terça-feira, 12 de maio de 2020

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A NFL, pela forma que foi concebida e lidou com as mudanças ao longo do tempo, é cheia de peculiaridades. O teto salarial que rege todas as 32 franquias, que disponibiliza a mesma quantidade de dinheiro na montagem de um elenco para a temporada regular é uma tentativa de manter o equilíbrio entre todos os times, ao mesmo tempo que dá um tremendo valor adicional para os executivos responsáveis tanto pelo recrutamento universitário (para conseguir barganhas em rodadas posteriores ou mesmo atletas não recrutados) quanto para aqueles que lidam com as renovações contratuais das estrelas que são a verdadeira face da NFL nos dias de hoje.

As transformações da NFL em uma liga que basicamente preza o jogo aéreo em virtude do terrestre e a explosão do faturamento anual (muito em conta dos novos contratos de transmissões televisivas) criaram uma nova “regra” dentro da montagem de um elenco: os Quarterbacks serão os atletas mais caros e custarão milhões de dólares, alocando até 15% do combalido teto salarial dado a um elenco de mais de cinquenta atletas. Nos últimos anos, especificamente, pudemos observar que quando maior a espera para uma renovação com um QB promissor, mais difícil e caro, financeiramente falando, fica para obter a tão sonhada assinatura.

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O tema de hoje é Dak Prescott, do Dallas Cowboys. Recrutado apenas 4ª escolha do Draft de 2016 após uma grande carreira na universidade de Mississippi State. De acordo com o contrato trabalhista assinado entre a NFL e o sindicato dos atletas, Prescott, recrutado na 135ª escolha geral daquele ano, assinou um contrato que lhe pagou “apenas” pouco mais de U$ 2.7 milhões ao longo das quatro últimas temporadas, uma verdadeira barganha para o jogador que iniciou todos os 64 jogos como titular (superando o lendário QB Tony Romo no processo) e compilou diversos recordes e prêmios, como o de Calouro Ofensivo lá em seu primeiro ano.

Agora, ao recusar as últimas investidas acerca de um novo contrato, Prescott e o Cowboys caminham em lados diferentes nas mesas de negociação, com a vantagem estando ao lado do QB. O time, por sua vez, aplicou a franchise-tag, artimanha usada pelas equipes para garantir mais um ano de contrato para um atleta importante que para QBs está estabelecida em U$ 31.4 milhões totalmente garantidos, um ato de desespero frente à possibilidade de perder o Quarterback da franquia sem qualquer tipo de compensação.

A inabilidade da cúpula em chegar à cifras que agradam o Quarterback deve ser criticada nesta altura de todo o imbróglio que se criou à respeito disso. Recentemente vimos o atrito entre Kirk Cousins e o Washington Redskins, também incapazes de chegarem à um consenso para a renovação até o divórcio definitivo em 2017, quando Cousins assinou o primeiro contrato totalmente garantido na história da NFL.

A partir daqui vamos exercitar a imaginação nesta quarentena e pensar o que pode acontecer se o casamento entre Cowboys e Prescott tomar o mesmo rumo de Cousins e o Redskins, tomando com base as informações sobre valores do Spotrac.com, um site especializado no assunto.

Dois anos consecutivos atuando pela franchise-tag garantiriam à Prescott um exorbitante valor de U$ 69 milhões totalmente garantidos mesmo em caso de lesão (ou U$ 34.5 milhões por temporada), o maior que a NFL já teria visto ao longo de sua centenária história e significaria que o atleta estaria livre para um novo contrato com apenas 26 anos de idade. Três anos consecutivos então (sendo eletivo para a free agency aos 27 anos), custariam estratosféricos U$ 123,4 milhões (ou pouco mais de U$ 41 milhões por temporada), algo totalmente utópico se analisarmos o cenário econômico mundial, amplamente afetado pela pandemia do novo coronavírus e que com certeza afetará a NFL à um curto e médio prazo, até se restabelecer totalmente como uma das ligas mais rentáveis de todo o mundo.

Tal situação pode até servir como um “aviso” dos novos tempos da NFL com relação à jovens QBs em contrato de calouro. Uma regra um tanto quanto obscura por vários gestores das franquias é a que um atleta se torna elegível para um segundo contrato no dia seguinte à sua última partida da terceira temporada como profissional, no caso de Prescott, o dia 31 de Dezembro de 2018. Naquela época, o 49ers fez do QB Jimmy Garoppolo o então jogador mais bem pago da liga com uma extensão de U$ 137 milhões por cinco temporadas, ou U$ 27.5 milhões por ano.

Jamais saberemos de certeza se o Cowboys estaria disposto à desembolsar esta quantia e se Prescott aceitaria, mas me parece bem razoável para um jogador que então vinha de duas temporadas sólidas para a posição, mas igualmente cercado de grandes talentos: um dos melhores RBs em Ezekiel Eliott e uma linha ofensiva dominante com vários Pro-Bowlers.

Apenas dezesseis meses depois é ventilado que as cifras iniciais exigidas por Dak passam de U$ 35 milhões por temporada, o que lhe faria o atleta mais bem pago da história caso assine um contrato de quatro temporadas, por exemplo. Vale destacar que apenas a franchise-tag já lhe renderia o maior valor pago à um atleta por apenas um ano de serviço então, ao que tudo indica, Prescott ganhará os holofotes ou pela monstruosa extensão contratual ou por se caracterizar como aquele que mais recebeu por apenas dezesseis jogos anuais.

Com certeza não era esta a hipótese que o Dallas Cowboys trabalhava, mas deverá ser a nova realizada que deverá se acostumar, tudo por ter sido extremamente cauteloso com a renovação da figura central de seu ataque.


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