terça-feira, 19 de setembro de 2017

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Na NFL de hoje, podemos listar inúmeras pessoas passíveis de críticas. Desde jogadores, seja de ataque ou defesa, até membros da diretoria de cada time, todo mundo acaba recebendo uma cornetada aqui e outra ali. Mas se puxarmos a lista de todos que merecem críticas ou que acabam não tendo tanta paciência com seu trabalho, pouco vemos um determinado nome entre eles.

Sean Payton.

Ícone em New Orleans e um dos rostos responsáveis não só pelo ressurgimento da franquia pós-furacão Katrina, mas também do título do Super Bowl em 2009, Sean Payton é um dos técnicos mais badalados da NFL desde então. No entanto, isso não pode afetar o julgamento do seu trabalho atual.

Desde o título do Super Bowl, o New Orleans Saints passou por um grande enfraquecimento de sua equipe. Apesar de ter conseguido manter o nível nas temporadas seguintes, a coisa resolveu desandar a partir de 2012. Os números do time de lá pra cá são, no mínimo, assustadores.

Nas últimas cinco temporadas, a defesa do Saints esteve entre as cinco piores da NFL em jardas e pontos cedidos em quatro delas. Desde 2014, o New Orleans começa a temporada com um recorde de 0-2. Apesar de não ser irreversível, esse recorde já coloca o time em uma desvantagem enorme para o restante da temporada. O próprio Saints deve saber muito bem como dois jogos fazem muita diferença, já que nos últimos três anos foram duas vitórias que separaram o time de ter um recorde positivo de um recorde negativo.

Com tudo isso em mente, por que Sean Payton raramente é criticado?

O primeiro argumento que pode ser usado leva em conta o ataque de NO. Sim, o time tem um ataque muito acima da média e sempre figura entre os primeiros em jardas e pontos marcados. Mas até que ponto isso é obra do técnico Sean Payton ou do ótimo quarterback que o time tem? Se hoje Drew Brees pode até gozar de um ataque um pouco mais consistente, nos últimos anos não seria exagero dizer que ele estava “jogando sozinho”. Pouco a pouco, o ataque foi perdendo peças e criatividade, precisando se apoiar no talento de Brees para poder produzir. Em qualquer outra situação, seria extremamente improvável ver os jogadores terem o mesmo rendimento que tiveram com o camisa 9. Desde que saíram de New Orleans, Jimmy Graham e Kenny Stills nem chegaram perto de repetir o desempenho que tiveram jogando respectivamente pelo Seahawks e Dolphins, por exemplo.

O segundo argumento já é mais como um desvio de culpa para o general manager Mickey Loomis. Com problemas em gerenciar o salary cap, o time acabou perdendo talentos nos dois lados da bola e, por conta disso, acabou tendo um time inferior aos demais. Sendo assim, como culpar Sean Payton?

Bom, isso é uma meia verdade. O Saints realmente gerenciou muito mal sua folha salarial e teve que se desfazer de vários bons jogadores de seu time em troca de nomes bem questionáveis, como o S Jayrus Byrd, por exemplo. Ainda assim, dizer que Payton está fazendo um trabalho de “tirar leite de pedra” já é um exagero. Ao meu ver, a defesa do Saints pode não estar perto de ser uma das melhores da liga, mas por nome poderia ter capacidade de estar muito melhor que a situação que se encontra hoje. E não podemos culpar apenas os coordenadores defensivos, já que mesmo sob o comando de Steve Spagnuolo, Rob Ryan e Dennis Allen, ela continua na parte de baixo da liga. Ou seja: o problema está acima disso.

Por fim, o último argumento em defesa de Sean Payton se dá sobre seu trabalho como um todo. Como culpá-lo pela situação atual se ele foi o responsável pelo título de 2009? Não é justo, não é verdade?

Se você quer torcer para uma franquia séria, sim. É justo.

O torcedor do New Orleans Saints pode e deve ser eternamente grato por tudo que Sean Payton já fez pelo time. No entanto, essa gratidão não pode blindá-lo de questionamentos sobre o seu trabalho hoje. Jerry Jones não pensou duas vezes em demitir Tom Landry, um dos maiores técnicos da história da NFL e o maior da história do Dallas Cowboys, quando comprou o time em 1989 devido a péssimas campanhas que o time estava tendo na liga. O Green Bay Packers não pensou em gratidão no momento que optou por Aaron Rodgers e não mais Brett Favre no comando de seu time. Dentro de campo, é necessário profissionalismo.

Para o bem do New Orleans Saints, Sean Payton precisa começar a ser questionado. Não adianta mais vivermos de um onside kick.


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