terça-feira, 27 de novembro de 2018

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Nesse último domingo, o Cleveland Browns conquistou sua primeira vitória fora de casa desde 2015. O adversário foi o Cincinnati Bengals, que além de ser rival de divisão, foi a franquia que abriu as portas para Hue Jackson, o recém demitido ex-head coach de Cleveland. Pós-jogo, o quarterback Baker Mayfield fez questão de mostrar sua indignação com atitude de Jackson, de aceitar o emprego numa equipe que enfrenta o Browns duas vezes por ano:

Ele deixou Cleveland e foi para Cincinnati… Eu não sei. É alguém que estava no nosso vestiário nos pedindo para jogar por ele e então ele vai para uma equipe diferente, que nos enfrenta duas vezes por ano. Todos podem ter uma opinião quanto à isso, mas é assim que me sinto. – Baker Mayfield, QB do Cleveland Browns

Essa declaração foi feita na coletiva de imprensa pós-jogo, para justificar a frieza de Mayfield ao estender a mão para cumprimentar o seu ex-treinador no final da partida. O quarterback fez questão de não mostrar nenhum afeto por Jackson, inclusive evitando o treinador que tentou abraçá-lo.

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Mayfield tem todo direito de gostar ou não e de cumprimentar ou não, seja quem for. Ele também é livre para ter sua postura quanto às atitudes dos outros e expressar sua opinião como fez. O grande problema é quando o motivo para justificar seus atos trata-se de algo tão imaturo e, de certo modo, até mesmo hipócrita.

Não estou aqui para defender o treinador, muito menos sua capacidade profissional, não se trata disso. O fato é que Hue Jackson não “deixou” Cleveland. Ele foi demitido. Se alguém deixou alguém nessa história, foi a franquia que deixou o treinador para trás e decidiu seguir em frente sem ele. Estando em casa, desempregado, com um futuro bem incerto graças a um dos piores recordes da história da NFL como head coach, como que Jackson iria recusar uma oferta de trabalho? Se considerarmos que a oferta veio de Marvin Lewis, alguém que já trabalhou com Jackson por muitos anos e tem total confiança no seu trabalho, a proposta se torna ainda mais tentadora.

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“Mas ele foi para o rival de divisão”, acusam Mayfield e muitos torcedores do Browns. Me desculpe, mas estamos falando de futebol americano profissional. Antes de se tornar head coach em Cleveland, Jackson era coordenador ofensivo em Cincinnati, isso o faz um traidor por sair do Bengals para assumir o Browns? Óbvio que não, vemos isso com frequência na liga. Também vemos jogadores que, dispensados por suas equipes, são contratados por equipes rivais e contam as horas para seus jogos de revanche. Na mesma entrevista, o próprio Mayfield fez questão de falar o quanto se preparou para esse jogo para vencê-lo por Orson Charles, TE do Browns que foi cortado pelo Bengals no passado, e pelo técnico de quarterbacks Ken Zampese, que trabalhou em Cincinnati por 12 anos antes de chegar a Cleveland nesta temporada. Então Jackson é traidor por ter sido demitido mas Charles e Zampese são injustiçados pelos quais Mayfield fez seu melhor para vingá-los? Me parece dois pesos e duas medidas por parte do novato.

Pra piorar, o próprio Mayfield passou por uma situação bem comparável no passado. Na sua primeira temporada como atleta universitário, ele foi titular em oito jogos, defendendo a universidade de Texas Tech. Após receber a notícia de que não ganharia uma bolsa de estudos da universidade para jogar a segunda temporada, Mayfield se transferiu para a universidade de Oklahoma, rival de conferência Big 12, onde ganhou a bolsa e seguiu sua carreira universitária. Ele sabe muito bem como é não ter o trabalho valorizado e ter a necessidade de procurar o melhor para si, não faz sentido cobrar algo diferente do seu ex-treinador. O caso de Mayfield ainda tem o agravante de não estarmos falando de um esporte profissional, onde os profissionais, como em qualquer outra área, procuram o melhor para suas carreiras. No college as rivalidades são ainda muito maiores e, na grande maioria das vezes, duram para sempre. A maioria dos atletas nunca se transferem de uma universidade para outra e ficam emocionalmente ligados às suas “alma matters” pelo restante de suas vidas.

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Quando acusado de ter feito o mesmo, num programa da TV americana, Mayfield respondeu através de uma mídia social, voltando a atacar Jackson. “Eu não perdi mais de 30 jogos, fui falso e fiz aquilo…”, disse o jogador. “Eu não ia ganhar uma bolsa de estudos. Porém, boa tentativa parceiro”, complementou, se referindo ao comentarista que apontou o fato.

Mayfield pode não gostar de Jackson por uma série de motivos. Talvez não ter recebido uma oportunidade de brigar pelo posto de titular já no training camp tenha mexido com o ego do promissor QB. Talvez, simplesmente a maneira que Jackson trabalhava com toda equipe, de maneira geral, seja o suficiente para que não só Mayfield, mas a maioria dos jogadores, não tenham admiração alguma pelo técnico. Tudo isso seria completamente compreensível e temos visto como Mayfield tem evoluído desde a saída de Jackson. De qualquer forma, o motivo apresentado pelo novato para justificar suas atitudes, foi completamente infeliz. O garoto tem um belo futuro pela frente, mas precisa amadurecer.

4 downs

1st & goal: O Seattle Seahawks parecia estar em decadência mas, após um início difícil, achou uma maneira eficiente de jogar e entrou definitivamente na briga por uma vaga nos playoffs. Com a equipe jogando bem ao seu redor, Russell Wilson tem jogado em altíssimo nível. Na temporada, ele já lançou 25 TDs e apenas 5 INTs, com um QB rating de 112. Desde a semana 2 os números ficam ainda mais impressionantes. São 20 TDs e apenas 2(!) INTs. Seattle está 4-2 nos últimos seis jogos e Wilson teve um QB rating acima de 110 em cinco deles.

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2nd & goal: O Houston Texans vem numa sequência de oito vitórias consecutivas e manteve a vantagem de dois jogos sobre o Indianapolis Colts na liderança da AFC Sul. Muitas dessas vitórias forma bem enganosas, mas não essa última no Monday Night Football. Enfrentando o Titans, que ainda sonha com playoffs, o Texans saiu perdendo por 10-0 mas se recuperou e dominou o adversário, resultando na vitória pelo placar de 34-17. Houston tem muito talento no roster e parece estar começando a minimizar os erros que, por muito pouco, não colocaram o time numa posição bem mais complicada na tabela.

3rd & goal: Sendo um admirador de longa data do veterano quarterback Philip Rivers, não poderia deixar de mencionar seu recorde aqui. Iniciar um jogo com 25 passes consecutivos completados obviamente não é para qualquer um e pouquíssimos QBs na história da liga tem a habilidade para realizar um feito desses. o veterano do Chargers tem, e por isso estamos falando de um QB que, apesar da falta de um maior sucesso nos playoffs até aqui, estará na conversa para entrar no Hall da Fama da NFL quando encerrar sua carreira.

4th & goal: Após um início tão promissor, o Cincinnati Bengals parece destinado a um final de temporada bem decepcionante. Apesar de, matematicamente, ainda estar na luta por uma vaga nos playoffs, o momento da equipe é péssimo. Já são três derrotas consecutivas, a defesa não para ninguém e, pra piorar, o quarterback Andy Dalton foi parar no IR com o dedo polegar da mão direita machucado. Jeff Driskel será seu substituto, um nome que não inspira confiança alguma numa possível reviravolta.


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