quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

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Sobretudo nas últimas duas temporadas, o Buccaneers tem iniciado o campeonato como candidato a sensação do ano. Com muitos jogadores jovens e talentosos, a equipe de Tampa ainda conta com um QB escolhido na primeira posição geral do Draft 2015, que deu mostras de um talento que poderia o colocar entre os grandes da posição. Entretanto, além de frustrar estas expectativas seguidas vezes, o mencionado jovem QB, Jameis Winston, passou de promessa a candidato a bust após a sua 4ª temporada comandando o ataque do Buccaneers. Em meio a este cenário, o Buccaneers demitiu o antigo treinador Dirk Koetter e trouxe da aposentadoria o carismático e competente Bruce Arians. Hoje vamos entender como esta escolha pode representar uma última (e promissora) tentativa de sucesso para a equipe de Tampa e, principalmente, para Jameis Winston.

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Antes de mais nada, é interessante notar o cenário que trouxe Arians ao Bucs e também o próprio momento pessoal/profissional do treinador. Ao se aposentar da NFL em 2017, Bruce Arians alegou que já não se divertia tanto com o esporte e que gostaria de estar mais tempo com sua família. Em relação a isto, algumas questões sobre a saúde do treinador também foram levantadas, no entanto, ao que parece, Arians está saudável. De toda forma, é de se esperar que Bruce de 66 anos, e com o primeiro emprego como treinador datando de 1975, não vá continuar na NFL por muitas temporadas – o que poderia limitar as opções de mercado em um momento que a NFL está repleta de equipes investindo em treinadores jovens e imaginando trabalhos mais duradouros. Entretanto, este não é o cenário atual do Buccaneers e também por isto a contratação de Arians se torna tão interessante. Por tudo que foi mencionado no parágrafo inicial, o Buccaneers não tem mais “desculpas” e nem tempo a perder, o Bucs entra em 2019 com várias decisões muito importantes a tomar.

A NFL, na era de Salary cap, forma ciclos (pequenos) de tempo em que algumas equipes conseguem manter vários bons jogadores dentro de um teto de remuneração limitado. Além disto, existe também a questão envolvendo o próprio Winston que entra em seu 5º ano na NFL com esta opção contratual exercida pelo Bucs, porém sem nenhuma garantia futura, ou seja, Jameis precisa dar uma resposta em campo e provar que merece a renovação mais longa e milionária que um QB titular estabelecido recebe. Indo mais acima na hierarquia da equipe, o GM Jason Licht também tem contrato para 2019, mas pode ser dispensado por opção da equipe após a temporada.

Repare que temos um cenário composto por uma equipe que precisa vencer urgentemente por conta obviamente da pressão após temporadas decepcionantes, mas também para não perder o momento ideal de um elenco que, certamente, será impossível de manter por mais algumas temporadas. Além disto, temos um QB pressionado, que não evoluiu como se esperava, e um GM que, por todo este cenário, também pode perder o emprego. Neste contexto, você encontra um treinador que, como mencionado, pode até não ter mais tanto tempo de carreira futura, mas é ótimo com QBs e que já possui uma boa relação pessoal tanto com o GM, como com Winston – a quem ele conheceu ainda no ensino médio durante um Camp  de Futebol em Birmingham, no Alabama. Em suma, a contratação de Arians neste momento do Buccaneers é, teoricamente, perfeita.

Olhando para dentro do campo, Bruce Arians representa uma grande e promissora adição para o Bucs e, principalmente, para Winston. O novo treinador da equipe teve trabalhos de sucesso com nomes como: Peyton Manning, Carson Palmer, Andrew Luck e Bigben. O estilo de Arians, com seu ataque agressivo e vertical, é um encaixe muito interessante para Winston que nunca teve medo de ousar e tem um braço potente o suficiente para ter sucesso neste tipo de jogo. Além disto, jogadores como Mike Evans, DeSean Jackson, Chris Godwin e OJ Howard tem tudo para brilhar com o novo treinador.

O grande desafio de Arians ao trabalhar com Winston, provavelmente, será achar o ponto certo entre a ousadia necessária para o sucesso, e as decisões bizarras que o QB tomou algumas vezes em sua carreira. Bruce já conseguiu isto em outros momentos da carreira. O trabalho com Carson Palmer no Cardinals, que é o mais recente do veterano treinador, é um bom exemplo disto. Conseguir esta sintonia fina, que é uma linha tênue que separa o arrojado do pouco inteligente, diminuirá muito o número de turnovers de Winston, pois muitos destes são exatamente produtos de decisões nada elogiáveis. Vale destacar que, em 4 temporadas incompletas (Jameis não jogou os 16 jogos nas últimas duas temporadas), Winston acumula impressionantes 76 Turnovers. E isto não é um problema que afeta apenas o ataque e as estatísticas individuais do QB, pois o Buccaneers já sofreu, desde 2015, 362 pontos oriundos destas perdas de bola.

Se existe algo positivo nas campanhas decepcionantes da equipe é a posição do Draft. Bruce Arians chega com a equipe tendo a pick 5 em um Draft recheado de talento, principalmente defensivo. Apesar de não ser o ponto focal deste texto, vale mencionar que Arians deve trazer o ex-treinador do Jets, Todd Bowles, para ser o coordenador defensivo da equipe. Esta notícia é interessante pela competência de Bowles nesta aérea do jogo e, apesar de seu estilo – em teoria – não ser muito próximo ao de alguns jogadores da equipe, as expectativas também são positivas para uma defesa que precisava muito de alguma mudança após ser a 31ª em pontos cedidos na última temporada.

Por tudo o que foi discutido aqui, é muito difícil imaginar um “casamento” melhor do que o de Bruce Arians e o Buccaneers neste momento. Como sabemos, a NFL é surpreendente e são mais do que comuns as previsões sobre o desempenho de equipes e/ou jogadores que se provam completamente erradas ao final da temporada. Todavia, a sensação é de que o Bucs e Winston terão um novo rumo e este parece ser bem melhor do que os anteriores.

Falando especificamente sobre o QB, ele terá em Bruce Arians, com sua experiência e qualidade comprovada trabalhando com jogadores da posição, a sua melhor chance de finalmente provar que pode ser o QB de uma franquia por muitos anos. O que podemos afirmar com certeza é que a próxima temporada será decisiva para Jameis Winston e para o atual Buccaneers, pois ambos não são mais “promessas” e esta, apesar de promissora, pode ser a última chance de sucesso.


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