sexta-feira, 15 de maio de 2020

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Entrando no draft de 2020 com apenas 5 escolhas, a missão do Kansas City Chiefs de se fortalecer e cobrir carências existentes no seu elenco não era tão simples assim, ainda mais para um time que acabou de vencer o Super Bowl e consequentemente seleciona no final de cada rodada. Contudo, mesmo com esse baixo capital de draft e prementes necessidades, a equipe conseguiu fazer um bom papel e obter ótimos valores, principalmente com suas três primeiras seleções, o que é de fundamental importância para qualquer franquia da NFL no processo de recrutamento.

Por mais que o caminho mais natural fosse olhar para a defesa desde o início, diante das evidentes necessidades de reforçar a secundária, o corpo de linebackers e até mesmo a linha defensiva, o GM Brett Veach tomou um caminho oposto e com a escolha número 32 selecionou o RB Clyde Edwards-Helaire (LSU).

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Selecionar running back na primeira rodada é um ponto sempre passível de questionamentos pelo valor da posição, pensamento difundido e quase que pacificado na NFL atual, porém, a seleção de Edwards-Helaire aqui muito me agrada, por se tratar de uma peça complementar excepcional para o já excelente ataque do Kansas City Chiefs. O produto de LSU teve uma temporada espetacular em 2019, único ano no qual foi titular dá posição e onde conseguiu uma produção impressionante, não somente correndo com a bola, como também recebendo passes, parcela importante de seu jogo. Extremamente dinâmico, tem boa explosão, corre com o centro de gravidade bem baixo, algo ajudado pela sua baixa estatura e que o possibilita quebrar tackles e conquistar quase sempre mais jardas do que o que a jogada apresenta. O seu tempo do 40 Yard Dash no combine (4.60) pode ter preocupado algumas pessoas, mas é nítido que o RB joga com uma velocidade maior que essa. É claro que são necessários ajustes e refino em sua técnica, principalmente na proteção ao passe, algo deficiente, mas com um ball skills acima da média, o atleta deve ser muito acionado por Patrick Mahomes e causar um grande impacto já em seu primeiro ano, devendo ser o titular e prevalecer sobre Damien Williams em toques na bola.

Na segunda rodada, uma das necessidades defensivas foi endereçada com a escolha do LB Willie Gay Jr. (Mississippi State), jogador extremamente atlético, dono de uma velocidade muito acima da média para a posição, que consegue chegar com muita explosão no backfield adversário, assim como também é eficiente e vai bem na cobertura, principalmente cobrindo RBs e TEs em zonas curtas do campo, faceta mais do que necessária e celebrada pelo time. Suas classificações contra o passe foram sempre muito altas ao longo das três temporadas que jogou no College, porém, a amostragem é pequena e levanta questionamentos, pois Gay jamais conseguiu jogar muito (quantidade), ficando em campo a maior parte do tempo apenas em sub-packages. Quando em 2019 parecia finalmente que veria mais o campo e estava começando bem a temporada, o jogador foi suspenso do time por razões que não foram reveladas.

Gay demonstra habilidades com a bola e capacidade de estar sempre perto dela, com desenvoltura para ler os olhos do QB. Apresenta também alguns problemas com tackle, relacionado a ângulos e escolhas, mas nada que não possa ser trabalhado, dá mesma forma que precisa evoluir e trabalhar seu block shedding. Apesar disso, trata-se de uma boa escolha, com bom valor posicional e de um jogador que chega provavelmente para ser titular, atuando ao lado de Anthony Hitchens e Damien Wilson, podendo até ser uma opção futura para substituir o segundo, que entra em seu último ano de contrato.

LB Willie Gay Jr.

Na terceira rodada, enquanto todos esperavam que a posição de CB fosse finalmente atacada, o time voltou mais uma vez suas atenções para o ataque e selecionou o T Lucas Niang (TCU). Gigante, de boa estrutura corporal e principalmente envergadura. Niang é um projeto em desenvolvimento e que apresenta ótimas ferramentas, com mobilidade acima da média e um bom conjunto de pass sets, conseguindo trabalhar bem contra speed rushers. Precisa melhorar na colocação e trabalho de suas mãos, pois tem algumas dificuldades nessa batalha e deixa o peito muitas vezes exposto, fator que contribui para desequilíbrios e a consequente perca de posições, muito embora ele demonstre um ótimo poder de recuperação e ainda consiga “retornar” nas jogadas.

O atleta também é uma força no jogo terrestre, se movendo muito bem e chegando com desenvoltura no segundo nível de bloqueios. Demonstra um bom QI de futebol, com capacidade de identificar bliz e movimentações diferentes dos marcadores, além de uma ancoragem acima da média, com muita força e sustentação na parte inferior do corpo, sendo dificilmente movido ou batido no bull rush. Possui uma ética de trabalho muito elogiada e reconhecida por companheiros e treinadores, algo que bem sabemos ser muito importante na NFL e que pode ser fundamental para que consiga sucesso no futuro, pois a princípio não deve ser titular, mas tem o potencial e as condições necessárias para substituir Eric Fisher ou Mitchell Schwartz, quando valor de contrato e idade forem um problema maior e demandarem isso. Embora também exista e se fale dá possibilidade de atuar como guard, principalmente por necessidade nesse início, o vejo naturalmente mesmo como tackle e com boas possibilidades. Não fossem os problemas de lesão, fatalmente teria sido selecionado mais cedo no draft.

No terceiro dia, o Chiefs finalmente buscou cornerbacks, talvez a maior necessidade de todas, selecionando L’Jarius Sneed (Louisiana Tech) na 4ª rodada e Bopete Keyes (Tulane) na 7ª rodada, escolha essa que o time originariamente não tinha e trocou uma seleção de 6ª rodada de 2021 para obter. Sneed mesmo jogando como safety em 2019, tem CB como a posição mais natural e na qual atuou na maior parte da carreira. É um excelente atleta, de bom tamanho e que tem ótimo ball skills e a velocidade necessária para jogar como outside, porém, tem que evoluir seu trabalho na marcação no press, assim como tornar seu jogo mais físico e confiável quanto a distribuir tackles. Já Keyes é um projeto a ser desenvolvido e que irá buscar garantir uma vaga no elenco, mas que vale ficar de olho, pois o time viu valor suficiente para negociar e não perder a oportunidade de tê-lo.

As adições na posição foram tímidas e realmente podem ser questionadas, diante da grande necessidade da equipe de pelo menos um jogador que pudesse chegar para contribuir imediatamente, algo que ficou ainda mais urgente depois do episódio envolvendo Bashaud Breeland no final do último mês, onde o CB foi preso com uma série de acusações que devem trazer reflexo e uma punição da NFL. Inegavelmente o Chiefs ainda carece de ajuda no setor e esse talvez seja hoje o grande problema no elenco.

Como não poderia deixar de acontecer, já que vem sendo uma constante recente, tivemos ainda a seleção de mais um jogador vindo de Michigan, o EDGE Michael Danna, na 5ª rodada, que chega para trazer profundidade e ajudar na rotação do setor.

Diante do cenário apresentado, por mais que existam questionamentos sobre a priorização de uma posição em detrimento de outras, é inegável o bom trabalho feito pelo GM Brett Veach no draft de 2020, fortalecendo a equipe e pensando não somente nas brechas atuais do elenco, como também em reposição e situações de desenvolvimento para o futuro. Nada mal para o atual campeão, que promete mais uma vez ter um ataque dominante e uma defesa mais sólida, que possa aparecer e auxiliar nos momentos decisivos.

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