terça-feira, 30 de janeiro de 2018

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Se você faz parte da maioria que não terá o privilégio de assistir seu time jogar no Super Bowl LII, você provavelmente está ou estará pensando ao longo dessa semana em como seu time pode fazer para chegar ao grande jogo.

Sempre que um time chega na final da NFL, há o questionamento de se há uma fórmula secreta que fizeram com que esses times chegassem até lá. Seria a comissão técnica com seus esquemas táticos para os jogos, seriam as decisões do quarterback? Tudo passa na cabeça nessas horas.

Um dos motivos que costumam ser citados é a forma como os elencos são montados. “Times que fazem barulho em março (free agency) não fazem barulho em janeiro (playoffs)” é um bordão muito usado no mundo da bola oval, onde a prioridade é reforçar seu time pelo Draft. Mas será mesmo que os times que chegaram ao Super Bowl dessa temporada seguiram essa fórmula? Vamos conferir.

 

COMO O TIME DO NEW ENGLAND PATRIOTS FOI MONTADO

  • Jogadores “da casa” (vindos do Draft): 19
  • Jogadores “do mercado” (vindos da Free Agency): 26
  • Jogadores vindos por troca: 7
  • Jogadores vindos ao longo da temporada: 1

Excluindo os jogadores que estão na lista de lesionados, ainda podemos ver que o time do Patriots é bastante montado por jogadores de fora, e não somente os jogadores que vieram ao time por meio do recrutamento. No entanto, há um detalhe crucial que esses números não mostram.

Se pudermos analisar, praticamente todos os titulares do New England Patriots foram selecionados pela equipe no Draft. No ataque, somente a dupla de wide receivers titulares com Brandin Cooks e Chris Hogan não foram selecionados por New England. O caso mais expressivo se dá na linha ofensiva, que mesmo com a aposentadoria de Sebastian Vollmer e a lesão de Marcus Cannon, o time conseguiu repor as peças de forma consistente e somente com os jogadores “da casa”.

Entre a defesa, a situação muda um pouco, mas não tanto assim. Na linha vieram do Draft, enquanto Lawrence Guy e Eric Lee vieram na free agency, enquanto Kyle Van Noy e Stephon Gilmore completam a lista. Patrick Chung, que apesar de ter sido escolha do Patriots em 2009, saiu do time e ficou um ano no Philadelphia Eagles, então acaba entrando nessa lista também. Ainda assim, podemos observar que a quantidade de jogadores lesionados no lado defensivo acabou influenciando nessa escalação atual com diversos jogadores vindos de outros times.

Se olharmos para os jogadores da lista de lesionados, vemos o LB Dont’A Hightower, que certamente seria titular, além da primeira escolha do time no último Draft, o DE Derek Rivers. Além deles, podemos considerar jogadores como o DT Vincent Valentine e o LB Shea McClellin como possíveis candidatos a titularidade, o que aumentaria ainda mais o número de “pratas da casa” no time titular.

LEIA MAIS: O que é o período de Free agency da NFL?

 

COMO O TIME DO PHILADELPHIA EAGLES FOI MONTADO

  • Jogadores “da casa” (vindos do Draft): 21
  • Jogadores “do mercado” (vindos da Free Agency): 27
  • Jogadores vindos por troca: 3
  • Jogadores vindos ao longo da temporada: 1

Ao compararmos com o Patriots, o Eagles tem uma diferença grande. Para se ter uma noção, os únicos jogadores do ataque que será titular no Super Bowl e que foram draftados por Philadelphia são o WR Nelson Agholor, o TE Zach Ertz e três jogadores de linha ofensiva: Lane Johnson, Jason Kelce e Hal Vaitai. O QB Nick Foles entra na mesma situação do Patrick Chung: ele foi selecionado pelo time, passou um tempo fora e depois retornou. De resto, todo o ataque do Eagles foi montado via free agency. Seus dois principais running backs vieram de outros times, LeGarrette Blount e Jay Ajayi, além dos outros dois wide receivers titulares, Alshon Jeffery e Torrey Smith. Se levarmos em conta os titulares do ataque lesionados, somente Carson Wentz foi draftado pelo Eagles, já que Jason Peters e Darren Sproles também vieram de outra equipe.

Do lado da defesa, a situação se equilibra um pouco. A linha defensiva conta como seus pilares jogadores draftados pelo time, como Brandon Graham, Fletcher Cox e Vinny Curry, além do calouro Derek Barnett. Os jogadores que vieram da free agency, como Tim Jernigan e Chris Long, acabaram servindo mais para preencher lacunas do que para montar a defesa em si. Entre os linebackers, apenas Mychal Kendricks foi selecionado pelo Eagles no draft entre os titulares, levando em conta a ausência do lesionado Jordan Hicks. Por fim, a secundária conta com apenas Jalen Mills sendo uma “prata da casa”, enquanto todos os outros vieram por meio de trocas ou da free agency.

 

O QUE PODEMOS CONCLUIR?

Se você esperava uma fórmula mágica para que seu time pudesse copiar, não é dessa vez que você encontrou. Enquanto o Patriots seguiu em 2017 uma fórmula de manter o time titular com base nos jogadores que eles draftaram e trazendo jogadores da free agency para fortalecer a rotação e os jogadores reservas, o Eagles fez o contrário: as maiores peças da equipe vieram do mercado e não do recrutamento.

O que explica isso? Ora, por parte podemos citar a catástrofe que o Eagles foi nos drafts dos últimos anos. Se o time não possui muitos titulares vindos do Draft, isso significa que o time não obteve sucesso recrutando os jogadores corretos, abrindo uma necessidade de suprir a ausência de qualidade em outra alternativa: a free agency. Isso foi visto justamente em 2017, quando o time fez questão de dar mais armas para Carson Wentz, que sofreu com drops de seus recebedores em seu ano de calouro. Com a chegada de Alshon Jeffery e até de Torrey Smith, seu talento explodiu. Com a comissão técnica atual, é possível que vejamos o Eagles transicionando para um modelo de elenco similar ao do Patriots, onde os titulares virão do Draft.

Apesar de o ideal ser buscar talentos de jogadores vindos da universidade e assim desenvolvê-los, podemos ver que há casos em que o contrário também atinge o sucesso esperado. Em situações que o time precisa “vencer agora”, dado contratos e idade de seus jogadores, adotar a estratégia de buscar jogadores no mercado pode ser melhor que ter que aguardar algumas temporadas até seu talento no Draft se desenvolver da maneira que você espera.

E você, qual dessas estratégias prefere para seu time?

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