quinta-feira, 19 de novembro de 2020

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Após algumas semanas de sofrimento implacável, finalmente parece que o ataque aéreo de New England vem encontrando o caminho das pedras. A boa utilização do WR Jakobi Meyers, misturada com passes curtos saindo do backfield e o uso de play actions pode finalmente ter trazido uma identidade nova a esse ataque, que já tem uma sólida base no jogo terrestre. Hoje falaremos do primeiro TD aéreo de Cam Newton desde a semana 3.

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O vídeo da jogada:

Situação de campo e jogo

A bola estava na linha de 12 do ataque do Patriots, em uma primeira pra pra dez no início do segundo quarto. O time havia chegado ali após um drive sólido, que envolveu muitas corridas. Nesse momento, o time de New England já detinha total controle da linha de scrimmage e o Ravens não parecia ter encontrado uma solução para conter o jogo terrestre (diferente do que aconteceu no segundo tempo, em que passou a conter o adversário de maneira mais eficiente).

Como foi padrão ao longo da partida, Newton se colocou under center, mas dessa vez com um personnel mais leve (11 = 1 RB e 1 TE), ao invés do costumeiro personnel 21. Há uma formação 2×2, com os recebedores de cada lado mais próximos da linha (um tópico importante para a jogada) e no lado direito há a famosa formação stack (que possui princípios parecidos com a bunch, que já falamos outras vezes).

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O Ravens, por sua vez, está esperando uma corrida nessa primeira descida, que estava sendo a tônica do jogo. Dispõe 5 jogadores na linha e o LB Patrick Queen no segundo nível. Completando o apoio à corrida, temos o jogador #32 como APEX, que é o jogador que cuida desse gap maior entre a OL e os WRs na esquerda. Por ser maior, o gap é chamado de alley. Logo, o “alley player” é o APEX.

Veja que o Patriots está jogando contra um front de 7 jogadores que podem se tornar 8 se o #36 descer para a caixa. Se fosse uma corrida aqui, o time estaria com problemas, já que haveriam 6 bloqueadores (OL + TE) para bloquear 7 ou 8 jogadores. Seria uma corrida fadada ao fracasso.

A responsabilidade do safety #36 é difícil dizer qual é, pré e pós-snap (já diremos o motivo disso). Os demais marcadores se colocam à frente dos skill players, indicando (e logo depois, comprovando) que será uma marcação individual.

A jogada

Essa jogada tem 3 chaves para o sucesso: a OL, o jet motion do WR #10 Damyere Byrd e o bloqueio primoroso do WR #15 N’Keal Harry.

A OL aqui tem um papel comum às OLs da NFL, porém com um nível de execução muito bom. A idéia aqui é que a OL “convença” a defesa que será corrida e que a corrida irá para o lado esquerdo, ou lado forte, que é onde está alinhado o TE #85 Ryan Izzo. Ao começar a jogada, embora seja uma jogada de passe, perceba o nível de agressividade da OL que realmente vende a corrida. Esse é um dos aspectos que impede o LB #48 Patrick Queen de ir imediatamente atrás de sua responsabilidade na marcação individual, que é o RB do Patriots. Essa, então, é a primeira chave.

O motion do WR e o fake do QB na suposta entrega da bola para ele correr, somados ao bom trabalho da OL, convencem a defesa quase que completamente de que realmente é uma corrida para a esquerda com o #10 Byrd. Você vê que a defesa comprou isso completamente quando o safety #36 desce correndo para o local que ele considerava ser o ponto de ataque de uma corrida externa.

Nesse mesmo contexto, o jogador responsável por marcar #10 Byrd deixa vazio o espaço na direita do ataque, que não por coincidência, é exatamente o local para onde irá a bola. O motion também prende o safety #32 naquele lugar, pois nesse caso aqui, ele tem a responsabilidade de cuidar de coisas que o outro lado da defesa não consegue, como por exemplo uma corrida do QB ou um passe (que foi o caso). Essa é a segunda chave.

Agora na direita restam dois jogadores de defesa contra 3 jogadores de ataque, mas só um desses jogadores de ataque é bloqueador. Como resolver a questão?

Chamamos de “pick play” uma jogada em que um recebedor se “sacrifica” em um bloqueio para que outro recebedor possa fazer a recepção com mais espaço. Se feita atrás da linha de scrimmage, que é o caso, pode ser feita com um bloqueio de verdade. Se feita à frente da linha de scrimmage, não pode ser um bloqueio ativo, tem que ser um esbarrão ou só uma atrapalhada (o famoso migué), sob pena de ser marcada a falta de interferência de passe. E é aquela história, a defesa é refém dos próprios princípios. Explico:

Ao se deslocar para dentro, #15 Harry leva consigo o marcador dele, que está em marcação individual, como vínhamos falando. Ao fazer isso e bloquear o safety #32, o WR de New England tirou, com um bloqueio só, dois caras da jogada. Supondo que a defesa não esteja em marcação individual, a jogada muito provavelmente não daria certo. Haveria mais defensores ali, talvez o CB não acompanhasse #15 Harry na movimentação e, nesse caso, ele estaria em posição perfeita para tacklear o RB. Só foi possível executar a jogada por conta da conta da cobertura defensiva (e obviamente pela execução do ataque). Aí está a terceira chave.

Para resumir, depois que a OL e o motion fizeram um bom trabalho vendendo a corrida para a esquerda, o motion removeu um jogador do playside (lado da jogada) e colocou o jogador a ser bloqueado em uma posição muitíssimo mais favorável para o bloqueador e o mesmo fez o bloqueio, também colocando o marcador dele fora de posição, aí a coisa realmente ficou fácil para Newton e Burkhead. TD do New England Patriots para empatar o jogo.

Desenho e timing genial podem ser atribuídos a Josh McDaniels. Foi de fato uma tremenda chamada.


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