segunda-feira, 12 de outubro de 2020

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O Indianapolis Colts teve uma boa primeira temporada sob o comando de Frank Reich, mas a aposentadoria inesperada de Andrew Luck limitou as possibilidades da equipe de chegar mais longe em 2019. Diante de uma queda considerável de desempenho de Jacoby Brissett na segunda metade do ano passado, o time resolveu buscar um novo caminho e apostou no veterano Philip Rivers para ser o seu novo signal caller. A relação passada entre quarterback e head coach, dos tempos em que os dois trabalharam juntos no Chargers, trouxe bastante esperança para a torcida de Indianapolis, mas depois de cinco rodadas de Rivers no comando do time, quero analisar até onde o quarterback pode levar essa equipe em 2020.

Apesar de toda a expectativa em cima de Rivers, o começo de temporada do novo quarterback do Colts tem sido bem errático. Logo na estreia contra o Jacksonville Jaguars, quando o Colts era considerado o grande favorito, ele jogou mal e o time, mesmo com belas atuações de Nyheim Hines e Jonathan Taylor, não conseguiu vencer o rival de divisão. Foram dois turnovers do QB, o segundo deles que sacramentou a derrota do time, com apenas 4 minutos restando no relógio e uma diferença de apenas 4 pontos no placar. Inclusive, os minutos finais das partidas tem sido um problema para Philip Rivers já há algum tempo, com ele passado de um bom fechador de jogos, para um passador errático e muito propenso a interceptações nessas situações nos últimos anos.

Nas semanas seguintes as coisas melhoram um pouco para os Colts, com o time conseguindo embalar uma sequência de 3 vitórias. Ajudou bastante o fato de enfrentar o Minnesota Vikings, o New York Jets e o Chicago Bears, com a defesa atuando muito bem e chegando para a semana 5 como a melhor de toda a NFL, como já havia destacado de maneira precisa o Coach Heitor Medeiros nessa bela análise. Mas apesar das vitórias, Rivers não teve nenhuma atuação de gala e mostrou problemas que ficaram ainda mais expostos no jogo contra o Cleveland Browns.

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Para além da Interceptação e do safey nessa partida, Rivers teve pelo menos mais 3 passes que poderiam ter sido recebidos por jogadores do Browns e contou com a sorte para não terminar o jogo com estatísticas ainda piores.

Na análise do jogo é preciso destacar dois pontos que foram chave para a derrota de domingo: a ausência do left tackle Anthony Castonzo e a belíssima atuação da defesa do Cleveland Browns.

Sem Castonzo, o Colts foi obrigado a colocar Le’Raven Clark como titular e justamente para enfrentar um dos, se não o melhor defensive end da temporada até aqui, Myles Garrett. Garrett fez um estrago tremendo pra cima de Rivers, sacando o QB adversário uma vez, além de ser o responsável pela pressão que gerou o safety. Quando Myles Garrett deixou de alinhar contra Le’Raven Clark, foi Olivier Vernon que fez estrago, com esse front seven do Browns conseguindo pressionar Rivers em cerca de metade das suas tentativas de passe.

Pra piorar, o jogo terrestre sofreu demais contra uma boa linha defensiva do time de Ohio e conseguiu poucas jardas em cada carregada, com uma média de apenas 3,8 por tentativa de corrida.

Essa dificuldade no jogo terrestre forçou Rivers a lançar mais a bola, principalmente no segundo tempo, quando a vantagem chegou a ser de 17 pontos a favor do Cleveland Browns. E foi a partir dessa necessidade de passar mais a bola é que vimos o que Rivers é em 2020: um quarterback experiente, que em situações positivas pode guiar a sua equipe ao caminho das vitórias, mas que quando precisa soltar o braço e resolver as partidas, comete erros demais para um jogador que aspira conquistar coisas grandes nessa temporada.

No entanto, mesmo com as dificuldades encontradas ontem, a linha ofensiva do Colts está a anos luz de distância da OL do Chargers em 2019 e isso fica bem claro nos números. Nessa temporada, por exemplo, Rivers foi sacado apenas 4 vezes nos 5 primeiros jogos, enquanto no ano passado ele foi derrubado pelos adversários 11 vezes no mesmo período. Entretanto essa melhora na proteção ainda não se transformou em uma mudança de nível de atuação de Rivers e isso é o que mais preocupa.

Tanto é que ele lançou 5 interceptações, enquanto anotou apenas 4 passes para touchdown em 2020. Além disso, o passer rating dele só ficou acima de 100 (valor considerado bom dentro dessa métrica) em uma partida, contra o New York Jets, jogo em que a sua defesa fez a maior parte do trabalho e ele só precisou lançar a bola em situações bem confortáveis. Por conta disso, o rating de Rivers em 2020 é de 89,4 até o momento. Para se ter uma ideia, Russell Wilson, favorito ao prêmio de MVP nesses 5 jogos, tem nesta temporada um rating de 129,8, além de nunca ter uma marca abaixo de 92 em qualquer uma das suas 9 temporadas na NFL

Rivers tem uma história linda na NFL e muitas vezes é subestimado por não ter chegado a um Super Bowl. No entanto, apesar de todos esses números e da carreira que ele construiu durante 16 anos na franquia do Chargers, em 2020 ele está se mostrando incapaz de elevar o nível do time e dá mostras de que precisa do contexto perfeito para ter chances de uma boa corrida nos playoffs. Vejamos se o ataque do Colts será capaz de subir de rendimento, principalmente no jogo terrestre, o que tem o potencial de transformar Philip Rivers numa espécie de Jimmy Garoppolo dessa temporada, principalmente se a defesa conseguir se manter como uma das melhores da NFL. No entanto, uma coisa é certa: em 2020, Rivers não é mais capaz de levar sozinho um time a briga pelo título.

 

 

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