão receber. Claro que essa é uma análise geral e há várias exceções que confirmam a regra. Por que um time deixaria um excelente jogador ir embora? Muitas vezes o cara não é mais o mesmo ou está “velho” demais ou ainda vem sofrendo com lesões. Algumas vezes tudo isso junto. O jogador é colocado no mercado e algum time desesperado aparece e paga milhões no atleta pelo que ele foi e não pelo que será. Muito cuidado com a Free Agency! Dá para melhorar seu time nela? Através de contratações pontuais sim. Construir um time gastando muito aqui não é o melhor plano.

Dito isso, muitos sistemas já existiram na NFL e o mais antigo determinava que os jogadores ficavam basicamente presos ao seu time até se aposentarem. Também houve um sistema semelhante ao da MLB – o “reserve”-; testaram ainda o sistema “Plan B”, em 1989. Nele, cada time segurava 37 jogadores do seu elenco e todos os outros eram Free Agents. Em 1993, os donos dos times cederam aos desejos dos jogadores e aceitaram a Free Agency desde que houvesse um teto salarial para manter o equilíbrio entre os times – o famoso salary cap. E foi assim que chegamos ao sistema que temos hoje em pleno funcionamento na NFL. Sendo assim, vamos às piores e melhores contratações da história da Free Agency, ou seja, de 1993 para cá:

MELHORES CONTRATAÇÕES

Reggie White (Defensive End) – Green Bay Packers (1993)

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Sim, senhor! No primeiro ano de existência da Free Agency já temos uma grande contratação que trouxe excelentes frutos para o time que resolveu colocar a mão no bolso e investir, nesse caso o Green Bay Packers. O contrato? U$ 17,2 milhões por 4 anos. A chegada de Reggie White pôs fim aos tempos difíceis do Packers e ele respondeu em campo muito bem, ajudando o time liderado pelo Quarterback Brett Favre a chegar ao Super Bowl na temporada de 1996 e levar para casa o Lombardi Trophy. Em seis anos por lá, ele marcou a história e carregou aquela defesa com grandes números: 68.5 sacks e 14 fumbles forçados, além de 239 tackles. Em 1998, foi eleito o melhor jogador de defesa da liga e, quando se aposentou, entrou para o Hall da Fama do esporte.

Deion Sanders (Cornerback) – San Francisco 49ers (1994)

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O lendário Cornerback ficou apenas um ano em San Francisco, mas que ano! Teve direito a Super Bowl, prêmio de melhor jogador de defesa do ano e, é claro, colecionou bons números com seis interceptações em 12 jogos e três touchdowns. Lembra muito a história anterior da contratação do Reggie White: um jogador de destaque para a defesa, complementando um ataque que já tinha um grande QB – Steve Young era o cara do 49ers – e tudo isso resultando em conquista de Super Bowl. No ano seguinte, Sanders foi para o Cowboys, mas dessa parte o torcedor do 49ers certamente não quer lembrar.

Kurt Warner (Quarterback) – Arizona Cardinals (2005)

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O Arizona Cardinals antes dele nunca tinha sequer chegado ao Super Bowl. E após ele nunca mais voltou ao palco principal da NFL. Kurt Warner deixou o New York Giants para integrar o elenco do time do Arizona e tentar fazer história por lá. Não foi possível vencer o primeiro Super Bowl com a franquia, mas ele conseguiu ao menos levar o time a disputar um. Foi o Super Bowl XLIII, da temporada 2008, vencido pelo Pittsburgh Steelers – e foi um dos melhores de todos os tempos. Em 5 anos jogando pelo time do deserto, Warner lançou para mais de 15.000 jardas, completando mais de 65% dos seus passes e marcou 100 TDs. Certamente uma contratação que torcedor nenhum se arrepende.

Drew Brees (Quarterback) – New Orleans Saints (2006)

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Temos uma dobradinha de excelentes contratações de QBs Free Agents, algo não muito comum nos dias de hoje já que os times fazem de tudo para segurar seus QBs titulares. Para o Drew Brees ir parar no mercado algumas coisas importantes aconteceram: o San Diego Chargers, time dele na época, tinha Philip Rivers, selecionado em 2004 e, já no fim da temporada de 2005, Brees sofreu uma lesão no ombro. A comissão técnica do Chargers fez a sua escolha e o Saints se beneficiou ao contratar um dos grandes QBs da história. E o detalhe é que Drew Brees era um bom QB em San Diego, mas nada de outro mundo, porém, ao chegar em New Orleans, ele quebrou inúmeros recordes, venceu prêmios, conseguiu números monstruosos em campo, venceu a NFC e bateu o Colts no Super Bowl XLIV, em Miami. Brees é outro QB jogando pelo Saints e é, fácil, uma das – senão a melhor – melhores contratações da história da NFL. Ainda duvida? Se liga nos números do cara: Em dez anos no Saints, lançou para 48.555 jardas, 68% dos passes completos e 348 TDs.

Peyton Manning (Quarterback) – Denver Broncos (2012)

Denver Broncos quarterback Peyton Manning holds his jersey with Broncos vice-president John Elway in Englewood

Mais um grande QB no mercado, mais uma situação excepcional, bem rara de acontecer. Em 2011, Peyton Manning não jogou nenhum jogo durante a temporada após passar por uma séria cirurgia no pescoço que teve como efeito colateral um problema nos nervos do seu braço, interferindo na força do seu lançamento e precisão. Ninguém sabia se voltaria a jogar bem. Naquele ano, o Colts teve a pior campanha de toda a liga e, por isso, ficou com a primeira escolha no Draft de 2012. Lá selecionaram o melhor QB – conforme apontavam a maioria dos analistas – desde… Peyton Manning. O Colts não podia segurar o Manning e deixar de escolher Andrew Luck no Draft, pois estava em processo de reconstrução e isso faria Peyton jogar o resto de sua carreira em um time despreparado para vencer rapidamente. Então, o Colts ficou com o futuro da franquia, iniciou sua montagem de elenco e liberou Manning para jogar no time que escolhesse e pudesse competir imediatamente por Super Bowl. Por toda essa série de eventos, mais um grande QB chegou ao mercado e o Broncos não perdeu tempo para convencer o lendário atleta a assinar um acordo. Em Denver, Manning venceu a AFC Oeste nos 4 anos em que esteve por lá e não só quebrou, mas passou o trator no recorde de Tom Brady de mais TDs em uma temporada – foram 55 – e participou de dois Super Bowls, onde foi derrotado em 2013 por uma das maiores defesas da história e venceu o Carolina Panthers em 2015. Inegável que o Broncos fez a coisa certa e que a evolução de Tim Tebow para Manning foi uma coisa de outro mundo. O time passou de ter como meta chegar aos playoffs para ter como meta o Super Bowl todos os anos.

PIORES CONTRATAÇÕES

Deion Sanders (Cornerback) – Washington Redskins (2000)

deion sanders redskins

Para começar, duas coisas devem ser observadas aqui. Sanders consegue o feito de ser uma das melhores contratações e uma das piores na mesma lista; além disso, o Redskins, time que o contratou, aparece por três vezes na lista dos piores nomes já assinados – isso demonstra um péssimo faro histórico na Free Agency. Foram U$ 53 milhões de dólares e 7 anos de contrato para um cara de 34 anos! Isso não ia dar certo. E não deu mesmo. Sanders jogou apenas um ano dos sete e seguiu rumo à aposentadoria – voltaria a jogar quatro anos depois pelo Ravens. Não se engane com relação ao Cornerback, apesar desse fracasso retumbante no final da carreira, foi um dos grandes da posição na história.

Shaun Alexander (Running Back) – Seattle Seahawks (2006)

shaun alexander

Esse caso aqui é, na realidade, uma renovação de contrato, mas não deixa de se encaixar aqui nos termos já que ele recebeu um acordo de milhões, anos de contrato e não rendeu o esperado lá em Seattle. Alexander entrou na NFL em 2000, selecionado pelo próprio Seahawks e jogou recebendo os valores acertados em seu primeiro contrato como calouro até 2005. Seu desempenho nesses anos sempre foi excelente, bem acima da média – exceto em 2000, sua primeira na NFL. Correu para pelo menos 1100 jardas por temporada e, no mínimo, 14 TDs por ano de 2001 até 2005, e foi justamente em 2005, seu último ano com o primeiro contrato, que ele foi o MVP da temporada esbanjando números avassaladores – 1880 jardas e 27 TDs. Chegava a hora de renovar o contrato do Running Back astro do time e então foi aí que a franquia pensou: RB monstruoso ano após ano, nunca se lesionou, atual MVP: Vamos oferecer 62 milhões por 8 anos de contrato que não tem erro, certo?

Errado. Em 2006, lesionou o pé, perdeu seis jogos e, quando voltou, seus números ficaram bem aquém do que ele já tinha feito na carreira. No ano seguinte, caiu mais; sua média de jardas por corrida que já tinha sido de 5.1 chegara a modestas 3.5; as jardas totais que já tinham atingido o patamar de 1880, minguavam ao ponto de conseguir 716 jardas; touchdowns então caíram de 27 em 2005 para 4 em 2007. Definitivamente, não foi o contrato mais rentável que a franquia já assinou. O jogador acabou dispensado em abril de 2008.

Adam Archuleta (Safety) Washington Redskins (2006)hi-res-71710458_crop_north

Um bom atleta de secundária que o Redskins coloca o olho, ofereceu um contrato e, mais uma vez, a contratação não é boa para o time da capital. Sete anos e 30 milhões de dólares são os termos do acordo entre o jogador e a franquia, mas esse valor nem de perto é retornado em benefícios para a defesa do time no campo de jogo. Pior, nem foi bem no campo nem fora dele.

Ele iniciou a temporada como titular, mas ao jogar abaixo do que podia foi para o banco e daí em diante só fez reclamar. Após mais e mais reclamações de que o time e sua comissão técnica não sabiam usá-lo bem no campo, o Safety foi trocado para o Chicago Bears. Poderia ficar em Washington por sete anos, mas durou apenas um ou metade de uma temporada – a outra estava no banco reclamando.

Javon Walker (Wide Receiver) – Oakland Raiders (2008)

javon walker

Inconstante! Seja por lesão ou por queda de desempenho em campo. Essa foi a carreira do recebedor Javon Walker. Um grande ano, uma lesão, um bom ano, uma lesão, assina com o Raiders após vir de lesão no Broncos e não rende como o time de Oakland sonhava. A verdade é que pagar U$ 55 milhões por seis anos de serviços de um jogador de 30 anos que já tinha histórico de lesões era um risco desde o início. Durante a temporada, jogou apenas oito jogos até se machucar e colecionou míseras 196 jardas através de 15 recepções. Desempenho ridículo frente ao contrato que lhe tinha sido oferecido. Ainda retornou em 2009 e esteve no elenco em três jogos como reserva. Nada. Nem uma recepção para contar história! Depois disso, o jogador nunca mais jogou na NFL e se aposentou sem chamar a atenção.

Albert Haynesworth (Defensive Tackle) – Washington Redskins (2009)

Albert Haynesworth

A ordem aqui é cronológica e não um ranking do menos ruim ao pior, nem aqui nem na parte das melhores contratações, mas esse aqui cai como uma luva ao final do texto porque é quase unanimamente considerado a pior contratação da história da NFL! A começar – e isso obviamente tem grande peso na escolha – pelo valor pago ao jogador. Incríveis U$ 100 milhões por sete anos, quantia que fez dele o jogador de defesa mais bem pago em toda a história da liga na época. Desempenho fraco e muito criticado logo em seu primeiro ano em Washington. Albert ainda jogou em 2010, mas não como titular, e teve apenas 13 tackles, sua pior marca da carreira até então. Fracasso era visível aos torcedores, imprensa e, claro, ao próprio time. Não restou alternativa senão trocá-lo em 2011 para o New England Patriots.

Quando você troca o até então jogador de defesa mais bem pago de todos os tempos por uma quinta escolha no Draft, meu caro, isso é sinal que sua contratação foi digna de risos por parte dos rivais e merecidamente eleita por muitos a pior de todas. Haynesworth fecha a trinca de jogadores contratados pelo Redskins que não deram certo. E não, não foi uma lista de piores aquisições do time de Washington, mas eles conseguiram tal “fantástica” realização – colocando três contratações grotescas em uma lista de cinco – por pura inabilidade na avaliação dos jogadores.

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