quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

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Quando era técnico da seleção brasileira de futebol durante a Copa do Mundo de 2014 realizada aqui em nosso país, Luiz Felipe Scolari – popularmente conhecido como “Felipão” – justificou a derrota de 7 a 1 para a Alemanha na semifinal da competição como um “apagão” da equipe durante o primeiro tempo. A mesma expressão pode ser usada para definir o que geralmente acontece com o time do Carolina Panthers a partir do terceiro período dos jogos.

Se ainda não sabe do que estamos falando, vamos explicar. Em quatro oportunidades, a franquia que teve 15 vitórias e apenas uma derrota ao longo da temporada regular conseguiu abrir vantagens confortáveis, “relaxou” demais e deu chance aos adversários para virarem as partidas. Esse problema tem chamado à atenção de quem acompanha as partidas do time e, após o pirmeiro jogo do time nos playoffs contra o Seattle Seahawks, essa situação veio à tona e precisa servir como uma sinal de alerta para a decisão da NFC contra o Arizona Cardinals no próximo domingo.

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Como vimos na tabela acima, o Panthers abriu vantagem no primeiro tempo, mas o resultado final acabou sendo decidido por apenas uma posse de bola nesses quatro duelos. No mais recente, contra o Seahawks pelo Divisional Round no último domingo, a equipe fez dois quartos extraordinários, dominou o adversário em todos os setores do campo no ataque e na defesa e foi para os vestiários vencendo por impressionantes 31 pontos. Na volta do intervalo, o time de Seattle conseguiu anotar 24 pontos seguidos, mas era tarde demais para uma reação ao ponto de virar o placar.

Isso também aconteceu contra o New York Giants, partida onde o Panthers vencia por 35 a 7 em determinado momento do jogo, mas um “pé muito fundo no freio” fez com que o adversário empatasse a partida com pouco tempo restando no relógio. Se não fosse uma última campanha perfeita liderada pelo QB Cam Newton, o jogo que parecia ganho iria para a prorrogação com o Giants tendo toda a vantagem emocional do duelo.

Na partida contra o Green Bay Packers, após abrir uma vantagem tranquila no primeiro tempo, o time de Carolina precisou ficar atento até a última jogada e contou com uma interceptação do OLB Thomas Davis em um passe do QB Aaron Rodgers praticamente na End Zone. No duelo com o Indianapolis Colts, o que parecia uma vitória sem maiores problemas se transformou em um jogo recheado de emoção decidido apenas com um Field Goal na prorrogação.

QUAL É A RAZÃO PARA ISSO ACONTECER?

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Mesmo com a vitória sobre o Seahawks na semana passada, essa questão do time relaxar demais no segundo tempo se transformou em tema de discussão entre os jornalistas americanos. Por mais que não exista uma explicação exata, eles tentam responder o motivo disso ter acontecido repetidas vezes ao longo da temporada. É totalmente normal um time “pisar no freio” quando abre uma vantagem tranquila no placar, mas o que acontece com o Carolina Panthers parece ser um clima de “já ganhou” devido a grande qualidade da equipe. Não é por acaso que a franquia ficou tanto tempo sem perder e os atletas têm consciência desse alto nível.

Porém, essa não é a única justificativa. Após ter uma vantagem confortável no placar, vemos no Carolina Panthers um time que abre mão de jogar o seu jogo apenas para tentar gastar o relógio e confirmar a vitória o mais rápido possível. O jogo terrestre, grande pilar do ataque do time, não é tão eficiente como o normal e se formos analisar o desempenho do RB Jonathan Stewart no segundo tempo fica claro a queda de rendimento dele. Outro fato que chama a atenção é a linha ofensiva, uma das melhores da NFL, que parece um pouco “preguiçosa” quando o time tem uma distância tranquila no placar. Assim como a defesa, que sempre começa as partidas em um nível elevadíssimo – na pressão com o DT Kawann Short e na cobertura com os LBs Luke Kuechly e Thomas Davis, o CB Josh Norman e o FS Kurt Coleman -, acaba não atuando com a mesma concentração e foco que normalmente tem no primeiro tempo das partidas.

Graças a esses motivos, a equipe “flertou” com a derrota quatro vezes em partidas que pareciam totalmente dominadas. Foram nessas vezes que Cam Newton precisou botar a bola debaixo do braço para resolver os problemas. Quando não foi ele, Thomas Davis ou Luke Kuechly apareceram para garantir as vitórias do Carolina Panthers. Por mais que isso ainda não tenha custado uma partida para a equipe, o técnico Ron Rivera, principal candidato para levar o prêmio de técnico do ano, precisa chamar a atenção de seus atletas para se manterem focados na vitória até a última jogada. Se uma equipe quer ser campeã do Super Bowl não pode se desconcentrar em nenhum segundo, os jogadores poderão relaxar o bastante durante a Offseason se forem os vencedores da grande partida do ano.

Os atletas sabem desse problema, tanto que o QB Cam Newton declarou em entrevista coletiva no início da semana: “É uma história de duas metades, precisamos ser melhores do que isso”. A expectativa é de uma partida espetacular no domingo contra o Arizona Cardinals e podemos esperar um time vindo com tudo desde o início, assim como foi contra o Seattle Seahawks, mas, diferente de semana passada, queremos ver os jogadores ligados até o final. O Carolina Panthers já provou ser o melhor time da NFL na atual temporada e, se continuarem repetindo o alto nível de atuação do início ao fim, será bem complicado derrotá-los. É bom que Ron Rivera corrija esse problema, pois já sabemos que colocar a culpa em um “apagão” não é uma desculpa aceitável.

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