terça-feira, 5 de maio de 2020

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A semana é de luto no futebol americano. O lendário treinador de Miami Dolphins e Baltimore Colts, Don Shula, morreu nesta segunda-feira (4) aos 90 anos. Eternizado em Canton, no Hall da Fama da NFL, o ex-técnico deixa um legado para todos os amantes da bola oval. E também para comandantes da nova geração.

O currículo de Shula dispensa comentários. Treinador com mais vitórias na história da liga (347), seis aparições no Super Bowl e dois títulos com a franquia da Flórida. Uma carreira de colocar inveja em muita gente. Mas a história de Shula na NFL começou muito antes disso.

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O ano era 1951. O então jovem acabará de se formar em sociologia na Universidade Heights, no subúrbio de Cleveland. Com alma de treinador, Shula já comandava o time do ensino médio do colégio de Canton. Naquele mesmo ano foi selecionado na nona rodada do Draft pelo Browns de outro lendário treinador: Paul Brown. Foram dois anos como defensive back da franquia de Ohio até ser transferido para o Baltimore Colts. Ele ainda atuou pelo Washington Redskins em 1957. Como atleta profissional, conseguiu 21 interceptações e quatro fumbles recuperados em 73 jogos.

Pouco após aposentadoria, Don Shula foi coordenador defensivo do Detroit Lions entre 1960 e 62. O sucesso foi imediato. Lions teve uma das melhores defesas da época e não demorou muito para o Baltimore Colts contratar seu ex-jogador como técnico principal aos 33 anos (técnico mais jovem da história na época). O comandante permaneceu na franquia por sete temporada. Chegou ao Super Bowl III, na temporada 1968-69, perdendo para o New York Jets. Mas foi só a partir de 1970 que a carreira de Shula decolou de vez.

Como disse no início do texto, o currículo do lendário treinador dispensa apresentações. Os 25 anos de Miami Dolphins, no entanto, foram o auge desta brilhante trajetória. E muito disso passa pela capacidade de renovação. Remontou elencos, aperfeiçoou o plano de jogo de acordo com o que tinha de melhor e se reinventou. Mais do que isso, reinventou o modo de jogar futebol americano. Essas virtudes são raras de encontrar na NFL atual, imagina nos anos 70/80. Don Shula foi um verdadeiro inovador.

Venceu dois Super Bowls, em 72 e 73, depois de deixar o título escapar na temporada de 1971. Nesta época, Dolphins tinha apenas um propósito: jogo terrestre. Poucas vezes víamos os QBs Bob Griese e Earl Morrall em ação. O time era liderado pelo FB Larry Csonka, que também está no Hall da Fama. Eram tempos nos quais os ataques eram focados em corridas e defesas mais físicas e imóveis. 

Mesmo com todo sucesso dos anos 70, Shula não ficou preso no tempo. O treinador se modernizou em uma época que não parecia ser possível. Depois de perder o Super Bowl XVII para o Washington Redskins, o time foi atrás de um jovem talento no Draft de 83 que mudaria o rumo da NFL atual. Dan Marino, selecionado na 27ª posição. No segundo ano como jogador do Dolphins, Marino teve 48 passes para touchdown. Algo inexplicável para este tempo. E parte disso também passa pela renovação pessoal de Don Shula. Ele abre mão do jogo terrestre para dar espaço ao futuro que conhecemos hoje. É uma pena que Marino e Shula nunca ganharam um título juntos.

Don Shula deveria ser estudado por todos que aspiram ser técnicos de futebol americano. Já naquela época, o comandante nos ensinou a importância de se atualizar. Reconhecer o ponto forte da equipe  e colocar em prática. E mesmo assim vemos, até hoje, técnicos parados no tempo. Presos em filosofias, pensamentos e ideias que não agregam ao que as franquias têm de melhor. Morre o homem, mas fica o legado. Descanse em paz, Don Shula (1930-2020).

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