segunda-feira, 23 de abril de 2018

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Polêmicas e talento acompanham o Quarterback de Oklahoma. Baker Mayfield é um dos principais prospectos desta classe no draft e as comparações com ele vão de Russel Wilson e Drew Brees a Jonny Manziel.

Mayfield teve alguns problemas extra campo, algumas atitudes controvérsias e isso é inegável. O jogador primeiro ingressou em Texas Tech, de onde saiu para Oklahoma após desentendimentos com a comissão técnica (sendo estes justificáveis caso nos coloquemos na posição de Mayfield). Já em Oklahoma, teve dois episódios de comportamento indesejável dentro do campo. Em um deles, ele provocou a sidelide de Kansas segurando sua virilha, após eles se recusarem a cumprimentá-lo. Em outro, após discutir com torcedores do Buckeye, plantou uma bandeira de Oklahoma no meio do campo sobre o símbolo de Ohio State.

E o problema mais grave aconteceu em fevereiro de 2017. Mayfield foi preso em Arkansas por intoxicação pública, conduta desordeira, resistência à prisão e fuga. Imediatamente após o ocorrido, ele foi a público e se desculpou ao desrespeito e vergonha que trouxe tanto a comunidade de Oklahoma quanto a sua família. Esses incidentes fizeram com que crescessem as comparações dele com Jonny Manziel, comparações essas que são extremamente levianas e, caso aprofundadas, não fazem muito sentido. Com certeza ele deve aprender a controlar seus impulsos, mas não é nada que seja grave demais e Baker tem qualidades que superam esses problemas.

Confira aqui o melhor cenário para cada quarterback desta classe do draft!

Um dos principais aspectos citados por todos que já conviveram dentro do vestiário com o quarterback, seja em Oklahoma ou em Lake Travis High School, é a capacidade de liderança do jogador. Dentro de campo ele é aquele quarterback que cobra, que estuda, que trabalha duro. Se erra, admite o erro. Se vê um companheiro de time errando, o apoia e quando pode até assume parte da culpa. Todos que falam sobre Mayfield neste quesito citam sua capacidade incrível de lidar com pessoas e de fazer quem está ao seu redor dar o melhor de si.

Um dos casos que demonstra essa entrega do jogador aos companheiros aconteceu com DeDe Westbrook, hoje wide receiver do Jacsonville Jaguars. Quando em Oklahoma, Westbrook morava a meia hora do campus da universidade e não possuía carro, o que fazia com que chegasse atrasado para os treinos da manhã. Mayfield foi conversar com ele, e após entender o problema, passou a pegar Westbrook todos os dias em sua casa para irem juntos ao treino e, após o final do dia, esperava todos os compromissos de Westbrook terminarem para o levar para casa, mesmo que os seus próprios já tivessem terminado. Isso mal conhecendo o recebedor. É sem dúvidas um exemplo de comportamento esperado por um líder de elenco.

Outro  caso relatado por Dede foi a atitude de Mayfield após a derrota sofrida no Orange Bowl de 2015, no qual o time perdeu por 20 pontos. No vestiário após o jogo todo o time estava desolado. Baker foi o primeiro jogador a se posicionar. Ele colocou toda a culpa na derrota em suas costas. Ele era o líder do time e queria ser a pessoa responsabilizada. Essas duas histórias reforçam o perfil de liderança apresentado pelo jogador, e tiram ainda mais o sentido das comparações com Manziel.

Além de um ótimo líder, Mayfield tem se mostrado um grande jogador dentro de campo e seu desempenho reforça essa afirmação. Em 2017, ano em que ganhou o Heisman Trophy, lançou para 4.627 jardas, com um percentual de passes completos de 70,5, totalizando na temporada 43 touchdowns e apenas 6 interceptações. Em seus anos em Oklahoma tomou para si alguns dos recordes da universidade, como percentual de passes completos, rating de eficiência de passe e número de touchdowns. Mayfield é um jogador inteligente que possui uma ótima habilidade para processar as rotas, consegue estender jogadas usando sua mobilidade, tem um bom braço e é muito preciso em seus passes em todos os níveis do campo, além de ser extremamente eficiente nas últimas 20 jardas. Ele é o tipo de atleta que parece melhorar em situações de pressão e que, ao contrario de temer, cresce nestes momentos.

É claro que ele não é o prospecto perfeito, existem pontos em seu jogo que deve melhorar. Seu trabalho de pés deve ser aprimorado, muitas vezes parece que Mayfield está sapateando no pocket e o lançamento sai sem os pés estarem bem plantados. Além disso, em Oklahoma ele normalmente teve janelas grandes para os passes, o que não acontecerá na NFL. E talvez o maior problema visto nele por olheiros seja seu biotipo. Com apenas 1,85 de altura Baker é baixo para um quarterback. Isso quer dizer que ele não tem chances na liga? Óbvio que não, vide exemplos de baixinhos como Drew Brees e Russel Wilson. Mas é uma adversidade que deverá ser superada pelo jogador, especialmente em uma liga onde biotipo é muitas vezes levado mais em consideração do que talento (único motivo possível para considerarem Josh Allen um melhor prospecto, por exemplo).

Existe muito de Baker Mayfield além das polêmicas. O time que o selecionar terá um líder nato, um jovem apaixonado pelo esporte e que se dedicará para melhorar todos em sua volta. Mas essa dedicação também deverá se dar por parte do time. Para dar certo, ele precisará de um esquema de jogo que trabalhe em suas qualidades. Caso isso aconteça, podemos estar presenciando o nascimento de um ótimo quarterback na NFL.

 

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