quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

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Antes mesmo do início da temporada regular começar a NFL já estava agitada. Os que não costumam acompanhar a liga profissional durante o período sem jogos, podem não saber que existe um período – um tanto quanto insano – onde as franquias fazem grandes contratações e preparam trocas para reforçar os seus respectivos elencos em várias posições. Esse ano tivemos grandes negócios acontecendo durante quase uma semana inteira, alguns receberam mais dinheiro do que deviam e outros foram verdadeiros achados dos times. Caminhando para a reta final da temporada regular, esse é um bom momento para avaliar os negócios feitos antes da bola oval voar oficialmente e bater o martelo para decretar as melhores e piores contratações da NFL em 2015. Separamos os cinco nomes que deram certo logo de cara em suas novas franquias e cinco outros que mal chegaram, mas a torcida já quer ver longe.

AS MELHORES

Chris Johnson (Running Back) – Arizona Cardinals

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Essa, sem dúvida nenhuma, pode ser considerada a melhor contratação do ano. Chris Johnson é um dos poucos RBs da história que conseguiu passar das 2.000 jardas terrestres em uma temporada e teve uma carreira gloriosa defendendo o Tennessee Titans de 2008 até 2014. A saída dele de lá ainda não é muito bem explicada, até então ele nunca tinha tido uma temporada correndo para menos de 1.000 jardas. Após ficar no banco de reservas durante a sua curta passagem pelo New York Jets ano passado, parecia não ter mais espaço na liga profissional para o atleta de 30 anos, ainda mais depois que ele levou um tiro no braço durante a Offseason de 2015. Porém, o Arizona Cardinals resolveu dar uma chance ao RB que um dia foi o melhor da NFL e ofereceu um contrato de um ano no valor de U$2M com quase nada garantido. Inicialmente, Johnson chegou para compor o elenco e entrar em campo caso Andre Ellington, o RB titular, se machucasse – o que vem sendo muito comum nos últimos anos –, e foi exatamente isso que aconteceu. Ele assumiu a titularidade na segunda rodada e desde então, ao lado dos também veteranos Carson Palmer e Larry Fitzgerald, vem sendo um dos grandes responsáveis por transformar o ataque do Cardinals no melhor da NFL. Infelizmente o atleta sofreu uma fratura na tíbia. Ele encerra o ano com 196 tentativas (4º na NFL) para 814 jardas (4º na NFL) e 3 TDs. A torcida é para uma rápida recuperação e uma volta ainda melhor, assim o Cardinals vai poder continuar aproveitando o melhor negócio que fez em 2015.

Brandon Marshall (Wide Receiver) – New York Jets

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Mesmo sendo um dos melhores WRs da NFL nos últimos anos, não existia mais clima para Brandon Marshall continuar jogando pelo Chicago Bears. Percebendo isso, o New York Jets aproveitou a oportunidade para fortalecer o então limitado grupo de recebedores. Caminhando para o final da temporada regular, podemos afirmar com convicção que esse foi um dos melhores negócios da Offseason, e as duas equipes estão colhendo os frutos. A equipe de Chicago recebeu uma escolha de 5ª rodada no Draft de 2015 pelo WR de 31 anos e aproveitou para selecionar o FS Adrian Amos, um dos símbolos atuais da reconstrução da franquia dentro de campo. Já o Jets ganhou um excelente atleta para a posição que está mostrando tudo aquilo que sempre fomos acostumados a ver. Até aqui, em 11 partidas, são 71 recepções, 931 jardas recebidas (6º na NFL) e 9 TDs (2º na NFL empatado). Além disso, Marshall passou de 100 jardas recebidas ou recebeu para 1 TD em 10 jogos da temporada. Olhando para o rendimento do jogador, é difícil acreditar que teve gente falando que a negociação seria uma furada.

DeAngelo Williams (Running Back) – Pittsburgh Steelers

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Após se lesionar ano passado e ver Jonathan Stewart assumindo de vez a titularidade, o maior RB da recente história do Carolina Panthers teve que buscar um novo lar para a temporada de 2015. Ele nunca foi aquele atleta que vai ultrapassar as 1.000 jardas terrestres todo ano, mas, graças a sua velocidade e força para quebrar tackles, foi extremamente importante para a equipe que defendeu. Em 2014, faltou muito pouco para o Pittsburgh Steelers chegar mais longe nos playoffs. A equipe perdeu para o Baltimore Ravens na primeira semana da pós-temporada, mas se viu impossibilitada de contar com o grande RB Le’Veon Bell, que estava machucado. Para evitar esse dilema em 2015 e ser o titular nos dois primeiros jogos do ano – Bell estava suspenso –, a franquia ofereceu um contrato de 2 anos no valor de U$4M, com U$1,3M garantidos, para DeAngelo Williams. Foram 127 jardas terrestres contra o Patriots na primeira rodada e 77 jardas com 3 TDs pelo chão contra o 49ers na semana seguinte. Com a volta do titular, o veterano de 32 anos foi para o banco de reservas e fez pequenas participações nos jogos. Porém, com uma nova lesão de Bell na semana 8 contra o Cincinnati Bengals, Williams se tornou o principal responsável pelas carregadas do time até o fim da temporada, e está dando conta do recado muito bem. Em 11 partidas nesse ano (4 como titular), são 115 tentativas, 563 jardas terrestres e 6 TDs para ele, nada mal para um RB que chegou apenas para servir como plano de emergência.

Tyrod Taylor (Quarterback) – Buffalo Bills

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De 2009 até 2014, o Buffalo Bills testou sete nomes diferentes para a posição de QB, mas nenhum deles conseguiu chegar perto de botar um fim na seca de 15 anos sem ir aos playoffs. Pensando em finalmente resolver o problema na posição mais importante do futebol americano, a franquia ofereceu um contrato de 3 anos no valor de U$3,3M, com U$1,1M garantidos, para um atleta que era reserva do Baltimore Ravens desde que entrou na NFL e não tinha nenhuma partida como titular na carreira. A ideia tinha tudo para dar errado, mas ao observar Tyrod Taylor em campo esse ano parece que o Bills pode começar a sonhar em jogar na pós-temporada. Cuidando muito bem da bola e conseguindo jardas com as pernas em situações de pressão, o QB mostrou ser confiável e encaixou perfeitamente no sistema ofensivo da franquia. Ele não participou de duas partidas na temporada devido a uma lesão, mas nos outros 9 em que foi titular ele soma 1.960 jardas aéreas, 14 TDs, apenas 4 INTs, um aproveitamento de 66% nos passes, 56 tentativas de corrida para 290 jardas e 2 TDs. É difícil e ainda muito cedo para afirmar que Taylor é o futuro da posição, mas podemos facilmente colocá-lo como uma das melhores contratações de 2015.

Kurt Coleman (Free Safety) – Carolina Panthers

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Kurt Coleman nunca foi um jogador de muito destaque na NFL, mas é um caso de atleta bastante útil para fazer parte da rotação principal das secundárias da NFL. Selecionado na 7ª rodada pelo Philadelphia Eagles em 2010, o FS foi titular em 2011, 2012 e, em 2014, se transferiu para o Kansas City Chiefs. No ano passado, Coleman teve bons números se considerarmos que ele não era o dono da posição, mas a franquia resolveu não renovar e ele ficou livre para buscar uma nova equipe. Buscando um nome para ajudar na secundária, o Carolina Panthers ofereceu um acordo de 2 anos no valor de U$2,8M, com U$600 mil garantidos para ele. Sem muita badalação, o FS assumiu a titularidade e, ao lado de Josh Norman, Charles Tillman e Roman Harper, ajudou a transformar a defesa no grande pilar da franquia e é um dos principais motivos para a invencibilidade da equipe em 2015. Nas 11 partidas que fez até agora, Coleman soma 57 tackles, 1 sack, 7 passes desviados, 5 INTs (2º na NFL empatado) e 1 TD. Pelo impacto de imediato, o jogador pode ser considerado um dos grande achados do Panthers na Offseason e um dos grandes negócios da temporada.

AS PIORES

Byron Maxwell (Cornerback) – Philadelphia Eagles

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O defensor passou quatro temporadas jogando pelo Seattle Seahawks e atuou ao lado de Richard Sherman, Earl Thomas, Kam Chancellor e fez parte da badalada “Legion of Boom”. Aproveitando o bom momento da carreira – duas aparições seguidas em Super Bowls -, Maxwell recebeu uma proposta de 6 anos e U$63M, sendo U$25M garantidos, do Philadelphia Eagles para ser a nova peça de confiança na secundária da equipe comandada por Chip Kelly. Porém, pelo que vem mostrando dentro de campo esse ano, fica claro o quanto ele era ajudado pelos companheiros de Seahawks. Em 11 jogos como titular até aqui, o CB soma apenas 1 INT e 7 passes desviados. Pelo valor depositado em sua conta, a franquia esperava bem mais do que isso. Além disso, Maxwell está sendo engolido pelos recebedores que enfrenta e não demonstra nenhum sinal de melhora. Brandon Marshall (NYJ), Calvin Johnson (DET), Julio Jones (ATL) e Willie Snead (NO) são alguns dos WRs que tiveram grandes dias quando enfrentaram o CB. Pelo caminhão de dinheiro gasto pelo Eagles e atuações de Maxwell, essa merece ser considerada a pior contratação da temporada.

Sam Bradford e Nick Foles (Quarterbacks) – Philadelphia Eagles e St. Louis Rams

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A troca que agitou os primeiros minutos do mercado da NFL em 2015 tinha alguns bons motivos para dar certo, mas até agora está sendo só decepção. Sam Bradford foi eleito o calouro ofensivo do ano em 2010, mas desde então conviveu com lesões que encurtaram o seu tempo dentro de campo. Nick Foles foi selecionado em 2012 para ser o reserva de Michael Vick, acabou tomando a posição em 2013 e teve um ano espetacular, mas ano passado mostrou o seu verdadeiro futebol americano e provou ser um pouco inconsistente na posição. O Philadelphia Eagles recebeu Bradford e uma escolha de 5ª rodada no Draft de 2015. Enquanto o St. Louis Rams ganhou Foles, uma escolha de 4ª rodada em 2015 e outra de 2ª rodada em 2016, além disso, a franquia renovou o contrato do atleta por 2 anos no valor de U$24,5M, com U$13,8M garantidos, antes mesmo dele entrar em campo. O novo titular do Eagles disputou 9 jogos, tem um aproveitamento de 63,9% em passes, 2.297 jardas aéreas, 11 TDs e 10 INTs. Já a aquisição do Rams participou de 10 partidas, possui um aproveitamento de 57,9% nos passes, 1.906 jardas aéreas, 7 TDs, 9 INTs e vem de uma partida horrorosa contra o Cincinnati Bengals. Resumindo a história: as duas franquias poderiam estar bem melhor do que estão hoje e a culpa disso passa pelos QBs. Se fosse para continuar na mesma situação em que estavam antes não precisavam ter feito essa troca. Uma das furadas da temporada, sem dúvida nenhuma.

Dwayne Bowe (Wide Receiver) – Cleveland Browns

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O jogador que um dia já foi considerado um dos bons recebedores da liga profissional, hoje em dia deve considerar uma aposentadoria para o seu próprio bem. Ele fez carreira no Kansas City Chiefs e até ano passado defendia as cores da franquia. Em sue último ano por lá, Bowe fez 15 jogos como titular, mas recebeu 60 passes para apenas 754 jardas e não conseguiu anotar nenhum TD se quer durante a temporada, estatística inaceitável vinda de um WR titular. Mesmo com uma péssima temporada, o Cleveland Browns decidiu dar uma chance ao atleta e ofereceu um contrato de dois anos no valor de U$12,5M, onde U$9M são garantidos para ele. Era esperado que o novo nome suprisse os problemas da equipe na posição, mas o que estamos vendo ao longo do ano é algo BEM longe disso. Nas 11 partidas do ano até agora, o WR só foi relacionado para 5 dessas e soma a incrível – só que não – marca de 3 recepções, 31 jardas recebidas e nenhum TD. Investir no WR foi uma decisão bem errada do Browns, que se pudesse voltar no tempo usaria o dinheiro gasto para arrumar um QB confiável.

Antonio Cromartie (Cornerback) – New York Jets

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Até então considerado um dos bons CBs da NFL, Antonio Cromartie não está nem parecendo o jogador que estávamos acostumados a ver. Após grandes temporadas com o San Diego Chargers e New York Jets, ele foi tentar a sorte no Arizona Cardinals em 2014, onde fez mais uma temporada sólida e conseguiu se manter entre os melhores da posição. Nesta temporada ele voltou para o lado verde de New York com um contrato de 4 anos e valor de U$32M, sendo U$7M garantidos, para formar uma dupla de alto nível com Darrelle Revis, mas até agora só um está mostrando a qualidade esperada. Nos 10 jogos que disputou até agora, Cromartie soma apenas 23 tackles, 8 passes desviados e nenhuma INT, número bem diferentes do que a franquia esperava quando trouxe ele de volta para o time. Além disso, normalmente marcando o WR2 das equipes adversárias, permitiu grandes jogos de Travis Benjamin (CLE), Donte Moncrief (IND), Michael Crabtree (OAK) e Allen Hurns (JAX). Parece que ninguém – tirando os adversários – anda muito feliz com as atuações de Cromartie por lá.

Andre Johnson (Wide Receiver) – Indianapolis Colts

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Se existe um jogador que empolgou os torcedores da nova equipe quando foi contratado, esse cara foi o WR Andre Johnson. É difícil acreditar que um dos melhores recebedores da última década não deu certo no Indianapolis Colts. Com 34 anos de idade, nós sabíamos que ele não é mais nenhum garoto, mas a expectativa sobre o atleta era bem maior. Johnson é o maior WR da curta história do Houston Texans e lá ficou até ano passado, quando um jovem chamado DeAndre Hopkins começou a despontar e fez com que a franquia pudesse se desfazer da maior estrela. Além disso, o veterano já dava sinais de uma queda de rendimento e teve a sua pior temporada da carreira – sem contar com as temporadas em que ficou fora por lesão –, em todas as estatísticas, em 2014. Contratado pelo Colts com um contrato de 3 anos no valor de U$21M, sendo U$10M garantidos, todos esperavam um grande ataque com o WR T.Y. Hilton e o QB Andrew Luck lançando as bolas, mas não é nada disso que ele mostrou. Até aqui, em 11 partidas, Johnson soma apenas 26 recepções, 323 jardas recebidas, 3 TDs e só duas partidas convincentes, contra a ex-equipe na semana 5 (6 recepções para 77 jardas e 2 TDs) e contra o Carolina Panthers na semana 8 (4 recepções para 81 jardas e 1 TD). Após a temporada de 2015, parece claro que a carreira do jogador está chegando ao fim.

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