sábado, 5 de setembro de 2020

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Quando o relógio marcar 17 horas neste sábado, dia 05 de setembro de 2020, todas as 32 franquias da NFL deverão ter reduzido seus elencos ao número de 53 jogadores, o que implicará na dispensa de centenas de atletas, num final de semana que é reconhecidamente muito difícil para todos na liga. Uma das primeiras vítimas dessa série de cortes foi o veterano Running Back Adrian Peterson, cortado na sexta-feira pelo Washington, numa movimentação que de certa maneira surpreendeu, pois a essa altura era esperado que o jogador pudesse liderar o backfield da equipe por mais um ano.

Com o ocorrido, as perguntas que permeiam agora são: como a unidade de corredores da equipe será constituída e qual o impacto que isso trará para a produção e evolução do ataque do time da capital norte-americana, questões que abordaremos e vamos discutir a partir de agora.

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Cumpre inicialmente destacar que o plano inicial com relação ao jogo terrestre era bem diferente há cerca de um mês atrás, quando Derrius Guice ainda fazia parte do time e era a grande esperança de produzir jardas e liderar as carregadas. Contudo, veio a prisão do jogador sob alegações de violência doméstica, resultando na sua justificável dispensa, algo que se intensificou ainda mais com denúncias de estupros contra Guice, que teriam sido ocorridos ainda na época do jogador em LSU. Dessa maneira, naturalmente o foco voltou mais uma vez para Adrian Peterson, que seria o nome natural para liderar o backfield de Washington pelo terceiro ano seguido, apesar de seus 35 anos de idade. Mesmo com a idade avançada, principalmente levando em consideração o desgaste e dificuldade de sua posição, o RB deu mostras em 2019 de que ainda tem gás e capacidade para produzir, tendo obtido 1040 jardas totais (entre corridas e recebidas) em 228 toques na bola, tudo isso em 15 jogos e sem lidar com maiores problemas de lesão. Ainda assim, a direção e comissão técnica optaram por um caminho diferente e dispensaram o veterano, liberando assim cerca de $2.4 milhões no cap salarial.

Como opções na posição, restaram então Antonio Gibson, Bryce Love, Peyton Barber e J.D. McKissic. Com tais peças, embora não sejam nitidamente evidentes os papeis e a ordem prioritária da utilização dos jogadores, é possível vislumbrar o que o time está buscando, rejuvenescendo o backfield e colocando maior versatilidade à disposição. Nas palavras do próprio treinador principal, Ron Rivera, foi exposto que a decisão pela dispensa de Adrian Peterson está relacionada muito mais ao que os jovens jogadores podem ofertar, do que a alguma incapacidade do experiente atleta.

Embora num primeiro momento os holofotes se virem para Antonio Gibson, calouro draftado no início da terceira rodada desse ano, me parece pouco provável que o novato possa ser o líder de corridas em Washington, pois se enquadra muito mais como um “Gadget Player”, do que propriamente como um RB, o que implica na sua utilização de várias formas diferentes em campo, tanto que o jogador vem trabalhando no training camp com o grupo de RBs e também com o grupo de WRs. O fato de ter apenas 33 carregadas durante toda sua carreira no College, em Memphis, também é um forte fator nesse sentido, elucidando a pouco experiência do jogador em comandar as ações terrestres. Isso, todavia, não quer dizer que o jogador não vá ser muito utilizado e explorado, devendo ser um fator no ataque com toda sua velocidade e explosão, gerando duelos favoráveis na medida em que seja movido pelo campo.

Dá mesma maneira, J.D. McKissic também se apresenta muito mais como uma boa opção no jogo aéreo do que propriamente correndo com a bola, tanto que vem trabalhando inclusive alinhando no slot durante os treinamentos, posição na qual se destacou durante seus primeiros anos na liga com o Seattle Seahawks e Detroit Lions. A presença e utilização de ambos os citados, demonstra como o time está empenhado em dar mais armas a Dwayne Haskins e de certa maneira tentar compensar os desfalques e pouca profundidade na posição de WR.

Com a missão de “carregar o piano propriamente” e talvez ter o maior número de carregadas e tentativas de corridas, ficam então Payton Barber e Bryce Love. Antes pouco cotados, os jogadores agora provavelmente terão a incumbência de impulsionar o jogo terrestre do time. Embora ainda não esteja claro de quem terá a preferência no início, o fato é que ambos terão oportunidades e a balança parece pender primeiramente para Barber, que vem de suas quatro primeiras temporadas na NFL com o Tampa Bay Buccaneers e com isso já é muito bem conhecido pelo treinador Ron Rivera, ainda dos duelos na NFC Sul. Durante os treinamentos o jogador teve mais repetições com o primeiro time do que Love e deve ser uma opção bem avaliada, principalmente em situações de descidas mais curtas e na linha de gol.

RB Peyton Barber terá agora seu papel ampliado no ataque de Washington.

Bryce Love tem uma trajetória curiosa e um potencial reconhecidamente enorme, que pode emergir em algum momento e ser extremamente importante para o ataque da equipe. Tido como um dos principais prospectos da posição de RB no início do processo do draft de 2019, o jogador, que já chegou inclusive a ser candidato ao prêmio Heisman (principal premiação do College), viu seu valor descer bastante com uma série de lesões ainda em 2018, incluindo um rompimento de ligamento no joelho (ACL) que o fez necessitar de cirurgia. Ausente durante todo o ano de 2019 e tendo realizado outra cirurgia no mesmo joelho, a questão é ver como o jogador vai responder agora que está aparentemente saudável e entra praticamente como um calouro nessa temporada.

Diante desse cenário, fica evidente que existe um plano para o backfield de Washington e que ele passa pela boa utilização e aproveitamento de todas as peças existentes, valendo-se das principais valências de cada jogador, diferentemente do que aconteceria caso Adrian Peterson permanecesse com a equipe, onde fatalmente iria ter e demandar um maior volume de toques, algo que vai na contramão daquilo que o coordenador ofensivo Scott Turner parece buscar no momento. Com relação ao veterano RB, ele já deixou claro que pretende seguir jogando e não tenho muitas dúvidas de que encontrará um papel complementar dentro de algum time na NFL

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