quarta-feira, 20 de junho de 2018

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Há quem diga que o Cincinnati Bengals possui uma das situações mais estáveis se tratando de quarterback. Andy Dalton lidera o ataque desde 2011, ano no qual foi escolhido na segunda rodada do draft do dito ano. Iniciando em sua primeira temporada, foram cinco campanhas positivas consecutivas (de 2011 a 2015), todas elas com visitas a pós temporada. Além disso, sua situação contratual é extremamente confortável para a franquia. Em 2015 Dalton e o Bengals assinaram um contrato de 6 ano no valor de 96 milhões de dólares. Para as próximas 3 temporadas seu salário será de 13,7 milhões, 16 milhões e 17,5 milhões respectivamente em 2018, 2019 e 2020. Considerando a inflação que assola os salários de quarterbacks, é um valor muito razoável para um titular na posição. Então está tudo bem por Cincinnati, certo? Nem tanto.

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Pegando os números do jogador, seu desempenho está acima da média. Desde 2011, foram 25.534 jardas lançadas (62,3% de passes completos), para 167 touchdowns e 93 interceptações, com um passer rating de 88,7. Seu melhor ano foi 2015, quando lançou para 3.250 jardas, 25 touchdowns e apenas 7 intercetações, com um rating de 106,3. Se compararmos seu 2015, seus números foram semelhantes ao desempenhos de jogadores como Cam Newton, Russel Wilson, Ben Roethlisberger e Kirk Cousins, um grupo nada mal para estar envolvido.

A questão aqui é, mesmo que Dalton tenha sido estável desde que ingressou no time, até em seus melhores anos ele não apresentou aquele poder de decisão que esperamos de quem lidera o ataque de uma franquia, vide a incapacidade de levar o time além do primeiro jogo da pós-temporada. Fora isso, seus últimos dois anos foram abaixo de seu normal, com o time apresentando duas campanhas negativas consecutivas e a torcida começando a perder a paciência com o jogador.

Vamos pensar em um cenário no qual o Bengals opte por deixar a era Dalton para trás. Isso poderia acontecer por diversos motivos, seja por uma possível decadência do jogador (ou incapacidade de levar o time ao nível desejado pelos dirigentes), seja pela contratação de um técnico ou coordenador ofensivo que deseja formar seu próprio quarterback.

Em uma situação como esta a franquia ainda teria tempo para procurar no draft um quarterback. Mas neste caso o prudente não seria pegar o quarterback que sobrou no draft, mas sim aquele que acreditam ser o que levará a franquia ao próximo nível. Isso depende de muitas variáveis, seja da força da classe na posição, da posição que o time irá escolher e do quanto estaria disposto a ceder para subir no draft, mas tendo Dalton ainda sob contrato a situação seria perfeita. Caso o calouro precisasse de um tempo de desenvolvimento, a transição seria com um quarterback ponte de “luxo”, vide como está a briga intertemporada após interteporada na posição. Além de que, em outro cenário o jogador poderia ser envolvido em uma possível troca para subir no draft.

Ainda sobre uma possível troca, esta também seria uma situação bastante favorável à franquia. Vamos pegar como exemplo a troca que o Vikings fez por Sam Bradford em 2016, após a lesão de Teddy Brigdewater. Foram 2 escolhas no draft dadas (primeira rodada de 2017 e quarta de 2018), isso tudo por um jogador que não tem a consistência que Dalton tem apresentado. Além disso, o contrato de Dalton é extremamente favorável caso algum time deseje propor uma troca, como já falado é um valor mais que justo por um quarterback titular. Em um bom elenco sem ninguém no under center, Dalton pode ser visto como a peça que falta para um time vencedor. No mínimo, o atleta valeria uma escolha de primeira rodada em caso de troca.

Para o Bengals a situação só seria mais confortável se o time tivesse um reserva com boas perspectivas já no elenco. Mas mesmo sem ele, o franquia está com ótimas cartas para jogar. Primeiramente e como já falado Dalton é um titular estável e, novamente, muito barato. Seu desempenho tem se mantido bom o suficiente para levar o time aos playoffs (mesmo que ainda sem vitórias) em consecutivas temporadas. Se as temporadas de 2016 e 2017 se provarem exceções, vale muito a pena mantê-lo por perto.

O Bengals já declarou que ainda não pretende negociar um novo contrato com o jogador, já que ele possui ainda 3 anos no atual acordo. Inclusive, Dalton também falou que pretende jogar pelo menos mais 2 anos com o contrato que tem atualmente. Ambas as partes sabem que, pelo menos nas duas últimas temporadas, Dalton jogou aquém de seu contrato e deverá melhorar para merecer uma renovação perto das que estamos vendo estourar nesta intertemporada.

Para Dalton, as próximas 3 temporadas serão chave. Mais do que nunca ele precisará provar que é digno de liderar uma franquia na NFL. Além de jogar bem, deverá mostrar-se um atleta decisivo. Não necessariamente com vitórias em pós-temporada (apesar de ser algo que lhe falta no currículo), mas ao menos com a capacidade de carregar o time quando necessário e de desempenhar em alto nível em situações de jogos apertados. Independente se o futuro reservado ao jogador for em Cincinnati ou em outra cidade, essas características deverão florescer em seu jogo, e logo.

 

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