terça-feira, 20 de novembro de 2018

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Dos cinco quarterbacks escolhidos na primeira rodada do draft deste ano, Lamar Jackson, do Baltimore Ravens, foi o último a receber uma oportunidade como titular. Isso já era esperado, devido ao Ravens possuir um veterano capaz em Joe Flacco e não ter necessidade alguma de acelerar o desenvolvimento de Jackson. Como reserva, ele vinha trabalhando nas suas deficiências e recebendo um pacote de jogadas, na vasta maioria do tempo corridas, para executar algumas vezes por jogo todas as semanas. Porém, uma lesão de Flacco finalmente abriu a porta para o novato e ele impressionou, aproveitando a oportunidade da melhor maneira possível no momento.

Não é segredo que o ex-quarterback da universidade de Louisville era um dos meus prospectos favoritos no processo pré-draft, por se tratar de um caso único na posição. Não é todo dia que vemos um jogador com a capacidade atlética de Jackson ser também um promissor passador na NFL. De fato, o único caso comparável aconteceu em 2001, quando Michael Vick foi a primeira escolha geral do draft daquele ano e se tornou um jogador que revolucionou o jogo e a posição de quarterback na NFL. Ele possuía um braço superior ao de Jackson, que por outro lado, tendo trabalhado no college com o guru de quarterbacks Bobby Petrino, é o passador mais avançado nesse mesmo ponto das suas respectivas carreiras. No entanto, o diferencial de ambos, é a velocidade e agilidade absurdas que os proporcionam a criar jogadas em situações adversas e punir as defesas adversárias no jogo terrestre ou estendendo jogadas e achando recebedores livres.

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17 anos se passaram até que finalmente um prospecto mostrou reais condições de ser “o próximo Mike Vick”. Em sua estréia como titular, vimos que Jackson está longe de ser um exímio passador neste momento. Ele ainda opera um playbook bem limitado, com leituras simples de apenas meio campo e é propício a erros bobos, como o da interceptação que colocou sua equipe numa situação complicada na partida. Porém, no coordenador ofensivo Marty Mornhinweg e no técnico assistente Greg Roman, o Ravens possui dois capazes treinadores que já tiveram muito sucesso com quarterbacks que ofereciam estilos similares ao novato.

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Mornhinweg era o coordenador ofensivo do Eagles em 2010, quando Vick teve o melhor ano de sua carreira lançando a bola e liderou a equipe ao título da divisão. Roman, por sua vez, era o responsável pelo ataque do 49ers que, liderado por Colin Kaepernick, fez um estrago nos playoffs da temporada 2012 e, por muito pouco, não venceu o Super Bowl. Ele também contribuiu com as melhores temporadas de Tyrod Taylor em Buffalo. Com Jackson em campo, vemos muitas das formações e jogadas utilizadas por essas equipes sendo implementadas no ataque do Ravens e o novato, já tão cedo, causando muitos problemas as defesas adversárias.

Flacco ainda é o melhor passador da equipe, e por uma boa margem. Porém, o que Jackson oferece, pode fazer com que uma verdadeira “QB controversy” esteja prestes a acontecer em Baltimore. Com ele em campo, o ataque terrestre melhora drasticamente. A ameaça que o novato oferece faz com que a defesa hesite a cada handoff, melhorando a produção dos running backs. O jogo corrido passa a ser tão eficiente, que a preocupação excessiva com essa ameaça faz com que as defesas adversárias fiquem muito mais expostas no jogo aéreo, permitindo que um passador limitado como Jackson é no momento, tenha a vida muito facilitada. Isso ficou claro no jogo de domingo contra o Bengals. Baltimore anotou um touchdown na primeira campanha sem lançar a bola uma vez se quer.

Após estabelecer o jogo corrido, Jackson começou a punir a defesa de Cincinnati com passes rápidos no meio do campo, principalmente em play-action fakes ou RPOs, se aproveitando da agressividade excessiva dos linebackers adversários mordendo a isca do jogo corrido e deixando suas costas livres. Suas habilidades, ainda longe de estarem completamente refinadas, põe muita pressão na defesa adversária. Além da óbvia velocidade e agilidade correndo com a bola ou se livrando de pass rushers, seu “quick release”, a velocidade do movimento para lançar a bola, é algo de encher os olhos. Combinada com a velocidade que põe nos passes, isto permite que a bola chegue rapidamente ao alvo desejado.

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Baltimore possui uma das melhores defesas, se não a melhor defesa, da NFL. Somá-la a um potente jogo corrido, que mantém as defesas adversárias em campo por longos drives e, principalmente, potenciais ataques explosivos nas sidelines, pode ser a melhor receita para o sucesso da equipe em 2018. Lamar Jackson oferece essa possibilidade e, por isso, o head coach John Harbaugh declarou após a partida que o novato jogou um “futebol vitorioso” em sua estréia como titular. Não fosse pela má decisão na interceptação que lançou, muito provavelmente estaríamos falando de um jogo perfeito do jovem QB, dentro das circunstâncias apresentadas.

Apesar dessa fórmula ser um problema à partir do momento que algum ataque adversário consiga abrir duas ou três posses de diferença, forçando Jackson a se expor mais em situações claras de passe, acredito que esse é o melhor caminho para o Ravens na sequência da temporada. A defesa é o carro chefe da equipe e esse tipo de ataque é o que mais a ajuda no momento. Mesmo com Flacco, o time tem poucas chances de ser competitivo na maioria dos jogos que sua defesa não for capaz de segurar os adversários. Ainda vimos que mesmo perdendo por 21-13 no terceiro quarto, o ataque liderado por Jackson foi capaz de buscar o resultado, com o playmaker completando passes decisivos, dentro ou fora do pocket, e ganhando importantes primeiras descidas com suas pernas.

O novato terminou o jogo completando 13 de 19 passes para 150 jardas e acrescentou mais 117 jardas terrestres em 27 carregadas. Nunca um QB na franquia havia corrido para tantas jardas e a última vez que um jogador da posição correu tantas vezes com a bola foi em 1999. Obviamente esse número de carregadas para a posição não é sustentável semana após semana, o novato necessitará de se cuidar muito para não se lesionar. De qualquer maneira, ele é um jogador único na liga, o motivo pelo qual eu o tinha como o QB2 no meu board pré-draft, atrás apenas de Josh Rosen.

Com Flacco dificilmente tendo condições de jogar no próximo domingo, contra o Raiders em Baltimore, Jackson terá uma ótima oportunidade de liderar sua equipe a segunda vitória consecutiva e se aproximar de ser efetivado como o QB titular da equipe. Será muito interessante acompanhar os próximos capítulos da “Lamar Jackson experience” em Baltimore, os torcedores do Ravens tem motivos de sobra para estarem animados.

4 downs

1st & goal: Lamentável a lesão seríssima de Alex Smith, quebrando a perna no mesmo exato 18/11 em que Joe Theismann, lendário QB do Redskins, sofreu outra horrível lesão, 33 anos atrás. Num momento que a NFC Leste está completamente em aberto, essa pode ser a diferença entre Washington vencer a divisão ou talvez nem chegar aos playoffs. Dallas vem no melhor momento, Philadelphia no pior e Washington dependerá de Colt McCoy para se manter à frente. Gosto do ex-Longhorn, só não sei se será o suficiente para segurar a reação do Cowboys.

2nd & goal: Na AFC Sul, o Texans lidera e vem bem mas o Colts é quem mais impressiona no momento. Deu uma surra no Titans, que parecia a equipe mais completa, mas voltou a oscilar, principalmente na posição de QB. Mariota voltou a ter dificuldades e acabou se machucando após isso. A defesa de Indianapolis mostrou evolução e, caso consiga manter o nível apresentado no último domingo, pode transformar o Colts num ótimo candidato a vaga nos playoffs. O ataque é um dos melhores da liga e Andrew Luck vem jogando demais.

3rd & goal: Já o Jaguars, que parecia decidido a começar uma volta por cima contra o Steelers, acabou não aguentando a pressão e perdeu mais uma. A defesa é muito talentosa e mostrou ser uma das poucas na liga capaz de parar um ataque fortíssimo. O problema é que o ataque não contribui em nada, inadmissível quando seu head coach é, supostamente, uma mente ofensiva. Jacksonville pode voltar a ser fortíssimo ano que vem, caso demita Doug Marrone e contrate um verdadeiro especialista em ataque para o comando da equipe.

4th & goal: O que falar de Drew Brees e o New Orleans Saints? A equipe está num momento mágico, com uma defesa melhorada e um ataque impossível de ser parado. Sean Payton não tirou o pé do acelerador mesmo tendo uma enorme vantagem e fez do duelo contra o atual campeão Eagles um jogo para mandar um aviso a toda à liga. 48-7 Saints, que vão em busca do Super Bowl e Brees, a cada semana que passa, assume mais o posto de favorito ao título de MVP de 2018.


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