segunda-feira, 8 de junho de 2020

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Colin Kaepernick está novamente no centro das atenções nas últimas semanas, mas desta vez o motivo é extremamente positivo e encorajador para o ex-jogador do San Francisco 49ers. Considerado o grande rosto dos protestos pacíficos contra o racismo e a brutalidade policial que se tornaram constantes dentro da liga entre 2016 e 2017, Colin finalmente está recebendo o devido apoio pelos seus atos considerados controversos há 4 anos. Com a escalada das manifestações nos Estados Unidos pedindo um posicionamento mais eficaz do governo em relação aos temas abordados por Kaepernick na oportunidade, até a NFL se posicionou a favor das reivindicações dos atletas e fez uma mea culpa por não ter ouvido os jogadores no passado, sinalizando um novo caminho nesse conturbado relacionamento. Automaticamente, a situação reacendeu uma pergunta comum dentro da liga nos últimos anos: Colin Kaepernick ainda tem vaga em um elenco da NFL?

Em editorial recentemente publicado pela CNN norte-americana, Joe Lockhart, Ex-executivo da NFL e atualmente analista político da emissora, afirmou que esse é o momento perfeito para alguma franquia assinar contrato com o QB. No texto, ele cita todos os questionamentos que envolveram a situação de Kaepernick alguns anos atrás e fizeram com que os times não dessem uma nova oportunidade ao jogador por medo de represálias e perda de receitas. Embora reconheça que a liga não foi justa com o camisa 7 e as suas manifestações no passado, Lockhart acredita que o novo posicionamento da NFL e o atual momento político e social dos Estados Unidos favorecem o retorno do atleta ao jogo profissional, mesmo que em uma posição de reserva imediato. O que ele não levou em consideração foi o lado esportivo da decisão de assinar com Kaep em 2020.

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Sem atuar desde 2016, quando foi titular em 11 jogos do 49ers naquela temporada e terminou a sua trajetória na equipe com 10 derrotas e apenas 1 vitória no ano, Kaepernick é uma incógnita  como jogador de futebol americano profissional neste ponto da carreira. Geralmente silencioso sobre as suas intenções de retornar ao esporte, o QB realizou um treinamento privado no final de 2019 que contou apenas com a presença limitada da imprensa e de representantes de sete franquias da liga. Na atividade, Kaep mostrou que ainda tem a habilidade de fazer todos os passes exigidos no nivel profissional e que continua em forma para retornar ao esporte caso surja a oportunidade adequada. Apesar da demonstração de interesse por parte do jogador, nenhuma equipe da NFL optou por apostar no seu trabalho ao final da última temporada, mantendo o QB fora do esporte por mais um ano.

É inegável que com o seu currículo após 6 anos como profissional, Kaepernick sustenta a narrativa de que ao menos seria uma opção mais interessante do que vários QBs reservas da NFL atualmente. Mais jovem que Brian Hoyer (NE) e Chase Daniel (DET) e com números melhores do que Geno Smith (SEA) e Mason Rudoph (PIT), só pra citar alguns nomes, o camisa 7 soma 28 vitórias em 58 jogos na carreira, além de 72 TDs e apenas 30 interceptações. Em seus melhores anos, Kaep foi decisivo durante os playoffs, levando o Niners ao Super Bowl em 2012 após atuações inspiradas e que o colocaram entre os principais jogadores da liga no período. A interrogação fica por conta dos seus últimos anos como profissional; Entre 2015 e 2016, Colin venceu apenas três jogos em 19 oportunidades e não conseguiu repetir o mesmo nível de atuação dos anos anteriores, perdendo a vaga de titular em San Francisco.


O QUE ESPERAR DE COLIN KAEPERNICK COMO QB EM 2020?

Essa é uma pergunta extremamente difícil de ser respondida neste momento. Caso se apresente em forma e focado, Kaepernick certamente merece ao menos ser testado por algumas equipes da NFL que ainda não contam com uma segurança na posição de QB reserva ou pretendem aumentar a competitividade dentro do elenco. Com a pandemia de Covid-19 atingindo os Estados Unidos de forma brutal, Kaep não deverá ter a chance de se encontrar com representantes das equipes ou realizar treinamentos privados tão cedo. Mesmo que agora realmente seja o melhor momento para assinar com o QB, como diz Lockhart em seu editorial, é possível entender o motivo pelo qual o jogador possa demorar um pouco mais para ser especulado durante a offseason.

Além de todos os questionamentos e dificuldades de logística, ainda resta saber quais são os objetivos de Colin Kaepernick neste momento da vida. Aos 32 anos, ele deixou escapar o auge da sua carreira e optou por realizar um trabalho fora de campo muito significativo e que segue colhendo frutos dentro da sociedade e agora na NFL. Embora, na minha opinião, o legado do camisa 7 tenha alcançado um nível que possivelmente ele não conseguiria alcançar caso tivesse seguido o caminho mais “comum”, seria uma grande satisfação ver o seu retorno ao futebol americano profissional em um momento tão importante para os Estados Unidos e também para a liga. Ainda não dá para afirmar se baseando em questões técnicas que Kaepernick teria lugar em um elenco da NFL na semana 1 da nova temporada, mas ele merece ao menos uma chance de lutar por esse objetivo.


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