quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

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No próximo domingo (03/02), a temporada 2018-2019 chega ao seu ápice com a disputa do Super Bowl LIII entre New England Patriots e Los Angeles Rams. É a 9ª vez que um time comandado por Bill Belichick chega a grande final da NFL, que dessa vez será disputada em Atlanta, na Georgia. Entretanto, cada jornada têm sua peculiaridade e a trajetória do Patriots até aqui foi bastante especial. Vamos então conferir como foi o caminho percorrido pela maior dinastia da liga até a disputa de mais um Super Bowl.

Offseason agitada

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Como se não bastasse a dolorosa derrota para o Eagles no último Super Bowl, Belichick estava prester a perder seus dois principais coordenadores com Matt Patricia indo assumir o cargo de Head Coach no Detroit Lions e Josh McDaniels sendo anunciado para o mesmo cargo no Indianapolis Colts. Porém, em uma reviravolta bizarra de eventos, McDaniels voltou atrás de sua decisão e continuou em New England mesmo após ser oficialmente anunciado pelo Colts e já ter montado parte de seu staff. Polêmicas à parte, o retorno do técnico era boa notícia para o Patriots (e futuramente foi para o Colts também), já que o ataque do time tem tido um sucesso considerável desde a chegada de McDaniels para o cargo de coordenador ofensivo.

Como se não bastasse ter que reformular parte de sua comissão, o Patriots também teve perdas significativas no seu elenco. Além da aposentadoria do TE Martellus Bennett, titulares de temporadas anteriores como o LT Nate Solder, WR Danny Amendola, CB Malcolm Butler e o RB Dion Lewis receberam ofertas externas mais agradáveis e acabaram assinando contratos com outras franquias.

Para reposição, o Patriots preferiu explorar trocas ao invés de disputar nomes de peso no mercado. A opção se revelou bastante proveitosa visto a chegada de jogadores que contribuíram para o sucesso do time como o OT Trent Brown (SF), CB Jason McCourty (TEN), WR Cordarrelle Patterson (OAK) e mais tarde o problemático WR Josh Gordon (CLE). O time ainda conseguiu uma escolha extra de primeira e  uma de sexta rodada em troca do WR Brandin Cooks e uma escolha de quarta rodada para o seu futuro rival no Super Bowl LIII, o Los Angeles Rams.

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No draft, após muitas especulações, Bill Belichick acabou surpreendendo parte dos analistas e optou por utilizar suas duas escolhas na primeira rodada para reforçar o ataque com a chegada dos versáteis OL Isaiah Wynn e do RB Sony Michel, ambos da Universidade da Georgia. Sem muitas escolhas no segundo dia do Draft, a franquia optou por dar mais profundidade ao elenco nas rodadas finais do evento. Após outras pequenas movimentações durante o ano, a base do elenco estava formada para o início da próxima temporada

Começo devagar

Ainda na pré-temporada, o time sofreu um perda significativa com a lesão de sua primeira escolha no Draft, Isaiah Wynn, que consequentemente o tiraria de campo pelo resto da temporada. A inesperada lesão seria outro golpe para o ataque do time, que também não contaria com o WR Julian Edelman nas quatro primeiras partidas da temporada após o recebedor ser suspenso por usar substâncias proibidas pela liga.

Com o fim da pré-temporada e sem outras perdas de grande relevância para a equipe titular, a equipe estava pronta para estrear na temporada regular recebendo o Houston Texans no Gilette Stadium. Após dominar o primeiro tempo, a franquia viu os visitantes encostarem no placar mas não o suficiente para sair de Boston com o triunfo. O resultado final foi vitória para New England por 27 a 20, com Brady lançando 3 TDs.

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Apesar da vitória na estreia, a franquia viria a perder os dois confrontos seguintes. Na reedição da última final de conferência, o Patriots foi dominado pelo Jacksonville Jaguars fora de casa e saiu da Florida derrotado por 31 a 20. Na semana seguinte, novamente o time teve um desempenho muito abaixo do esperado e não ofereceu perigo para o Lions, perdendo por 26 a 10 a partida que marcou o primeiro duelo de Belichick com seu ex-pupilo. Era a primeira vez desde 2012 que o Patriots perdia 2 dos 3 primeiros jogos e sendo duas derrotas consecutivas por mais de dois dígitos de diferença, o que não acontecia desde 2002.

A volta por cima

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Com o sinal de alerta ligado, o time teria a chance de recuperação contra um rival ao receber o Miami Dolphins. Em grande partida de seus running backs e da defesa, o Patriots não desperdiçou a oportunidade e atropelou o rival, vencendo por 38 a 7. Na semana seguinte, outro grande triunfo contra outro rival ao bater o Colts por 38 a 24 também em casa.

Na semana 6, o time teria o seu desafio mais difícil até então ao receber o até então invicto Kansas City Chiefs no Sunday Night Football. A partida correspondeu às expectativas e veio a ser uma das melhores de toda a temporada regular. Em um grande duelo ofensivo de ambas as partes, o Patriots saiu com o triunfo graças a um FG de 28 jardas com cronômetro zerado de Stephen Gostkowski, que definiu o placar final em 43 a 40.

Na rodada seguinte, outro grande jogo, dessa vez contra o forte Chicago Bears no Soldier Field. A equipe viu o adversário abrir duas posses de vantagem, mas contou com um grande dia de seu time de especialistas para sair de Chicago com a vitória.

Nos dois duelos posteriores, outras duas vitórias com algumas similaridades com a franquia sacramentando a vitória apenas no período final. Contra um desfalcado Buffalo Bills fora de casa, o ataque teve bastante dificuldade em marcar pontos durante boa parte da partida. Foi necessário outro bom jogo de Gostkowski e uma pick-six de Devin McCourty para definir o placar em 25 a 6. Em seguida, o time recebeu o Packers de Aaron Rodgers e o roteiro foi parecido. A defesa conseguiu evitar muitos pontos do adversário, mas o ataque teve dificuldade em capitalizar as oportunidades nos três primeiros quartos. Foi apenas no último período que o setor deslanchou, marcou 14 pontos e ajudou o time a sair de campo com a vitória por 31  a 17.

Fim da sequência

Embalado após seis vitórias consecutivas, o Patriots chegava em Tennessee como favorito. O tom foi parecido com os dois duelos anteriores, com o ataque não conseguindo marcar muitos pontos em grande parte da partida. A diferença é que dessa vez a defesa do time não conseguiu segurar o adversário, que também impediu o setor comandado por Tom Brady de crescer na etapa final. A sonora derrota 34 a 10 foi a primeira do Patriots para o Titans  em 16 anos e marcou o reencontro de Malcolm Butler e Dion Lewis com o ex-time.Felizmente, a franquia soube aproveitar a semana de folga e voltou a campo com triunfos sem muitas dificuldades contra o New York Jets (27 a 13 fora de casa) e Minnesota Vikings (24 a 10 em Foxborough).

O Milagre de Miami

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Com uma campanha de 9-3 e liderando a divisão, o Patriots reencontrava o Dolphins em Miami. Diferente do último confronto, o resultado final deixou um gosto bastante amargo na torcida do New England. Apesar do ataque do time ter sido bastante produtivo, a defesa teve muitas dificuldades em parar o adversário e a partida chegou até a reta final com um placar apertado. Um FG de 22 jardas parecia ter definido a vitória para o Patriots visto que o Dolphins necessitava de um TD para virar o jogo e tinha apenas 16 segundos no relógio. Entretanto, com 7 segundos no relógio, o Dolphins conseguiu a improvável e dolorosa virada após trocas de passes laterais que culminaram no TD de 52 jardas do RB Kenyan Drake e a vitória de 34 a 33 para Miami.

Após o revés inesperado, o time ainda sofreu outro duro golpe na semana seguinte. Em outro desempenho inconsistente do ataque, a franquia perdeu para o Steelers fora de casa por 17 a 10. Era a primeira vez que o time perdia para o rival de conferência em sete anos e também a terceira vez na temporada que o ataque não ultrapassava os 10 pontos.

Recuperação e classificação para a pós-temporada

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A campanha 9-5 ainda mantinha o Patriots na liderança da divisão, mas sob o risco de não conseguir a folga na primeira semana dos playoffs. Felizmente, os dois duelos restantes eram bastante favoráveis já que o time recebia os frágeis Buffalo Bills e New York Jets em Boston. Sem poder contar com o WR Josh Gordon, que novamente foi suspenso, a franquia saiu de campo com vitórias e sem enfrentar muitas dificuldades. O triunfo por 24 a 12 contra o Bills garantiu o 10º título consecutivo da AFC Leste, enquanto que a vitória de 38 a 3 sobre o Jets levou o time a uma campanha de 11-5 e garantiu a folga na primeira semana dos playoffs.

Playoffs

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Enquanto aproveitava a folga, o Patriots viu o seu adversário da rodada divisional ser definido após o Los Angeles Chargers vencer o Baltimore Ravens na rodada de Wild Card. Apesar da força do rival, a equipe comandada por Belichick não tomou conhecimento e literalmente atropelou a franquia de Los Angeles. A equipe se aproveitou de excelente plano de jogo – tanto do ataque como da defesa – e um grande dia de seus running backs para abrir 28 pontos antes do intervalo e apenas administrar a vantagem até o fim da partida. A vitória pelo placar final de 41 a 28 foi a 28ª da carreira de Tom Brady e levava a mais um reencontro com o Chiefs, dessa vez na final de conferência.

O jogo contra o Chiefs acabou por corresponder às expectativas criadas pelo último confronto pelos dois times. Apesar das defesas terem aparecido mais durante os três primeiros quartos, os ataques cresceram no último período e somaram incríveis 38 pontos, sendo que 24 desses pontos foram marcados nos últimos 4 minutos do tempo regulamentar.

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As situações mais dramáticas ocorreram nos últimos 2 minutos de partida. Com pouco tempo no relógio e perdendo por quatro pontos, o Patriots precisava de um TD para virar o jogo. em 3ª para 10 na linha de 35 jardas de ataque, Brady tentou conectar com o TE Rob Gronkowski, mas o drop do recebedor acabou sendo interceptado pelo DB Charvarius Ward. Na tentativa de retorno de INT, Ward ainda sofreu um fumble que foi recuperado pelo próprio Chiefs. O turnover daria a posse para o time de Patrick Mahomes e praticamente garantia a vitória do time. Porém, uma falta da defesa anulou a jogada e deu mais uma oportunidade ao ataque do Patriots, que soube capitalizar e marcar o TD após nova conexão de Brady com Gronk. Mesmo com pouco tempo no relógio (aproximadamente 30 segundos), o ataque do Chiefs conseguiu cruzar o campo e marcar o FG de 39 jardas para empatar a partida e levar para a prorrogação.

Após conseguir a primeira posse durante o cara ou coroa, o ataque do Patriots novamente conseguiu cruzar o campo e garantir a vitória fora de casa após a corrida de 2 jardas do RB Rex Burkhead que definiu o placar final em 37 a 31. O resultado colocou o Patriots de Belichick pela nona vez no Super Bowl, sendo a terceira vez na história que uma franquia consegue chegar à grande final pela terceira vez consecutiva.

Agora com o fortíssimo Los Angeles Rams pela frente, a equipe de Boston tem a chance de conquistar seu sexto título, podendo alcançar o Pittsburgh Steelers como os maiores vencedores do Super Bowl. Além disso, é mais uma chance da maior dinastia da história da NFL aumentar ainda mais seu gigantesco legado.

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