quinta-feira, 30 de maio de 2019

Compartilhe

O ano era 2017. A franquia vivia uma das maiores crises de sua história. Nuvens sombrias pairavam sobre o FirstEnergy Stadium. E os apaixonados por esportes em Cleveland se dividiam em admirar Lebron James e cia, nas quadras, e se frustrar ao ver o título da World Series, depois de 68 anos, escapar entre os dedos do Indians. O futebol americano estava apenas em segundo plano neste tempo. E quem diria que, dois anos depois, os torcedores da cidade de Ohio estariam apostando todas suas fichas na NFL? Se pudesse voltar no tempo para dizer a você do passado que o Cleveland era o favorito ao título da AFC Norte em 2019, qual seria sua reação? Eu, de fato, cairia em gargalhadas.

Desde 2007 sem campanhas positivas. No período 2015-17, a equipe teve um retrospecto de 4 vitórias e 44 derrotas. Mas nada como uma boa offseason e novos ares para mudar uma equipe de patamar. No Draft de 2018, chegaram Baker Mayfield, Denzel Ward, Nick Chubb e Antonio Callaway. Na free agency, Jarvis Landry. Mesmo com jogadores interessantes, o time não engrenou de início. Só após a saída do treinador principal, Hue Jackson, e do coordenador ofensivo, Todd Haley, a máquina começou a pegar no tranco. O treinador de running backs, Freddie Kitchens, assumiu a equipe e deu um novo rumo, que encheu os olhos do torcedor de esperança.

Leia Mais: As Melhores e Mais Valiosas Escolhas da 6ª e 7ª Rodada do Draft 2019

Leia Também: O que os Texans precisam para competir na AFC South?

E nesta temporada, mais caras novas vestiram a camisa do Browns. A principal delas, que custou a escolha de primeira rodada, foi o badalado WR Odell Beckham Jr. Se para o Giants a troca acabou sendo desastrosa, para Cleveland foi, até o momento, excelente. Depois de brilharem em LSU, Beckham Jr e Landry vão reeditar a dupla de sucesso. Melhores amigos desde a faculdade, os dois recebedores já transformam o ataque da franquia em um dos melhores da liga. Lembrando ainda que o elenco conta com os já citados Callaway e Chubb, que tiveram uma temporada evolutiva como calouros e têm tudo para crescerem em 2019. Kareem Hunt, depois de graves problemas extracampo que poderiam ser passíveis de expulsão da NFL, deve voltar na metade desta temporada e é mais uma peça para ficar de olho. Demetrius Harris chega de Kansas City, assim como Hunt, para ajudar Njoku na posição de TE.

Para a defesa, o Pro Bowler DT Sheldon Richardson chega para dar mais dinâmica ao interior da linha. Escolhido na posição 48, o CB Greedy Williams (LSU), cotado como top 2 da posição, pode ser o lado oposto ideal para o ótimo Denzel Ward. A defesa já teve um melhor desempenho em 2018 e ganhou mais quatro reforços (sem contar Williams) só no Draft. Então você deve estar se perguntando: por que os fãs de Cleveland deveriam ter motivos para se preocupar neste ano?

Sem dúvida, há muito talento no vestiário. Mas como essas peças do quebra-cabeça vão se encaixar é a grande questão. Freddie Kitchens surpreendeu na última temporada, mas ainda não é certo cravar que ele vai alçar voos mais altos. Além da mudança no técnico principal, Cleveland terá uma nova mente defensiva em 2019. Trata-se de Steve Wilks, ex-coordenador defensivo do Panthers e Head Coach do Cardinals (teve a pior campanha da liga no ano passado). Pela teoria, tudo são rosas na cidade, mas colocar em prática é bem mais complicado do que parece.

 

Dec 23, 2018; Cleveland, OH, USA; Cleveland Browns quarterback Baker Mayfield (6) signals to his running backs against the Cincinnati Bengals during the first quarter at FirstEnergy Stadium. Mandatory Credit: Scott R. Galvin-USA TODAY Sports

Outros dois fatores podem pesar contra o Browns. A primeira delas é a pressão externa. Assim como a imprensa brasileira, a americana também está louca para o ver o circo pegar fogo e qualquer sequência negativa pode ser motivo para especulações e crises, que podem desestabilizar o elenco. Além disso, o grande tempo gasto com o time nos programas esportivos alertam os rivais para o confronto direto. E a preparação para este tipo de jogo, em especial, se torna cada vez mais estudada e dedicada pelo adversário. A pressão da torcida por bons resultados também tem seu lado negativo.

O segundo ponto que pode ser levado em consideração é o calendário complicado. Jogar duas vezes por ano com Ravens, Steelers e Bengals tem sido uma pedra no sapato do time. Desde 2002, quando a AFC Norte foi criada, o Browns nunca venceu a divisão e chegou aos playoffs em apenas uma oportunidade (justamente em 2002). A franquia ainda vai ter pela frente, em 2019, times como New England Patriots, Los Angeles Rams e Seattle Seahawks, que podem dificultar a caminhada rumo ao título do norte. Para que isso se concretize, resta saber se o casamento entre comissão técnica e jogadores vai ser duradouro ou acabará já na lua de mel.

Acompanhe nosso conteúdo mais de perto e fique por dentro de tudo o que rola na NFL e NCAA: Siga nosso Twitter e curta nossa página no Facebook. Para ganhar DEZENAS de benefícios e se tornar um apoiador do site e do nosso trabalho, clique aqui

Compartilhe

Comments are closed.