segunda-feira, 9 de novembro de 2020

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Antes de ingressarem na NFL, a classe de 2018 parecia daquelas históricas para franquias com necessidade de quarterbacks. Foram 5 signal callers escolhidos apenas na 1ª do Draft, mas quase 3 temporadas depois daquela noite, a incerteza é o que define esse grupo de quarterbacks neste momento. Como a 3ª temporada é historicamente a prova de fogo para os jovens jogadores, vou analisar qual é a situação desses 5 atletas com uma boa parte de 2020 já decorrida e tentar traçar qual será o futuro deles na NFL.

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Baker Mayfield – 1ª escolha

Acho que nos últimos anos, nenhum quarterback gerou sensações tão distintas quanto Baker Mayfield em tão pouco tempo. De gênio irreverente a desastre pedante, ele acumula sequências contrastantes e parece cada dia mais difícil enxergar ele atingindo o potencial que demonstrou no College e em seu começo na NFL.

Inicialmente colocado na posição de reserva de Tyrod Taylor, Baker aproveitou uma lesão do titular e já teve de cara uma atuação incrível, em que ele pareceu um enviado dos céus para salvar o Cleveland Browns da draga que já dura décadas.

Depois disso ele teve uma temporada espetacular de calouro, com direito a 27 passes para touchdown, um novo recordo da NFL.

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A franquia de Cleveland logo se apressou em reforçar o elenco e contratou nomes como Odell Beckham Jr. e Olivier Vernon para colocar a cereja no bolo de um elenco que já parecia ter bastante potencial com Nick Chubb, Myles Garrett, Jarvis Landry e cia.

A empolgação foi tão grande com a reta final da temporada de 2018 que Freddie Kitchens, coordenador ofensivo interino, foi alçado a posição de head coach.

No entanto, a lua de mel durou pouco e as coisas não saíram como planejadas. A parceria com OBJ nunca funcionou, Kitchens se mostrou incapacitado para liderar um time e Baker foi de um dos mais precisos passadores jovens da liga a um QB errático e ineficiente.

Por isso, 2020 era o ano decisivo para Baker Mayfield e até aqui a temporada de recuperação não tem sido tão como planejado. A direção contratou ainda mais jogadores, reforçou a linha ofensiva e quis dar a Baker todas as armas necessárias para ter sucesso, mas apesar disso as atuações individuais do signal caller seguem abaixo do esperado.

O time melhorou bastante com a chegada de Kevin Stefanski e tem construído uma campanha bem melhor do que a de 2019. Entretanto, Baker não é nem de longe o maior responsável por isso. Até nas vitórias ele teve erros demais, continuou impreciso e muito nervoso dentro do pocket, saindo desesperado da proteção em diversas ocasiões em que isso não era necessário.

Odell Beckham não parece ser o maior fã de Mayfield e o QB só teve uma atuação realmente boa em 2020, que foi justamente o jogo em que OBJ saiu de campo machucado.

Com times abrindo mão cada vez mais rápido de quarterbacks que não funcionaram, não consigo ver um futuro muito duradouro de Baker Mayfield em Cleveland. O Browns vai ter dificuldades para pegar um bom prospecto em 2021, já que tem chances reais de ir aos playoffs nessa temporada e consequentemente acabar com uma escolha da metade para o final da 1ª rodada. No entanto, não vejo um caminho muito claro para Baker florescer nessa franquia e duvido até que o Cleveland Browns ative a opção de 5º ano caso ele não tenha uma reviravolta considerável na segunda metade da temporada

 

Sam Darnold – 3ª escolha

Muito inconsistente, Darnold teve uma carreira cheia de altos e baixos em USC. Ele alternava bons momentos em que ele parecer ser o próximo grande quarterback da NFL, com momentos desastroso e com uma enxurrada de erros consecutivos.

Muito propenso aos turnovers, o seu valor foi diminuindo à medida que a sua carreira universitária progrediu e de melhor QB da classe com sobras, ele foi aos poucos caindo no conceito dos avaliadores.

Sim, ele foi parar em uma situação terrível, em uma das franquias mais mal administradas da NFL e sob o comando de um head coach desastroso e tudo isso só deixou mais evidente as deficiências no seu jogo.

No entanto ele ainda não conseguiu dar um salto em quesito de consistência e vive alternando sequências terríveis de jogos com momentos em que ele parece ser espetacular.

Com grandes chances de ter a 1ª escolha geral do Draft de 2021 e com excelentes opções de quarterbacks nessa classe, parece que os dias de Sam Darnold como o herdeiro de Joe Namath em Nova Iorque estão contados.

Sinto pena por todo o contexto que o cercou na NFL e por saber que ele tem as ferramentas para ser um jogador de destaque, mas ele não apresentou evolução suficiente para convencer uma pessoa sequer de que ele poderá vir a ser um franchise quarterback.

 

Josh Allen – 7ª escolha geral

Talvez a avaliação mais complexa de todas dessa lista

O começo de sua carreira foi um verdadeiro desastre. Alçado a jogador de 1ª rodada pela sua força no braço, Allen era simplesmente um terror quando o assunto era precisão nos passes e não adianta de nada ter uma catapulta para lançar as bolas, se todos os seus passes são complemente fora do alvo.

Apesar disso, Josh Allen apresentou uma grata surpresa já no seu 1º ano. Muito mais forte do que a média dos jogadores saídos do College, ele demonstrou estar um nível atlético acima dos já superdotados atletas da NFL e conseguiu alguns momentos de sucesso na sua temporada de calouro dependendo exclusivamente de corridas.

A direção do Buffalo Bills resolveu apostar de verdade e deu para Allen um grupo de jogadores bem mais capazes em 2019 do que ele tinha em 2018, quando o seu corpo de recebedores era composto por uma união de jogadores tão irrelevantes que a grande maioria nem está na liga mais nesse momento.

Com as adições de John Brown, Cole Beasley e Mitch Morte na free agency, além das seleções de Dawson Knox e Devin Singletary, esse ataque tinha finalmente bons jogadores para serem acionados por Allen, o que gerou uma melhora na campanha do Bills, mesmo que o seu desempenho individual continuasse muito abaixo do esperado.

Ele conseguiu ser ainda menos impreciso em passes longos e abusou ainda mais dos scrambles e passes curtos para progredir no campo. Com Brian Daboll chamando as jogadas, houve uma melhora no play calling, mas nada que pudesse esconder as limitações de Allen.

Até que chegou 2020. Já sendo rotulado de bust, Josh Allen começou essa temporada jogando verdadeiramente bem. Fui dos que mais relutou, mas em um certo momento, lá pela 4ª rodada, tive que incluir o QB na lista de candidatos a MVP, porque a melhora que ele teve era daquelas que não se costuma ver regressão: ele estava assustadoramente mais preciso, processando o jogo de maneira muito mais rápida e escolhendo bem os momento de correr, ao invés de sair desembestado depois da 1ª leitura falhar.

Pois bem. Logo depois de ceder as atuações de Allen, ele voltou a apresentar os MESMOS PROBLEMAS dos anos anteriores. De uma hora para outra ele voltou a ser impreciso e muito mais impaciente no pocket. Seu trabalho de pés, que havia melhorado bastante, regrediu e ele cometeu erros grosseiros contra o Tennessee Titans e o Kansas City Chiefs. Foram mais dois jogos bem abaixo do começo da temporada, mesmo que tenha vencido Jets e Patriots e de repente…

Boom, mais uma bela atuação, agora contra o Seattle Seahawks.

Ele voltou a apresentar as coisas boas das 4 primeiras semanas e diminuiu bastantes os erros feios dos outros jogos.

Eu sinceramente não sei como avaliar Josh Allen nesse momento. Admito que existe uma certa dose de má vontade da minha parte, já que desde o processo de recrutamento enxergava erros demais em seu jogo, mas não consigo cravar qual Allen será uma verdade no futuro.

Analisando friamente os 4 primeiros jogos e a partida do último domingo, Allen é a resposta para o Bills, mas no restante de sua carreira, ele ainda é errático demais para cravar que ele terá qualquer sucesso como franchise quarterback na NFL.

 

Josh Rosen – 10ª escolha

Restam poucas dúvidas de que Rosen teve um dos contextos mais desastrosos que um quarterback pode ter nos 2 primeiros anos de carreira em muito tempo.

Draftado pelo Arizona Cardinals, ele teve que se virar para sobreviver atrás da pior linha ofensiva da NFL em 2018 e com quase nenhum talento de alto nível ao seu redor no ataque do time.

Arizona rapidamente se cansou da experiência Josh Rosen e o trocou para o Miami Dolphins, que tinha acabado de começar um processo de reconstrução e era o time com a menor quantidade de talento em toda a liga. Não bastasse isso, a linha ofensiva era a pior unidade dentro do deserto de talento que o Dolphins ousou chamou de elenco em 2019.

Mais uma vez, Rosen foi massacrado pelas defesas adversárias e não teve nem um segundo de paz sequer para tentar mostrar que era um quarterback de qualidade.

Ainda naquela temporada Miami desistiu dele, colocando o veterano Ryan Fitzpatrick para fechar a temporada e se preparou para escolher o seu futuro signal caller no Draft de 2020. E assim o fez com Tua Tagovailoa

Com isso, Rosen ficou totalmente sem espaço e foi cortado pelo ascendente time do Miami Dolphins, que apesar desse elenco terrível e das péssimas atuações de Rosen, conseguiu desenvolver bons jogadores e construir um time sólido.

Dessa forma, Josh Rosen teve que dar um passo atrás e hoje ele faz parte do pratice squad do Tampa Bay Buccaneers.

Apesar de todas as dificuldades que essa classe está tendo para se consolidar na NFL, Rosen tem de longe a pior situação e hoje precisa lutar para provar que merece um espaço em algum dos 32 elencos da liga como um quarterback reserva. Isso tudo para a decepção de muita gente que se animou com ele em UCLA.

Rosen parece cada dia mais um grande bust.

 

Lamar Jackson – 32ª escolha

O que dizer de Lamar? Chamado de running back durante todo o processo de Draft, ele bateu o pé que era um quarterback e foi a grande surpresa daquele draft ao ser escolhido na 32ª escolha pelo Baltimore Ravens, que subiu no Draft para pegar o ex-jogador de Louisville.

Em 2018, ele passou boa parte do ano como reserva de Joe Flacco, por mais que todos os sinais apontassem para a escolha da franquia era em um futuro com Lamar. Na reta final ele assumiu o posto de titular e ainda tímido, conseguiu alguns jogos razoáveis que pareciam chancelar a escolha de John Harbaugh.

No entanto, veio o fatídico jogo de Wild Card. O Chargers lotou o time de defensive backs e conseguiu neutralizar as corridas de Jackson, única arma realmente perigosa que ele tinha naquele momento. Sem conseguiu lançar a bola umas 10 jardas pra frente e atrás no placar, aquela derrota foi um dos jogos mais melancólicos dos playoffs nos últimos anos.

Mas Harbaugh bancou seu jogador e em 2019 ele teve uma reviravolta completa. Logo de cara ele se mostrou mais preciso e confiante em seus passes e mesmo sem um corpo de recebedores brilhante, conseguiu formar uma boa química com Mark Andrews e Marquise Brown.

Com um esquema perfeito para tirar o máximo de proveito das suas habilidades como corredor, o Baltimore Ravens tomou conta da liga e foi liderado por uma Lamar Jackson que recebeu o prêmio de MVP com todos os méritos possíveis.

Parecia encaminhada uma final da AFC entre Ravens e Chiefs, até que o Tennessee Titans apareceu no caminho de Baltimore. Correndo muito bem com a bola e neutralizando as jogadas terrestres do time de Maryland, o Titans colocou o Ravens na pior situação possível: sem um jogo aéreo realmente perigoso e precisando passar mais a bola por estar muito atrás no placar. Não deu outra, vitória do Titans, que depois viria a ser derrotado pelo Chiefs na final de conferência.

Esse jogo fez muita gente questionar o real valor de Lamar e as atuações de MVP da temporada regular fizeram todos os coordenadores defensivos buscarem maneiras de parar a potência de Jackson. E bom, até aqui, os adversários tem tido mais sucesso do que fracasso nessa missão em 2020.

Lamar tem jogado mal e assim como Josh Allen, voltou a regredir em aspectos que pareciam solidificados em seu jogo. Muito impreciso e afoito no pocket, ele não está tendo mais a vantagem de enfrentar secundárias mais desguarnecidas, já que o jogo terrestre não está sendo tão eficiente quanto no ano passado.

No último domigo, parecia que o filme iria se repetir. A defesa do Colts sufocou Lamar e o time teve pouco mais de 50 jardas totais de ataque no 1º tempo. Mas na segunda etapa as coisas mudaram de uma hora pra outra e com um ataque mais rápido e apostando no atleticosmo de Jackson, o Ravens atropelou o Colts nos dois últimos quartos, com Lamar comandando o show.

A grande questão aqui é quem é o verdadeiro Lamar Jackson. É o MVP merecido de 2019 ou é o jogador errático e impreciso de 2018 e 2020? Eu sinceramente não consigo cravar nada nesse momento. A segunda metade da temporada será uma prova de fogo para a carreira de Lamar. Acompanharemos atentos aos próximos capítulos.


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