segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

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trofeu

Chegamos ao ato final da temporada do College Football. Com o período dos Bowls deixado para trás, é a hora da grande final do futebol americano universitário. Na matéria de hoje a cobertura é merecidamente maior. Começando pela história do confronto entre os times, os caminhos da vitória para cada equipe e terminando com o raio-x dos elencos. A partida acontecerá entre #1 Clemson “Tigers” (14-0) contra #2 Alabama “Crimson Tide” (13-1), às 23:30, com transmissão da ESPN+, no University of Phoenix Stadium, Glendale (Arizona).

HISTÓRICO

Clemson e Alabama são dois dos programas mais vencedores da história do futebol americano universitário. Entretanto, o histórico do confronto é bastante desequilibrado. Tigers e Crimson Tide se enfrentaram 15 vezes desde 1900 e Alabama saiu vencedora em 12 oportunidades, justamente nas 12 últimas partidas, ou seja, Clemson não vence desde 1905.

O último confronto entre as duas equipes foi em 2008 no Georgia Dome. Nick Saban já era o técnico de Alabama, enquanto Dabo Swinney, atual treinador do Tigers, ainda era o técnico de WRs da equipe. Naquele dia, Alabama saiu com a vitória por 34 a 10 e limitou Clemson a apenas 188 jardas totais, sendo todas elas pelo ar.

CAMINHOS PARA A VITÓRIA

Alabama

alabama-defense

1) Mandar várias blitzes talvez não seja a melhor opção

Dois fatores podem justificar esse caminho: a produção do pass rush de Alabama e o desempenho do QB DeShaun Watson (Clemson) contra blitz. Utilizando a pressão padrão de sua defesa, a equipe tem sido incrivelmente produtiva. O time consegue pressionar o QB em 33% dos dropbacks e 38 dos 50 sacks da equipe (líder da FBS) foram em jogadas que o time colocou 4 ou menos jogadores na pressão. Além disso, a defesa segurou os adversários a ganhos de 0 ou menos jardas em incríveis 55% das jogadas.

Porém, Deshaun Watson não parece ser intimidado por blitzes. Contra essas jogadas, o QB lançou 22 TDs e apenas 3 INTs, além das 10,2 jardas por tentativa. Curiosamente, o desempenho do jogador cai quando enfrenta uma pressão normal, Watson lançou 11 de suas 14 INTs enfrentando um pass rush padrão.

2) Dar a bola a Derrick Henry

A temporada do vencedor do Heisman Trophy por si só já justifica a necessidade dele aparecer bem na partida. Entretanto, a forma como a defesa de Clemson joga também forçará que o RB Derrick Henry seja bastante utilizado. Na último jogo da equipe, o QB Jake Cooker lançou para mais de 30 passes na vitória contra Michigan State, mesmo vencendo a partida, as chances do sucesso aéreo se repetir contra Clemson são poucas.

O Tigers de Dabo Swinney usa várias combinações de front seven e marcações, seja ela homem a homem ou por zona. Lançar contra uma defesa assim é perigoso e, apesar da força da linha defensiva de Clemson, Alabama tem uma linha ofensiva capaz de abrir espaços e um RB que é muito difícil de ser derrubado.

Clemson

watson_deshaun

1) Usar e abusar de sua Spread Offense

As defesas de Nick Saban tem tido bastante dificuldade nos últimos anos contra ataques rápidos e Clemson tem tudo que o técnico mais odeia: um QB móvel, um ataque que explora todo o campo e que executa várias jogadas em poucos intervalos de tempo. Consequentemente, os times que utilizaram esses três fatores obtiveram sucesso contra Alabama nos últimos anos, começando por Cam Newton em Auburn, passando por Johnny Manziel em Texas A&M e mais recentemente com Chad Kelly e Ole Miss.

Uma das maiores razões para essa “fraqueza” é justamente um dos segredos das defesas de Nick Saban: os chamados “personnal packages”. Grande parte das jogadas defensivas de Alabama Tide são desenhadas para jogadores específicos do elenco, com substituições ocorrendo durante o intervalo das jogadas. Dessa forma, um ataque como o de Clemson, que executa várias jogadas em pequenos intervalos de tempo, não permite que essas substituições sejam feitas, deixando assim as chamadas defensivas mais restritas.

Também seria interessante para o Tigers colocar o RB Wayne Gallman na partida, mesmo com a previsão de que as corridas contra o front seven de Alabama não deverão ser muito eficazes. O que o técnico Dabo Swinney poderia utilizar com frequência são jogadas com 3 WRs e 1 TE. Crimson Tide sempre teve tendência a utilizar jogadas com um nickel CB no lugar de um dos LBs nesse tipo de situação. Dessa forma, enfrentar um front com 3 DLs e 3 LBs tornaria a vida do jogo corrido mais fácil e o time poderia progredir através de jogadas como bubble screens (ver a parte chamada “olho tático” para entendê-las).

2) Não ignorar o jogo aéreo adversário

Frear o RB Derrick Henry é fundamental e deve ser a prioridade da defesa nessa partida. Contudo, o jogo aéreo de Alabama também merece atenção. O QB Jake Coker está longe de ser um exímio passador, mas o atleta já mostrou habilidade em conduzir o ataque do time e tem a sua disposição peças bem interessantes: O.J. Howard é um dos melhores TEs da NCAA e, após o início de carreira devagar, o calouro WR Calvin Ridley está jogando em alto nível e é o primeiro calouro do time a passar das 1000 jardas na temporada desde Amari Cooper em 2012. O RB Kenyan Drake e os WRs ArDarius Stewart e Richard Mullaney são outros jogadores importantes.

Para enfrentar esse setor, Clemson conta com uma secundária de altíssimo nível. Os CBs Mackensie Alexander e Cordrea Tankersley vêm fazendo uma ótima temporada, Alexander é considerado uma escolha de primeira rodada no próximo Draft e Tankersley lidera o time em interceptações (5) e passes desviados (9). Os dois Safeties, T.J. Green e Jayron Kearse, também são fundamentais para o sucesso do setor e são capazes de mudar o jogo a qualquer momento.

RAIO-X

Quarterbacks

Vantagem: Clemson

Clemson leva vantagem, e por muito. Deshaun Watson vem de uma temporada fantástica e foi um dos finalistas do Heisman Trophy. Já Jake Coker oscila bastante e é um QB bastante limitado.

Running Backs

Vantagem: Alabama

Wayne Gallman é um bom RB, mas, obviamente, o vencedor do Heisman Trophy leva vantagem. Derrick Henry escreveu seu nome no livro dos recordes da SEC e é uma máquina de jardas e TDs terrestres. Muito forte e rápido para o seu tamanho, ele é uma ameça de grande jogadas.

Recebedores

Vantagem: Alabama

Essa comparação é um pouco mais equilibrada, mas Alabama ainda leva vantagem. Como falado mais em cima, Crimson Tide tem bons nomes no jogo aéreo e, mesmo que Clemson tenha nomes como o WR Artavis Scott e o TE Jordan Leggett, não são suficientes para tirar a vantagem de Alabama nesse quesito.

Linha Ofensiva

Vantagem: Alabama

A linha ofensiva de Alabama leva bastante vantagem aqui. O setor da equipe de Clemson não vem fazendo um dos melhores trabalhos protegendo seu QB Deshaun Watson, enquanto Crimson Tide vem tendo sucesso o ano todo protegendo Coker e abrindo espaços para Derrick Henry.

Front Seven

Vantagem: Alabama

Novamente Alabama leva vantagem, mas é importante ressaltar que não é uma decisão apertada. Shaq Lawson, D.J. Reader, Kevin Dodd e B.J. Goodson são ótimos nomes e deixam o front seven de Clemson bastante interessante. Contudo, o setor de Alabama é indiscutivelmente o melhor do College Football e pode até ser considerado o melhor que já passou pelas mãos de Nick Saban.

Secundária

Vantagem: Clemson

Vantagem para Clemson aqui, apesar da secundária de Alabama ser competente também. Mackensie Alexander e Cordrea Tankersley são uma dupla de CBs perigosa de se testar e o DB Jayron Kearse é um massivo LB no corpo de um Safety.

Times Especiais

Vantagem: Alabama

Os times especiais merecem atenção nesse confronto também e Alabama tem muita vantagem. Clemson é um dos times que menos conseguem pontos vindos do time de especialistas, enquanto Crimson Tide conta com Cyrus Jones, um dos melhores retornadores da FBS e que já possui 4 TDs no ano.

Comissão Técnica

Vantagem: Alabama

Dabo Swinney foi eleito o técnico do ano e merece sim crédito por isso, mas não dá pra colocar vantagem técnica para Clemson quando o treinador do outro time é Nick Saban. Ele acumula um currículo invejável e, além de ser um dos técnicos mais vitoriosos da história, possui uma das mentes mais brilhantes do mundo do futebol americano.

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