segunda-feira, 25 de maio de 2015

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A liga e a historia - L32

O dia era um domingo, 10 de janeiro de 2010. Naquela tarde ensolarada, onde o teto retrátil do University of Phoenix Stadium permaneceu aberto, Packers e Cardinals fizeram um dos melhores jogos da história do esporte, culminando numa jogada antológica de defesa do time de Glendale que selou a classificação para os playoffs divisionais daquela temporada. Quer relembrar como foi aquele jogo? Acompanha NFL há pouco tempo e não sabe muito sobre a antológica partida? Boa leitura!

CONTEXTO

De um lado Kurt Warner, que aos 38 anos de idade tentava levar o Cardinals ao segundo Super Bowl da história da franquia e repetir o feito conseguido na temporada anterior mas com um resultado diferente daquele épico jogo em Tampa. Arizona garantiu o título da divisão Oeste da NFC e o seed #4 na conferência, com a campanha de 10 vitórias e 6 derrotas durante a temporada regular onde Warner lançou para mais de 3700 jardas e teve 26 passes para TD mesmo ficando de fora de um jogo. Apoiado num jogo aéreo fenomenal e cheio de estrelas, além de uma defesa com nomes interessantes, a campanha bastou para levar a equipe ao título numa divisão até então fraca, nada condizente com a potência que é nos dias de hoje.

Do outro lado, Aaron Rodgers, até então na sua segunda temporada como titular após a (primeira) aposentadoria de Brett Favre, fazia sua estreia na pós-temporada. Rodgers conseguiu 11 vitórias e 5 derrotas, contando com um ataque aéreo poderoso que culminou em quase 4500 jardas aéreas com 30 TDs e apenas 7 interceptações durante a temporada regular. A campanha de 11-5 lhe garantiu o seed #5 no chaveamento dos playoffs da Conferência Nacional, pois o título da divisão Norte da NFC ficou com o Minnesota Vikings, após este conseguir 12 vitórias e apenas 4 derrotas durante a temporada regular, ironicamente com Brett Favre comandando o potente ataque do time de Minneapolis.

LÍDERES DE ESTATÍSTICA

Green Bay Packers

QB Aaron Rodgers – 28/43 em passes para 423 jardas, 4 passes para touchdown e 1 interceptação

RB Ryan Grant – 11 tentativas para 64 jardas terrestres

TE Jermichael Finley – 6 recepções para 159 jardas

Arizona Cardinals

QB Kurt Warner – 29/33 em passes para 379 jardas, 5 passes para touchdown, sem interceptações

RB Beannie Wells – 14 tentativas para 91 jardas

WR Stevie Breaston – 7 recepções para 125 jardas aéreas e 1 touchdown

O JOGO

Primeiro Período

Aquele 10 de janeiro ficará para sempre marcado na história dos fãs do esporte, mesmo para o time que precisou se contentar com a amarga derrota. Mais de 60 mil pessoas presenciaram ao vivo o jogo que entrou para a seleta galeria de partidas inesquecíveis da história da liga. O passado e o futuro se enfrentaram para saber quem avançaria para os playoffs divisionais daquela temporada e não falharam em atender todas as expectativas que foram criadas para aquela partida.

Na primeira jogada de scrimmage, após o retorno de 17 jardas no kickoff da partida, Aaron Rodgers fez um péssimo passe procurando o WR Jordy Nelson, falho em direção e força, que encontrou as mãos do CB Dominique Rodgers-Cromartie, que interceptou o então jovem QB em seu primeiro passe num jogo de playoff e já posicionou o ataque do Cardinals na linha de 40 jardas do campo de ataque, após perder 6 jardas durante o retorno daquela interceptação.

Kurt Warner e seu ataque vieram a campo e rapidamente aproveitaram a ótima posição após o turnover, combinando alguns passes com corridas consistentes do RB Beannie Wells, que numa primeira descida para TD na linha de uma jarda, não teve grandes dificuldades em cortar para a direita e invadir a endzone, abrindo vantagem para o Cardinals em 7, após menos de 4 minutos de jogo.

O Packers precisava de uma resposta à altura para não se complicar no início do jogo, e até parecia que estava determinado em fazê-lo. Após uma boa corrida do RB Ryan Grant, na jogada seguinte, após um passe curto para o WR Donald Driver, Karlos Dansby fez a primeira de várias jogadas de impacto na partida, ao dar um tapa na bola e forçar o fumble, prontamente recuperado por Allan Branch que posicionou o Cardinals numa posição de campo ainda melhor que a campanha anterior, já na linha de 30 jardas do campo de ataque. Até o momento, o Packers tinha 3 jogadas de scrimmage e 2 turnovers, início terrível para os cabeças de queijo.

Mas tudo ficaria pior. Rapidamente Kurt Warner conectou o WR Early Doucet numa rota em que o jogador recebeu um passe curto e contou com vários bloqueios, inclusive do WR Larry Fitzgerald e só parou na endzone. Após o chute extra, o placar apontava 14×0 para os mandantes com um pouco menos de 10 minutos por jogar no primeiro quarto.

A urgência de resposta do Packers triplicou após o segundo turnover. Começando na linha de 8 jardas do próprio campo após uma falta durante o retorno, o time marchou algumas jardas na base de corridas e passes curtos de Rodgers, que precisava se recuperar dentro da partida para o Packers ter alguma chance de vitória naquela tarde. Mas numa 3ª descida para 5 jardas na própria linha de 28 jardas, Rodgers foi derrubado por B. Berry após demorar para fazer o passe, encerrando assim o turno ofensivo dos visitantes, para delírio da torcida.

Se o Packers tinha problema em ganhar território na partida, o oposto pode ser dito do Cardinals. Mesmo após um sack-fumble de Clay Matthews na primeira jogada da campanha, este recuperado pelo Cardinals, Warner orquestrava um ataque mágico que não dava chances de resposta para a defesa dos visitantes. Fitzgerald, Ben Patrick, Steve Breaston, Early Doucet, todos com grandes avanços em recepções de profundidade que adentravam o território do Packers, numa ameaça eminente de pontuação. Mas o Packers se safou de maiores danos, já que numa 3ª para 15 jardas, o passe completo de 9 jardas para Doucet não foi suficiente para a nova primeira descida. Então, o time de especialistas liderado pelo K Neil Rackers entrou em campo para o chute fácil de 23 jardas, aumentando a vantagem para 17×0 com menos de um minuto para o fim do quarto.

Segundo Período

Mesmo a campanha do Packers começando nos instantes finais do primeiro quarto, foi segundo período de jogo que ela se concretizou. A resposta do Packers parecia que finalmente chegaria, pois numa 3ª para 9 na primeira jogada do período, Rodgers conectou Greg Jennings para um ótimo ganho de 27 jardas que adentrou o território de ataque, mostrando que aquele poderia ser o ponto de virada da partida. Só parecia. Passes incompletos, corridas negativas e um sack de C. Okeafor condenaram a campanha a uma 4ª para 11 na linha de 36 jardas do campo de ataque, deixando uma decisão para Mike McCarthy. O HC do Packers optou pela tentativa de FG de 55 jardas do K Mason Crosby, mas como tudo estava dando errado para os visitantes, o chute até teve potência, mas não teve direção e as esperanças de pontuação foram dizimadas quando o chute foi para a direita dos postes, mantendo zerado o time de Wisconsin.

Já perto do meio campo, o Cardinals parecia o do primeiro quarto, pois após uma jogada reversa, Steve Breaston correu para 28 jardas num ótimo ganho que posicionou o Cardinals na linha de 22 jardas do campo de ataque. Mas aí a partida tomou outros rumos. Na jogada seguinte (a terceira da campanha) Fitzgerald recebeu um passe de 6 jardas na “zona suja” do campo e já procurava seus bloqueadores quando, numa jogada mágica, o CB Charles Woodson conseguiu forçar o fumble no ótimo WR, recuperado pelo LB Clay Matthews. Se o turnover já era suficiente para animar os visitantes, o retorno de 29 jardas após a recuperação foi a injeção de ânimo que o time precisava para entrar na partida, pois começaria a próxima campanha já praticamente no meio campo.

Os papéis se inverteram na campanha seguinte. O Packers se voltou para o jogo corrido, combinando os RBs Alex Green e Ryan Grant, que em  4 tentativas seguidas conseguiram ótimas 30 jardas, além de mais 15 gratuitas após um tackle ilegal do DE G. Hayes na tentativa de parar o jogo terrestre. Mesmo após o segundo sack de B. Berry, uma falta de interferência no passe do DB Michael Adams, em um passe que procurava o veterano Donald Driver, posicionou o Packers na linha de 1 jarda, onde numa chamada ousada, o próprio Rodgers se encarregou de invadir a redzone do Cardinals pela primeira vez na partida e finalmente tirar o zero do placar para os visitantes, que estavam em 7 após o chute extra.

Porém a vantagem era confortável e a primeira pontuação dos visitantes não pareceu capaz de incomodar um veterano de 38 anos que já conquistara seu título anos atrás e passou por muita coisa parecida nos seus 15 anos de carreira. Aliado a um ótimo jogo corrido até o momento, com avanços graduais de Beannie Wells, Warner era uma máquina de completar passes sem resistência nenhuma da defesa do Packers, que parecia perdida em faltas, como a de “facemask” ou “contato com as grades do capacete” cometida pelo DB A. Bigby, dando mais 15 jardas gratuitas após as 18 conquistadas pelo jogo terrestre na jogada. Como num videogame, Warner era soberano na partida e já dentro da redzone adversária, conectou o WR Early Doucet que, após uma bela rota, fez a recepção para TD, o segundo de Warner na partida. Após o XP o placar no estádio em Glendale apontava 24×7 para os mandantes, perto dos 2 minutos finais do primeiro tempo.

Rodgers e seus companheiros sabiam que precisavam de uma resposta, e que ela precisava ser imediata. Orquestraram então o “2 minute offense” ou “o ataque de 2 minutos” como é conhecido por todos na liga, onde não faziam o tradicional “huddle”, aquela reunião pré-snap onde o QB repassa ao ataque a jogada selecionada. Pela primeira vez naquela tarde o ataque dos visitantes engrenou, visto o passe de 44 jardas para o TE Jermichael Finlay, que foi capaz de completar a recepção e conseguir um grande avanço mesmo com uma interferência clara do CB B. McFadden, obviamente declinada após o gigante ganho territorial. Finley ainda faria outra bela recepção para o posicionar o time na linha de 12 jardas do campo de ataque, mas o tempo era muito curto. Mesmo o time numa 1ª descida para o TD na linha de 2 jardas, foi necessário chutar um FG de 20 jardas de Mason Crosby, caracterizando o fim do primeiro tempo de jogo com o placar favorável mas não confortável de 24×10 para o Cardinals.

Terceiro Período

O intervalo veio e se foi, mas o que se viu no terceiro período em Phoenix não foi nada diferente dos outros períodos, ao menos no ataque do Cardinals. Warner espalhava bem seus recebedores e, como um maestro, orquestrava seu ataque frente a uma defesa atônica que não encontrava uma maneira de parar o time adversário. Hightower e Wells eram a combinação de RBs que conseguia grandes avanços pelo chão e tornava mais imprevisível ainda saber qual jogada o Cardinals iria fazer. Esta imprevisibilidade, somada a constantes faltas do Packers, como a interferência do CB Charles Woodson em Larry Fitzgerald, deixam claro qual seria o resultado da campanha de abertura do segundo tempo. Novamente, numa rota curta no meio campo, Fitzgerald fez a recepção e, no auge da forma física, só parou dentro da redzone. 33 jardas após o passe de Kurt Warner e a recepção de Fitz, e o placar já apontava 31×10 numa campanha relâmpago de menos de 3 minutos.

Com a temporada em perigo, o Packers voltava para a campanha crucial nas pretensões do time para os playoffs. O fato pode ser confirmado quando Rodgers alinhou a formação shotgun em todos os snaps desta campanha, que finalmente mostrou do que o camisa #12 é capaz. Mesmo a previsibilidade do ataque não foi problema, e Rodgers finalmente encontraria sintonia com seus recebedores. Mesmo com alguns passes incompletos, a secundária do Cardinals que já não era a mesma do primeiro tempo, pois começou a fazer faltas bobas e permitiu que uma bomba de 35 jardas de Rodgers para Greg Jennings posicionasse o time na linha de 3 jardas do campo de ataque. Numa 3ª para o TD, a conexão Rodgers-Jennings funcionou novamente e num passe completo de 6 jardas, a vantagem do Cardinals foi diminuída em 7, marcando assim 31×17.

Porém o TD não parecia o bastante para os comandados de Mike McCarthy. Numa das chamadas mais ousadas da partida, o time foi para o onside kick que de forma surpreendente foi recuperado pelo próprio Packers, redimindo o K Mason Crosky pelo FG perdido no começo da partida.

O momentum do jogo parecia ter mudado. O jogo corrido do Packers, até então inexistente, passou a encaixar com ganhos regulares, para tirar um pouco a carga sobre Rodgers, que estava finalmente jogando bem. Um passe completo de 44 jardas para o TE Finley foi parado por Rodgers-Cromartie na linha de 1 jarda, mas após uma falta de Donald Driver durante a jogada, posicionou o time na linha de 21 jardas. Nenhum problema para Rodgers, que num belo passe de 11 jardas para o WR Jordy Nelson, após 2 boas corridas de Ryan Grant, colocaram o jogo em uma posse de bola de diferença. 31×24 para os mandantes com 4 minutos para jogar no período.

O Cardinals entrou para a próxima campanha na tentativa de dar uma resposta a 14 pontos seguidos do Packers, e a tal resposta veio mais rápida que um raio. Primeiro um passe de 15 jardas de Warner para Doucet, depois um ganho espetacular de 42 jardas do RB Beannie Wells numa corrida pela direita e finalmente com uma falta da defesa do Packers, que num lapso de atenção alinhou com 12 jogadores em campo. O Cardinals já estava na linha de 11 jardas do campo de ataque. Digamos que essa posição de campo seja o habitat natural de Fitzgerald, que alinhou na esquerda e não teve muitas dificuldades em fazer a recepção para seu primeiro TD naquela épica pós-temporada do ídolo da franquia, onde apenas em 3 jogadas e 1 minuto e meio depois, a vantagem do Cardinals ficou mais confortável com o 38×24 que o placar marcava.

Novamente o Packers estava no buraco e, perdendo por 14 pontos e com menos de 18 minutos por jogar no tempo regulamentar de jogo, precisavam resgatar a mágica das campanhas anteriores. E de fato conseguiram. A conexão Rodgers-Jennings finalmente estava afiada, e culminou em 30 jardas nas duas recepções do WR antes do fim do terceiro período, já com o Packers adentrando o território do Cardinals.

Quarto Período

Os 15 minutos finais programados da partida prometiam demais. O Packers estava com a temporada na linha e, já na linha de 30 jardas do campo de ataque enfrentando uma 4ª descida para 5 jardas, a escolha parecia óbvia para o time do Lambeau Field. Rodgers alinhou na formação shotgun com todos seus recebedores disponíveis para a quarta descida e o que se viu, além da conversão crucial para a temporada do time, foi um avanço de 30 jardas do então calouro James Jones, que encontrou a endzone pela primeira vez nos playoffs para diminuir novamente a vantagem do Cardinals, já que após o chute extra e com 14 minutos por jogar, o jogo estava em 38×31.

Quando era a hora do Cardinals selar de vez a classificação, o ataque falhou. Até pareciam estar na normalidade quando Warner conectou Breaston para um ganho de 18 jardas, mas o que se viu depois foram duas corridas para ganhos pequenos e um passe incompleto numa grande ação de Charles Woodson, que marcou de forma mágica o WR Larry Fitzgerald para impedir a conversão. O Cardinals teve que ir para o primeiro punt da partida.

O ataque avassalador mudara de lado e para a próxima campanha, podendo empatar o jogo, Rodgers foi fantástico ao completar um passe de 38 jardas para Jermichael Finlay e outro de 28 jardas para Greg Jennings, de longe os dois principais alvos do QB naquela tarde. Em menos de 40 segundos os WRs já posicionavam o time na linha de 1 jarda do campo de ataque. Eis que John Kuhn, o FB do time, colocou a bola embaixo do braço e abaixou a cabeça no melhor estilo “bola de boliche humana” para conseguir o TD, marcando assim, após o XP, o improvável empate da partida em 38 pontos para cada um dos times.

Encarando a pressão de deixarem uma vantagem de 31×10 se transformar num empate de 38×38, Warner veio para a próxima campanha, com menos de 11 minutos de jogo para devolver a vantagem do Cardinals. Começando da sua própria linha de 20 jardas, Warner conectara alguns passes curtos e contava com avanços graduais de Bells, numa ótima partida do RB. Então, numa 1ª para 10 jardas na linha de 46 do campo de ataque, veio o golpe. Warner para Breaston numa recepção de 26 jardas do jogador que fez o time invadir a redzone novamente, transformando assim a invasão à endzone uma questão de tempo. Foi o que se viu uma jogada depois, num passe de 17 jardas para o próprio Breaston que coroou a fantástica partida e, com menos de 5 minutos restantes, devolveu a vantagem para o Cardinals, 45×38.

Com o estádio pulsando, o Packers mandara seu ataque a campo novamente em desvantagem no placar, e desta vez com o tempo correndo contra os visitantes. Contando novamente com faltas da defesa do Cardinals e um bom avanço de Aaron correndo com a bola, o time chegou até a metade do campo com cerca de 3 minutos para o fim do jogo. Rodgers conseguiu um passe fantástico para Greg Jennings, que parecia imparável naquele dia para um ótimo avanço de 22 jardas, já para posicionar o time numa ótima posição dentro do território inimigo. Após um bom passe para Finley posicionar uma 1ª descida para o TD, o QB do Packers conectou o TE Spencer Havner, fator nulo na partida até então, para anotar o touchdown e novamente empatar o jogo, desta vez em 45 pontos. O fato dava à partida o título de maior pontuação da história dos playoffs.

Já dentro dos dois minutos finais, Warner queria de fato aumentar a pontuação da partida. A próxima campanha poderia ser a última da partida, e sacramentar o avanço para a próxima fase dos playoffs. Mesmo uma falta de saída falsa do ataque não foi suficiente para ajudar o Packers, que viram novamente Steve Breaston, com uma recepção chave de 24 jardas que posicionou o time no meio do campo, dar contornos de drama para a partida que entrava em seu minuto final. O time preferiu não pedir tempo após o grande avanço e correu para alinhar para o próximo snap. Um passe de 15 jardas para Fitzgerald colocava a bola na linha de 35 jardas do Packers. Mas não era o suficiente. Com 20 segundos restantes, Warner acertou Doucet para um espetacular avanço de 16 jardas que posicionou o K Neil Rackers para um FG relativamente fácil de 34 jardas.

Com 14 segundos restantes, Rackers liderava os especialistas que entraram em campo para recolocar o time em vantagem e praticamente carimbar a vaga para os Divisionais. Mas faltou sangue frio para o K. O snap foi bom, o holder fez seu trabalho, mas Rackers errou, e errou feio. O chute fácil de 34 jardas se perdeu à esquerda das traves, dando sobrevida para a temporada do Packers e fazendo o estádio suspirar de lamento, encaminhando o jogo para a prorrogação.

Prorrogação

Graças ao erro de Rackers, a partida foi para a prorrogação e após vencer o cara ou coroa, o Packers escolheu começar atacando no período extra de jogo. Isso culminou no fim para eles. Mesmo após um passe incompleto na primeira jogada da prorrogação, a campanha parecia promissora quando J. Bush transformou um passe curto num bom avanço de 14 jardas. Mas uma falta da linha ofensiva recuou o ataque em 10 jardas. Numa 2ª para 20, James Jones fez uma rota curta pelo meio e conseguiu ótimas 14 jardas na recepção, porém mal sabia o Packers que aquela era a última jogada do ataque na temporada.

A situação era uma 3ª descida para 6 jardas e Rodgers alinhou no shotgun para a tentativa de conversão que daria sobrevida à campanha do time. Mas a jogada entrou para a história pelo seu final, que foge totalmente às expectativas. O CB Michael Adams veio do lado cego de Rodgers para pressionar o QB e de fato conseguiu. O sack já era mais que suficiente para condenar a campanha e devolver a bola para o Cardinals, mas Rodgers estava na eminência do passe, e num erro do jogador, tentou jogar a bola para fora e ser assim um passe incompleto. A bola escapou das mãos de Rodgers. O QB ainda tentou, desesperadamente, recuperar a bola que ele mesmo deixou escapar, mas ela caiu no colo do LB Karlos Dansby que retornou o fumble por 17 jardas para a endzone, explodindo o estádio e garantindo a vitória para o Arizona Cardinals, que se classificaria para os Playoffs de Divisão pela segunda temporada seguida, num final antológico, digno do tamanho que a partida representou para estes dois times.

Fatos sobre o jogo:

– Os 96 pontos anotados no jogo representa a maior pontuação da história dos playoffs.

– O QB Kurt Warner teve mais passes para TD (5), do que incompletos (4).

– Em sua estreia nos playoffs, Aaron Rodgers quebrou o recorde de jardas aéreas numa partida na história da franquia, que era de 332 jardas, estabelecido por Lynn Dickey em 1983.

– Aaron Rodgers completou passes para 10 recebedores diferentes. Kurt Warner usou 7.

– Os 51 pontos do Cardinals representaram a maior pontuação sofrida pelo Packers em sua rica história nos playoffs.

– O Cardinals ganhou 531 jardas totais, sendo 156 terrestres, contra uma defesa que foi, durante a temporada regular, a segunda melhor em jardas totais e a melhor da liga contra o jogo terrestre.

– Kurt Warner se tornou o segundo jogador na história a lançar 5 passes para TD em dois jogos de playoffs (Daryle Lamonica).

O jogo, como visto, foi histórico por vários aspectos e é difícil imaginar um cenário onde alguns desses recordes podem ser quebrados. Mas sei que você, assim como eu, estará assistindo caso aconteça.

Dúvidas? Críticas? Sugestões? Qual time tinha sua torcida nesse dia? Qual sua análise da partida fantástica? COMENTE!

Obrigado por lerem.

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