terça-feira, 8 de agosto de 2017

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Já é de conhecimento de todos que a NFL é a liga de esportes mais valorizada de todo o planeta, principalmente para o fã da bola oval. Com praticamente todos os 32 times marcando presença na lista da Forbes entre os times mais valiosos do mundo, é fácil perceber que há muito do que se aprender com a liga. Afinal, como é possível uma liga de um esporte que só é disputado profissionalmente e em alto nível em apenas um país atrair tanta atenção e fazer tanto sucesso em tantos outros países? A resposta para essa pergunta começa principalmente no período em que não há jogos.

De todas as ligas profissionais americanas, a NFL é a que possui o menor número de jogos da temporada regular e é a que possui o maior intervalo entre duas temporadas. Com esse grande “vazio” no calendário, a ansiedade em ver seu time jogar é nítida e tanto a liga quanto os times sabem explorar esse momento. Como o training camp é a primeira oportunidade para a torcida ver de perto o seu time, os times buscam “capitalizar” ao máximo esse momento.

Aaron Rodgers entrando em campo para um dos treinos do training camp

No primeiro treino aberto do Green Bay Packers no Lambeau Field, aproximadamente 63 mil torcedores compareceram para ver o time em campo. Você não leu errado: sessenta e três mil torcedores. Somente esse público já seria maior que qualquer outro público no futebol brasileiro em todo o ano de 2017, considerando todas as competições, oficiais ou não. No training camp de 2016, o New England Patriots teve uma média em torno de 20 mil pessoas por treino, que entraria sem dificuldades entre as maiores médias de público do brasileirão. Veja bem: estamos falando de treinos. Não são os “amistosos” de pré-temporada, são apenas treinos.

Alguns times preferem ir muito mais além do que simples treinos. O Dallas Cowboys, por exemplo, tem uma tradição recente de realizar seu training camp na Califórnia, garantindo uma boa relação com sua torcida fora do estado do Texas e também movimentando a economia da cidade de Oxnard, que possui apenas 200 mil habitantes.

Training Camp do Dallas Cowboys na Califórnia traz muito mais que uma rotina de treinos

E não pense que só esses times sabem explorar sua marca no período de treinos. Todos os times da NFL montam praticamente uma cidade no entorno dos locais de treinos, que geralmente contam com um grande espaço dedicado somente ao torcedor, desde a criança que está começando a se identificar com o time até o torcedor mais velho que já acompanha seu time por décadas. O sucesso é tanto que é comum ver os torcedores esgotarem rapidamente as vagas disponíveis para o transporte que os próprios times disponibilizam até o local de treino. O Seattle Seahawks é um bom exemplo disso, que costuma esgotar todas as vagas para o transporte que vai de Seattle até o CT do time, localizado em uma cidade vizinha, para todos os treinos abertos.

Se a cobertura e a importância que os times dão aos torcedores que estão presentes já é invejável, a cobertura para os outros torcedores é ainda melhor. Em praticamente todas as redes sociais (até mesmo a abandonada Google+), lá estão os times promovendo uma cobertura quase em tempo real sobre os treinos. Enquanto os sites oficiais dos times possuem colunistas que detalham sobre o desempenho dos jogadores e do treino em geral, as contas no Facebook, Twitter, Instagram e Snapchat mostram quase que em tempo real o treino acontecer. A própria página da liga ajuda ao colocar diariamente notícias e vídeos relacionado aos treinos dos times. Essa proximidade dada ao torcedor de fora, e isso inclui a nós, é um dos maiores pontos de sucesso da liga.

A NFL sabe que apesar de necessária, a offseason é um período muito desolador para os fãs do futebol americano. Tendo essa noção e sabendo faturar — e muito — com seu período de “baixa”, a liga mostra para todos os outros esportes um ótimo exemplo de como fortalecer sua marca, independente do tamanho do seu mercado. O resultado disso é uma situação win-win: boa para o torcedor, que se aproxima mais do seu time em um momento de pouca movimentação, e boa para a liga, que consegue vender seu produto, expandir a sua marca e, principalmente, manter o bolso cheio.

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