sexta-feira, 13 de novembro de 2015

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Cameron Jerell Newton não é o seu típico Quarterback. Com 1,95m e 111 Kg, ele passa por cima dos defensores como se nada mais importasse e adora voar para a Endzone para marcar pontos e comemorar touchdowns. Às vezes, assistindo ao camisa 1 jogar, a única coisa que eu consigo pensar é “Caramba, é meio injusto com os jogadores do outro time, ele é muito alto e forte fisicamente”. A camisa 1, aliás, é outra diferença do atleta para outros companheiros de posição; É muito raro ver um Quarterback usando esse número na NFL e a escolha fez de Cam um personagem único. Como se já não bastasse isso, Newton é um QB negro, em uma liga que em 2015 conta com apenas 5 jogadores titulares da posição de origem Afro-americana – Wilson, Winston, Taylor, Bridgewater e ele – . A história da NFL mostra que a função é predominantemente dominada por jogadores brancos desde a criação do futebol americano e é interessante ver como essa pequena diferença influencia dentro e fora de campo, tanto na personalidade dos atletas, quanto no estilo de jogo.

Nascido em Savannah, na Geórgia, Newton aprendeu desde pequeno a gostar do esporte. Seu pai, Cecil, jogou pela universidade de Savannah State no começo dos anos 80 e chegou a realizar testes no Dallas Cowboys e Buffalo Bills em busca de uma chance na NFL, que acabou não acontecendo. Com o sonho do futebol profisisonal adiado, ele decidiu preparar Cam e o seu outro irmão, Cecil JR, para brilharem no seu lugar, e os dois garotos começaram a jogar bem cedo. Por ser três anos mais novo que o irmão, Newton nem sempre tinha a chance de jogar ao lado de Cecil, mas sempre que podia, deixava os garotos mais velhos impressionados com a sua agilidade. A diferença física para outros meninos da sua idade fazia com que ele pulasse algumas refeições para manter o mesmo peso e não ser impedido de atuar nas partidas.

4764775Atleta privilegiado nos tempos de colégio, Cam terminou o último ano do ensino médio pesando mais de 100 Kg e lançando a bola por 75 jardas sem muito esforço. A escolha pela tradicional universidade da Flórida em 2007 parecia mais do que óbvia e ele chegou ao Gators como o futuro substituto da principal estrela da época, o camisa 15 Tim Tebow. As coisas, porém, não saíram como o planejado e dois anos depois de vestir a camisa azul e laranja, Newton decidiu deixar a faculdade após ser envolvido em um caso de roubo de um laptop, acusação que mais tarde seria apagada de sua ficha. A mudança de ares fez muito bem para o jogador, campeão na temporada seguinte pela Blinn Junior College, uma faculdade comunitária do Texas. A ótima campanha fez com que ele voltasse a sonhar com a 1ª divisão do College Football e em 2010 fosse recrutado por Auburn; Em seu primeiro – e único – ano na universidade, Cam fez o suficiente para ganhar um título nacional, se transformar em uma 1ª escolha geral de Draft e se tornar persona non grata dos torcedores de Alabama e LSU.

“Eu não vou mudar o que eu sou, quem eu sou e o que eu represento…Eu estou pronto para crescer. Não existe nenhuma pressão a mais para mim e eu também não vou prever nada, eu apenas não vou deixar de continuar a trabalhar o máximo possível para levar esta equipe aonde ela deve estar, que é o Super Bowl”.

(Newton, em entrevista à ESPN americana em 2015.)

Desde 2011 na NFL, não são só as grandes atuações do camisa 1 que irritam os rivais. Newton é aquele típico jogador “marrento”, odiado pelos adversários e amado pela torcida do seu time, que se sente representada dentro de campo. Sua comemoração mais típica, “abrindo” a camisa como se fosse o Super-Homem, o rendeu o apelido de Super Cam e é marca registrada do atleta. As entrevistas bem humoradas, o ritual pré-jogo usando chuteiras extravagantes e um Headphone colorido e as bolas entregues para pequenos torcedores após cada Touchdown, são um prato cheio para imprensa e torcida, que adoram falar do jogador. Por mais que Newton saiba fazer muito bem o seu marketing pessoal, ele oferece aos fãs do futebol americano aquela sensação legal de ver os seus ídolos como pessoas normais e que não se importam apenas com o dinheiro ou o profissionalismo do jogo. Eu sempre gostei de acompanhar atletas espontâneos, que falam o que pensam e sabem se relacionar com os torcedores. Todos os esportes ficam mais interessantes assim, não é mesmo?


O ano de 2015 vem sendo inesquecível para o camisa 1. Invicto, ele está no auge de sua carreira e mais confortável com a função de liderança que exerce em Carolina. E pensar que a temporada começou com a notícia de uma briga no Traning Camp entre o jogador e o CB Josh Norman, que antes das interceptações deste ano era conhecido como o “atleta que saiu na porrada com Newton durante o treino”; O episódio isolado não diminuiu a importância do QB para o elenco de Carolina, que o respeita muito e o considera um grande líder. A sensação é que a confiança nunca escapou do controle de Cam, nem mesmo quando ele era calouro na NFL. Newton é um daqueles atletas que sabe aonde quer chegar e tem noção do quão grande ele é, não só para o Panthers, como para o futebol americano. Com apenas 26 anos, o Quarterback que todos amam odiar é dono de um carisma incrível e dá a NFL um motivo a mais para que todos nós continuemos a acompanhá-la todos os finais de semana. O “Super Cam” é, definitivamente, o cara.

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