sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Compartilhe

Com 6 títulos de super bowl em 20 anos, parece até uma heresia construir um texto duvidando da capacidade de Bill Belichick em montar equipes na NFL. No entanto, ao longo das temporadas várias escolhas altas dentro do draft, não se mostraram jogadores efetivos na liga e isso acendeu uma discussão sobre a capacidade do maior treinador da história em escolher jogadores do nível universitário para o profissional. Neste texto vamos analisar como essa história se desenvolve e se ela possui fundamento.

Método Belichick

Belichick possui um método único para selecionar jogadores, bem descrito no livro “Gridiron Genius” de Michael Lombardi, onde ele verifica vários pontos “não-ortodoxos” nos atletas universitários e procura não selecionar necessariamente o melhor atleta e sim, qual irá se encaixar dentro da sua cultura e organização. Ele aprendeu muito com seu pai Steve Belichick sobre como realizar o scout (análise) dos jogadores e procurar por vantagens em relação as outras equipes na hora de montar o melhor elenco.

Conversar e ter contato com os treinadores do college faz parte do “método Belichick”

Ele prefere focar em desenvolver seu elenco e as peças que possui, em vez de “colocar muito esforço” no draft e escolher o próximo talento geracional. Isso é bem evidenciado com o grande uso de escolhas “baixas” como o próprio Tom Brady, Malcolm Butler, Matthew Slater e Julian Edelman. Que não foram escolhidos pelo seu talento bruto e sim por possuírem características que Bill julgava importante para contribuir na equipe e no sistema que ele estava desenvolvendo.

Leia Mais: Power Ranking Liga dos 32 – Semana 4

Leia Também: 1 mês de temporada, 1 destaque de cada divisão

Começo de Belichick no Patriots

Vamos começar analisando as decisões feitas na década passada, várias escolhas de destaque foram realizadas por BB, como Richard Seymour DL de bastante destaque na liga, que atingiu o Pro Bowl, Matt Light um Guard que durante vários anos esteve entre os melhores da liga, Deion Branch que foi MVP do Super Bowl XXXIX, e vários outros destaques e âncoras das equipes que ajudaram a levar os títulos para a Nova Inglaterra no primeiro tricampeonato.

Não bastasse isso, na segunda onda de jogadores que contribuíram para o segundo tricampeonato (2014, 2017 e 2019) nomes como Vince Wilfork, Jerod Mayo, Nated Solder, Patrick Chung, Rob Gronkowski, Devin Mccourty, Dont’a Hightower, Chandler Jones, Jamie Collins, James White entre outros surgem como os principais nomes dessas equipes, e todos foram escolhidos por Belichick no draft.

A “dinastia” de New England foi formada através do draft, e toda as escolhas mencionadas anteriormente foram realizadas no máximo até a quarta rodada. Isso mostra a qualidade do departamento de scout e análise de Bill Belichick, na medida em que se elogia bastante se uma equipe tem um ano bom com a equipe com várias peças escolhidas no draft, imagine ter 6 equipes campeãs e todas possuírem peças cruciais advindas do mesmo.

Talvez o maior TE da história foi uma escolha de Belichick no draft de 2010

Últimos anos

Nos últimos seis anos, as escolhas foram bem controversas e não geraram o mesmo sucesso que as da década passada e o início dessa e isso gerou argumentos que o General Manager do Patriots (a pessoa que escolhe realmente os prospectos, e que no caso da equipe, é o próprio treinador Belichick) não sabia mais escolher jogadores no draft.

Escolher N’keal Harry na frente de DK Metcalf e AJ Brown, Sony Michel na frente de Nick Chubb despertou a desconfiança do mundo da NFL em torno de Belichick. Mesmo que esses dois jogadores venham a estourar na liga, até o presente momento, parece ter sido uma escolha errada. Mas é bom lembrar que Sony marcou o TD que deu o título do Super Bowl LIII e isso em seu ano de calouro. Ele pode não ser do nível de Chubb, mas Belichick escolheu um power back para seu sistema e isso foi muito evidenciado naquele playoffs na partida contra o Chargers.

A equipe de Los Angeles veio com uma defesa bem leve para campo, com o intuito de parar o passe ou superar o jogo corrido com a velocidade. Estratégia de BB? Correr pesado e com força, e James White não era o corredor para isso. Sony Michel sim, ele terminou o dia com 3 touchdowns e uma vitória para New England.

https://twitter.com/fins_dynasty/status/1084548652608172039

Mesmo com essas questões, isso esconde outras boas escolhas feitas por ele e que renderam bons frutos, como Trey Flowers e Shaq Mason em 2015 e Chase Winovich em 2019, que mesmo não sendo jogadores elite na liga, eles produzem em alto nível e contribuíram bastante na equipe.

Ele também “falhou” em escolher o próximo sucessor de Brady, em várias tentativas com nomes como Ryan Mallett, Jacob Brissett e Jarett Stidham. O único acerto parecia ser Jimmy Garroppolo, no entanto, ele foi trocado para o San Francisco 49ers e até hoje não se firmou como um dos Quarterbacks elite na liga como Brady era para o Patriots. E essa questão foi impulsionada com essa temporada a equipe não possuindo qualidade na posição e precisando assinar com Cam Newton para salvar o ataque.

Qual a resposta?

Algo muito citado é a frase “O GM Belichick é salvo pelo coach Belichick”, algo bem curioso e que acho que não vem ao caso, pois os dois trabalham lado a lado. Caso a sua maneira e filosofia de escolha fossem como a maioria das equipes, que é de escolher o melhor talento para o jogo, talvez essa afirmativa fosse verdadeira. Mas o GM Belichick escolhe para o talento ser desenvolvido pelo coach, como o caso de Sony Michel, que dá um bom argumento para essa discussão. Ele não era a melhor opção, mas o treinador Bill Belichick encontrou uma forma dele produzir quando precisou, no entanto, a sua escolha foi baseada nesse ponto.

Realmente as últimas escolhas de rounds altos foram bem fracas se comparado a jogadores selecionados depois, mas nenhum GM é perfeito em suas escolhas e com Bill Belichick não é de outra forma. O grande problema reside que ele é visto de forma diferente, onde qualquer erro seu é aumentado e cada acerto é “diminuído” ou algo tão rotineiro que acaba ficando de lado. E vamos lembrar que a NFL é uma das ligas esportivas mais competitivas do mundo (se não a maior), e isso gera ainda mais chances de “erro”.

Outro fator é a posição no draft. Como sempre vai aos playoffs, a equipe tem as últimas escolhas nas rodadas. Com isso, ela precisa arriscar mais para escolher os atletas, pois os mesmos não são tão unanimidade assim e possuem bastante “gray areas” ou pontos incertos. Procure ver outras equipes em situação semelhante durante muito tempo e perceba que nenhuma tem um sucesso em escolher atletas nessas posições a todo momento (destaque para o Seattle Seahawks e as escolhas controversas de Rashard Penny, Jordyn Brooks, LJ Collier e o grande Germain Ifedi que traz calafrios à torcida azul e branca).

Acho que não podemos discutir a qualidade do General Manager Belichick em escolher peças para a sua equipe, mesmo que ele tenha escolhido jogadores que não vingaram, isso acontece com todo e qualquer GM na liga. Se qualquer outro tivesse o sucesso que ele teve nos drafts, estaria na conversa de melhor da NFL. No entanto, como estamos falando do melhor treinador da história, nosso julgamento acaba possuindo um viés de encontrar uma falha no seu processo e transformar dois ou três anos ruins em uma certeza, superando vários anos de escolhas de sucesso.

Acompanhe nosso conteúdo mais de perto e fique por dentro de tudo o que rola na NFL e NCAA: Siga nosso Twitter e curta nossa página no Facebook. Para ganhar DEZENAS de benefícios e se tornar um apoiador do site e do nosso trabalho, clique aqui.

 

Compartilhe

Comments are closed.