domingo, 13 de março de 2016

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A liga explica - L32

O Salary Cap da NFL representa o valor que as equipes da liga têm para gastar com os salários somados de todos os jogadores de seu elenco. A comissão técnica, por exemplo, não entra nesta conta. Usando a temporada de 2015 como exemplo, o teto salarial era de U$ 143,28 milhões, o que significa que, na teoria, nenhum time pode gastar nem um centavo a mais do que esse valor – somando os salários dos 53 jogadores que mais recebem. Na prática, porém, existem alguns ajustes que ajudam as franquias a gastar um pouco mais do que o teto estabelecido. Sobre estes ajustes, explicaremos melhor durante o texto.

O valor do Salary Cap é definido de acordo com todo o lucro que a liga teve na temporada anterior e, em média, ele vem crescendo cerca de 10 milhões por ano. Todas as equipes são obrigadas a gastar pelo menos 89% do valor do teto de acordo com a média dos últimos quatro anos. Caso isso não aconteça, a liga tem o direito de punir a franquia. Já a NFL, por sua vez, precisa gastar 95% do Salary Cap do ano – fazendo a média entre todas as equipes – ou terá de repassar essa diferença entre os valores para os atletas.

Todas estas regras foram criadas visando colocar as equipes nas mesmas condições de competição. Não importa se sua franquia está em um mercado gigante ou em um mercado pequeno, com o mesmo valor determinado pela liga para ser gasto, as chances de se tornar uma equipe de sucesso e brigar em situação de igualdade são maiores.

AJUSTES

Algumas equipes não gastam todo o valor do Salary Cap em um ano e por isso podem levar um “carryover’’, espécie de sobra, para o ano seguinte. Existem ainda alguns outros ajustes que são muito complicados de se entender, mas que se referem a previsões feitas e que não se concretizaram ou que saíram com um valor maior do que o previsto. Na tabela abaixo, separamos os valores de Carryover (sobra) e ajustes que cada equipe teve na temporada passada, além do Salary Cap ajustado de cada franquia

(as equipes com o nome em vermelho estão abaixo da média de 89% nos últimos quatro anos)

tabelaCap1

CONTRATOS

Salário Mínimo

Na NFL não existe um valor máximo para os contratos. Se uma equipe quiser pagar 100 milhões por ano a um jogador, ela poderá pagar, mas terá problema para construir o resto do seu elenco. Por outro lado, existe o salário mínimo, que varia de acordo com cada jogador. Um novato que não foi selecionado no Draft que entra para a liga deverá receber no mínimo 435 mil dólares no ano. Já para os veteranos, esse salário mínimo é maior e aumenta de acordo com os anos de experiência do atleta. Um jogador com 10 anos de NFL, por exemplo, deverá receber no mínimo 970 mil dólares no ano.

Bônus e Dinheiro garantido

Em algumas ligas americanas, quando um jogador assina um contrato, ele irá receber todo o valor estabelecido, independente se ele será cortado ou não. Já na NFL, o jogador só tem a garantia que irá receber o seu bônus ou o dinheiro garantido no contrato. O resto da quantia só será pago caso o atleta cumpra o seu acordo até o fim.

Para deixar mais claro, vamos usar o exemplo do DE Darnell Dockett, que assinou um contrato de 2 anos com o San Francisco 49ers no valor de 7 milhões. Desta quantia, 2 milhões são garantidos. Isso significa que, se ele for cortado amanhã, só receberá os 2 milhões que eram garantidos no contrato, perdendo o direito de contar com os outros 5 milhões. Caso Dockett cumpra os dois anos de contrato sem ser cortado, ele receberá os 7 milhões integralmente.

Para atrair os jogadores e afastar a disputa com outros times, é comum que as equipes ofereçam um bônus pela assinatura do contrato. Esse bônus, em alguns casos, é pago integralmente assim que o contrato é assinado, mas na maioria dos acordos ele é dividido entre os anos em que o atleta jogará pela equipe para que o  teto salarial não seja prejudicado durante uma temporada só, não recaindo todo o bônus de uma vez sobre o teto salarial.

Existem alguns outros tipos de bônus, como por exemplo o bônus por Workout: ele pode ser incluído no contrato para que o jogador participe de atividades do time na Offseason. Outro bônus bastante utilizado é o por produção, que é escolhido de acordo com a posição do atleta. Se for um pass rusher, por exemplo, ele poderá ter um bônus no contrato caso consiga 10 sacks. O roster bônus também vale ser citado. Ele é pago ao jogador caso ele esteja no elenco da equipe até o dia acertado em seu contrato. Em caso de corte antes da data estabelecida no acordo, o atleta não receberá esse bônus.

Todos os bônus que as equipes podem usar pesam no Salary Cap. Alguns são parcelados pelos anos de contrato, outros cobrados no ano seguinte, mas todos aparecerão em algum momento dentro das contas de cada time.

A tabela abaixo representa uma estimativa de como foi dividido o salário do QB Drew Brees para a temporada de 2015. Podemos observar que o salário base dele é de U$ 18,750,000 com 100% desse valor garantido. Brees receberá também U$ 250,000 como bônus de workout e ainda tem U$ 7,400,000 referentes ao bônus que ele recebeu pela assinatura do contrato, totalizando U$ 26,400,000 no Salary Cap do Saints em 2015.

TABELA3cap

Renegociação de contrato

Algumas equipes administram mal o seu Salary Cap e acabam gastando mais dinheiro do que deveriam. Uma saída para a franquia conseguir manter o jogador e liberar espaço no seu cap (teto salarial) é renegociar o contrato. Quando um time renegocia o contrato de um jogador, ele não está necessariamente cortando algum valor que o atleta irá receber. O que acontece geralmente é a equipe oferecer mais dinheiro garantido ou até mesmo mais tempo de contrato em troca de um parcelamento mais favorável. Assim, o jogador aceita receber menos essa temporada, mas volta a receber mais do que o que tinha sido acordado nas temporadas seguintes. É uma espécie de compensação, o atleta ajuda o time a abrir espaço no cap que está apertado e em troca recebe mais lá na frente.

Vamos usar o exemplo do próprio New Orleans Saints de Drew Brees. Para 2015,  a equipe da NFC Sul estava com o Salary Cap estourado em mais de 20 milhões e teve que cortar e renegociar o contrato de alguns jogadores. O DE Junior Galette custava U$ 15,450,000 no Salary Cap da equipe em 2015, U$ 5,800,000 em 2016, U$ 6,500,000 em 2017, U$ 8,200,000 em 2018 e U$ 8,400,000 em 2019. Claramente o valor do salário neste ano é muito maior do que nos anos seguintes. Uma alternativa para o Saints seria então renegociar o seu contrato e pagar, por exemplo, U$ 9,846,000 este ano, US$ 7,201,000 em 2016, US$ 7,901,000 em 2017, U$ 9,601,000 em 2018 e U$ 9,801,000 em 2019. Ele receberia menos esse ano, ajudaria o time a lidar com o cap negativo e, em troca, receberia a diferença nos anos subsequentes.

Essa manobra no contrato do jogador liberaria para o Saints cerca de 6 milhões no teto salarial. Para o atleta também seria interessante, pois aumentaria a parte garantida do seu acordo – ele ganharia um bônus, garantido, para substituir uma parte não garantida do seu contrato – e afastaria a chance de ser cortado para aliviar o teto.

Dinheiro Morto

O “dead Money” – ou dinheiro morto – acontece quando uma equipe corta um jogador que tinha dinheiro garantido para receber. Muitas equipes assinam contratos longos e com muito dinheiro garantido para os jogadores, mas com o passar do tempo o nível do atleta vai caindo e ele acaba se tornando um peso no Salary Cap. Assim, ele pode ser alvo de um possível corte, mas o dinheiro garantido que ele tinha para receber fica como dead money  no Salary Cap da equipe. Ou seja, ele não está mais no time, mas aquele dinheiro garantido fica incluído nas contas e não pode ser utilizado. É como uma dívida bloqueada no teto salarial da equipe. Se os times têm 143,28 milhões para investir em 2015, caso um time A tenha 10 milhões em dead money, ele terá 133,28 milhões de cap total nesse mesmo ano.

Abaixo, vemos uma estimativa do contrato do QB Tom Brady. Pode-se observar que o contrato dele tem 6 milhões de bônus de assinatura (prorated) por ano. Se o Patriots, por algum motivo, quisesse cortá-lo em 2015, ele deixaria um rombo de 18 milhões de dólares em dinheiro morto no Salary Cap da equipe (já que são 6 milhões por ano de bônus e 3 temporadas). Enquanto isso, seu salário seria somente de 14 milhões e ele daria mais prejuízo sendo cortado do que ficando em 2015. Já em 2017, só sobrariam 6 milhões garantidos pelo bônus em seu contrato e caso ele fosse cortado (pois só faltaria 1 ano), o Patriots teria 6 milhões de dinheiro morto e liberaria 10 milhões no Salary Cap – valor do seu salário que não é garantido. Como perceberam, no contrato do Brady, apenas os bônus são garantidos, nada do salário.

TABELA4cap

Trocas

Quando um jogador é trocado para outra franquia, sua nova equipe assume o que resta do seu contrato antigo. Os bônus já pagos para o atleta por sua equipe anterior, porém, viram dinheiro morto no Salary cap do time original do jogador. Um exemplo atual desta situação é o WR Percy Harvin, que foi trocado do Seahawks para o Jets em 2014. Mesmo sem jogar mais por Seattle, ele trouxe um prejuízo de cerca de 7,2 milhões em Dead Money para a franquia. Já o Jets, caso decidam cortar o jogador, não ficariam com nenhum dinheiro morto, pois o bônus garantido no contrato de Harvin foi pago pelo time de Seattle.

Espaço no Salary Cap

A tabela abaixo mostra o quanto cada time gastou ano passado com seus elencos e o espaço livre que cada um ainda tinham em seus Salary Caps. Vale lembrar que todos os dias diversas transações acontecem na NFL e os números acabam mudando constantemente.

Tabelacap2

Muitas pessoas perguntaram também o que aconteceria se um time estourar o Salary Cap. Nesse momento da Offseason, essa situação ainda é permitida, mas na medida em que a temporada se aproxima, a regra dos 53 maiores contratos entra em ação e nenhuma equipe pode ficar acima do teto. A NFL tem o poder de forçar qualquer franquia a entrar no teto permitido e, em último caso de descumprimento, até excluí-la da temporada.

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