quarta-feira, 6 de novembro de 2019

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Pessoalmente acompanho a NFL com afinco desde a temporada de 2010, o que me permite falar com um pouco de propriedade sobre alguns pontos que pude observar nesta década que está se extirpando. Talvez a maior lição que este esporte me ensinou ao longo dos anos é que simplesmente nada é para sempre, mesmo atletas lendários tem “prazos de validade” dentro do cenário de planejamento a curto prazo das franquias, estas sim representam seres imutáveis dentro do esporte capazes de sobreviver a tudo e todos. No final do dia, simplesmente tudo é um grande negócio multibilionário gerido pelos excêntricos proprietários das franquias, e é isto.

Tive esta certeza lá no longínquo ano de 2012, quando assisti (sem entender muito o real significado, é verdade) à emocionada entrevista do lendário QB Peyton Manning, então recém-dispensado pelo Indianapolis Colts em virtude de seguidas cirurgias no pescoço. Assisti atônito o maior ídolo da história da franquia e um dos grandes atletas da história ser dispensado e chorando declarar seu amor pela equipe e que com certeza não seria o fim da linha pra ele (e não, verdade seja dita). Mas não vamos entrar no túnel do tempo no texto de hoje.

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O QB Cam Newton, recrutado com a 1ª escolha do Draft de 2011 pelo Carolina Panthers foi colocado na lista dos jogadores machucados e está fora do restante da temporada de 2019. O mesmo triste fim foi resultante de sua temporada de 2018, o que coloca reais dúvidas sobre o estado de saúde de um dos atletas mais castigados pelos defensores adversários na última década.

Ao sair do futebol americano universitário como um dos melhores prospectos disponíveis em anos, Newton tinha o protótipo perfeito de ameaça dupla na posição de Quarterback, afinal com seus 1,96m e 111kg que correram as 40 jardas na casa de 4.5 segundos no Combine da NFL tínhamos que ele seria simplesmente invencível atuando entre os profissionais, um verdadeiro super homem.

Newton inclusive abraçou esta alcunha. A tradicional comemoração de super homem após um de seus 58 TDs terrestres ao longo da carreira se tornou marca registrada e até motivo de certa polêmica ao longo da liga, tida por muitos como um “deboche” por parte dele aos adversários; ora pois, a solução desta pequena polêmica era muito fácil na teoria: impedir Newton de alcançar a end zone.

Pois bem, seria fácil somente na teoria, é verdade. Newton foi durante muitos anos uma real ameaça correndo com a bola e estendendo as jogadas com suas pernas, sendo a temporada de 2015 uma síntese de seu desempenho no auge da carreira: guiou o Panthers a 15 vitórias na temporada regular, lançou para quase 4000 jardas e mais de 30 TDs aéreos (além de correr para outros dez) e só parou frente à poderosa defesa do Denver Broncos no Super Bowl 50.

Mas, ser um atleta tão polarizante em todos os sentidos da palavra também cobra seu preço, apenas pergunte a ex-jogadores como o WR Calvin Johnson e o TE Rob Gronkowski. Tais atletas parecem pintar um alvo em seus peitos e são a principal preocupação de todas as defesas adversárias semanas após semanas. Se Cam Newton era o verdadeiro super homem no auge de sua carreira, vimos que a dura temporada da NFL é uma verdadeira criptonita à atletas tão físicos e que expõem tanto seus corpos ao longo da desgastante temporada regular – para citar as nove que Cam Newton participou até hoje.

Aos 31 anos de idade, podemos ter visto o último ato do veterano Quarterback com a camisa do Carolina Panthers. Após sequer praticar com a equipe nas sete últimas semanas da temporada regular de 2019, ter visto inúmeros médicos diferentes, ter feito inúmeras sessões de reabilitação combinadas com descanso absoluto e ainda assim experimentar uma dor crônica em um de seus joelhos, o Panthers achou melhor extirpá-lo de qualquer participação nesta temporada, colocando-o na lista de jogadores machucados que não atuarão mais em 2019 – a segunda temporada consecutiva que termina da mesma maneira. A última jogada de Newton parece uma suma à suas reais condições neste ano: uma 4ª tentativa para o gol na linha de duas jardas contra o Tampa Bay Bucs. O coordenador ofensivo chamou uma jogada bem interessante: uma variação da Philly Special usada pelo Eagles no Super Bowl 52 mas que em vez do passe, foi uma tentativa de corrida do QB Christian McCaffrey. A presença de Newton por si só deveria representar uma ameaça à defesa do Bucs e ao menos congelar os LBs adversários por um segundo – tempo necessário para que o “Wild Caff” avançasse as jardas necessárias para a vitória, mas não.

A defesa de Tampa simplesmente ignorou a presença de Newton no pocket e flui toda para o lado direito, parando o RB do Panthers e garantindo a vitória para a equipe da Florida frente à um Cam Newton visivelmente frustrado com a situação.

Newton sequer atuou após isto e foi substituído pelo QB Kyle Allen, que é muito mais jovem e foi muito mais eficiente neste ano, vencendo cinco de seis jogos e não comprometendo as atuações da unidade ofensiva do Panthers neste ano. Allen inclusive será um free agent restrito ao final da última temporada, o que denota que o Panthers tem total controle sobre ele: caso Allen receba uma oferta de outra franquia, o Panthers tem a opção de “empatar” a oferta e manter o jogador pela mesma duração do contrato, o que lhes dá total vantagem sobre qualquer outra franquia. Newton, por sua vez, terá um peso de U$18 milhões no combalido teto salaria da equipe para a próxima temporada, a última sob a extensão de U$ 104 milhões assinada na metade desta década. Simplesmente dispensá-lo traria um peso no teto de apenas U$ 2 milhões, algo bem contornável na NFL nos dias de hoje, então, o Carolina Panthers terá uma importante decisão a ser tomada ao término desta temporada.

O Panthers está mais que vivo na busca pelos playoffs mesmo sem o veterano. O RB Christian McCaffrey se coloca na briga pelo prêmio de MVP e tem tudo para quebrar o recorde de jardas totais em uma temporada – pertencente ao RB Chris Johnson e o LB Luke Kueckly é uma verdadeira bandeira da franquia e um dos melhores defensores há alguns anos, inclusive. O QB grandalhão simplesmente não é a peça principal do elenco da franquia e, como todos os 53 atletas que compõem o elenco principal, se tornou substituível.

Mas, para onde iria Cam? Times como Tennessee Titans, Tampa Bay Buccaneers e Cincinnati Bengals fatalmente irão atrás de Quarterbacks para a próxima temporada e podem usar Newton como uma espécie de “ponte” para que o próximo jovem assuma as rédeas das franquias – QBs como Joe Burrow, Tua Tagovailoa e Justin Herbert já pedem passagem no futebol americano universitário, mas um time que simplesmente parece “chamar” Newton em caso de dispensa do Panthers parece o Chicago Bears.

Jogo terrestre formidável, recebedores talentosos, defesa jovem e absurdamente boa mas é comandado pelo QB Mitchell Trubisky e enquanto isto acontecer, o Bears não irá construir caminhadas consistentes na pós-temporada. O GM da franquia tem o arrojo necessário para orquestrar até uma troca pelo atleta – e já provou não ter medo de colocar suas escolhas de Draft em jogo para melhorar a equipe à curto prazo mas ainda se recupera da troca que trouxe o LB Khalil Mack para Chicago – a equipe não tem nenhuma escolha de segunda rodada para o próximo Draft, então a meu ver assistirá com afinco todo o desenrolar desta situação de Cam com o Panthers na próxima inter-temporada.

Fato é que o longo período do veterano QB com a franquia da Carolina do Norte deve estar chegando ao fim, mas não deveríamos nos surpreender com isto, afinal nada é garantido, concorda?


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