sexta-feira, 5 de julho de 2019

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O futebol da bola redonda sempre foi visto como uma atividade masculina. Em muitos países, incluindo o Brasil, mulheres foram proibidas de praticá-lo por anos e anos. Essa situação tem mudado completamente nas últimas décadas e alguns países europeus começaram a fazer investimentos pesados no desenvolvimento feminino no esporte mais popular do planeta. A Copa do Mundo de 2019, ainda em andamento, bate recordes de audiência em praticamente todo o mundo.

Quando pensamos em futebol americano feminino, porém, a lembrança mais vivida é a da Lingerie Football League, mais tarde renomeada para Legends Football League, uma trágica lembrança de que mulheres ainda são mais vistas como objeto e decoração do que como pessoas e atletas.

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Apesar disso, quando olhamos para as entranhas das ligas para jovens e de high school do futebol americano, percebemos que há um movimento que indica mudança. Talvez não seja mais tão utópico pensar em mulheres fazendo sucesso em algum momento também no esporte da bola oval.

A primeira constatação pode ser uma surpresa para muitos: a NFL é, em tese, uma liga mista. Não há qualquer restrição de gênero na liga esportiva mais poderosa do mundo. Apesar de nenhuma mulher ter chegado a atuar nela, não é por existir uma proibição ou qualquer coisa do tipo.

Em 2013, Lauren Silberman tornou-se a primeira mulher a tentar oficialmente uma vaga na NFL. Ex-jogadora do futebol da bola redonda na Universidade de Wisconsin, ela participou dos combines regionais, que atraem vários olheiros da liga, como kicker. Dessas atividades já foram revelados talentos como Greg Zuerlein, do Los Angeles Rams.

Silberman fracassou na sua tentativa, mas deixou uma porta aberta. Serviu de inspiração para muitas jovens garotas que, assim como os meninos, têm o sonho de um dia jogar na NFL. A maioria delas atua em posições de pouco contato, como kicker ou punter. Em 2017, K-Lani Nava foi a primeira pessoa do sexo feminino a marcar pontos na prestigiada decisão da liga de high school do estado do Texas.

K-Lani Nava chuta um field goal na decisão do título estadual das high schools do Texas.

O crescimento vai na contramão de um movimento que busca eliminar a prática de futebol americano entre crianças e pré-adolescentes. O número total de participantes nessas categorias caiu 3,5% no total na última década, mas entre as meninas, subiu. Hoje, elas são 1100 de um total de 225 mil. Ainda uma porcentagem muito baixa, porém, maior do que jamais fora.

Histórias como a de K-Lani Nava passam a ser cada vez mais frequentes. Recentemente, Brooke Liebesch  (na foto de capa) foi a primeira mulher quarterback titular de uma high school que disputa competições estaduais em Liberty North, Missouri. E Shelly Osborne, uma linebacker, foi pioneira em atuar no futebol americano universitário em uma posição que não seja de kicker ou punter.

São passos pequenos, é verdade, mas que ajudam a quebrar preconceitos e tradições enraizadas. A resistência à prática do futebol americano por meninas parece diminuir na medida que a luta pela igualdade de gênero alcança porções maiores da sociedade. Com a possibilidade de treinarem e se desenvolverem taticamente, tecnicamente e fisicamente desde cedo, a chance de uma dessas jovens praticantes um dia chegar à NFL se torna um pouco melhor do que mero delírio.

E quanto à Lingerie Football League? Ela tentou tornar-se menos machista em 2013, mudando seu nome para Legends Football League, seu slogan de “a verdadeira fantasia do futebol” para “mulheres do futebol americano” e aumentando um pouco os uniformes. Seu ponto positivo é ser a única liga feminina que paga suas atletas (há algumas outras, como a United States Women’s Football League e a Women’s Football Alliance, em full pads, nas quais não há salários), e o maior ponto negativo é a clara objetificação que gera os lucros.

Os uniformes da Legends Football League cresceram, mas ainda são objetificam o corpo feminino.

Mas de toda forma, o caminho para um futebol americano mais igualitário entre homens e mulheres é o mesmo que foi seguido pelo futebol na Europa: desenvolvimento de atletas desde cedo, práticas conjuntas, pioneirismo para quebrar preconceitos e a aceitação da noção de que esporte não tem gênero.

Ainda pode estar distante o dia no qual veremos uma mulher atuar na NFL, mas aos poucos essa ideia vai sendo melhor assimilada pela sociedade e ficando um pouco mais madura.

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