segunda-feira, 17 de abril de 2017

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O Draft é o ápice da intertemporada da NFL. Em um período de muitas notícias que funcionam como cortinas de fumaça por parte dos times e o otimismo impera entre os fãs, o Draft representa o investimento de uma franquia em seu futuro, tanto no curto quanto no longo prazo. Assim, é natural que os torcedores fiquem ansiosos para conhecer os novos jogadores que defenderão seu time.

Como um preparativo para o Draft, analisarei aqui os principais prospectos que tentarão a fama na NFL a partir da próxima temporada. Para isso, utilizei os vídeos das partidas dos atletas disponibilizados pelo site Draft Breakdown. Nesta semana, cobrirei os cinco melhores jogadores na minha opinião pessoal em cada posição do ataque, enquanto os melhores defensores serão contemplados na próxima segunda-feira. Quando o Draft estiver mais próximo, será publicado um ranking completo Liga dos 32 em forma de top 100 e que não está vinculado a esta matéria.

Enfim, sem mais delongas, vamos aos rankings.

Quarterback

1 – Deshaun Watson (Clemson)

Com dois desempenhos incríveis nas finais do torneio universitário contra a forte defesa de Alabama, Watson impressionou com sua postura em momentos decisivos. Some a isso o fato de ser um bom corredor e mostrar habilidades passando em movimento e tem-se um forte prospecto. Consegue fazer todos os lançamentos com uma mecânica adequada e sabe dar oportunidades para seus recebedores vencerem no mano a mano. No entanto, precisa melhorar na leitura após o snap. Além disso, sua precisão é inconstante, sobretudo em rotas que cruzam o campo, nas quais os passes constantemente chegam atrás dos recebedores. Esta falta de precisão levou a muitas interceptações em sua carreira universitária.

2 – Mitchell Trubisky (North Carolina)

Trubisky jogou apenas uma temporada completa como titular e esta falta de experiência conta contra ele, o que pode explicar suas dificuldades lendo blitzes. Ao seu favor tem, além do ótimo braço, capaz de realizar todos os passes necessários, o porte físico ideal para a posição na NFL e a precisão nos passes em profundidade. Outros aspectos subestimados em seu jogo são as habilidades como corredor e o ótimo trabalho que realiza ao se movimentar dentro do pocket.

3 – Patrick Mahomes (Texas Tech)

Mahomes é o prospecto mais polarizador deste Draft. Enquanto seu talento natural é inegável, com o melhor braço da classe e a habilidade para realizar lançamentos que nenhum outro seria capaz, ele peca muito nos fundamentos básicos, não mostrando consistência nas mecânicas de passe e no trabalho de pernas. Além disso, quase sempre opta por improvisar e vem de um ataque que ainda não gerou quarterbacks bem sucedidos na NFL. Caso chegue em uma situação favorável e tenha tempo para evoluir, pode se tornar um grande jogador.

4 – DeShone Kizer (Notre Dame)

Kizer teve um 2015 excelente, mas não conseguiu reproduzir o desempenho na última temporada, sendo colocado no banco em algumas situações. É um bom corredor e gosta de passes longos, mas se expõe demais, o que ajuda a explicar o fato de ser interceptado em quase todos os jogos. Seus lançamentos tem boa mecânica e toque, principalmente quando a profundidade aumenta, mas poderiam melhorar em antecipação. Com tamanho ideal e braço forte, deve fazer algum time se apaixonar pelo potencial a longo prazo.

5 – Nathan Peterman (Pittsburgh)

Peterman está sendo um pouco subestimado no processo, mas já mostra adaptação para um sistema profissional de ataque, recebendo snaps do center e realizando progressões. Ele é um bom atleta e sabe a hora de fugir do pocket, mas sua precisão necessita de melhorias, por mais que seja muito efetivo em passe longos. Sua especialidade está nas jogadas em movimento, em conceitos como rollouts e bootlegs e muito play action.

Running Back

1 – Leonard Fournette (LSU)

A característica mais marcante de Fournette é o prazer que parece ter em infligir danos aos defensores que tentam derrubá-lo. Sempre encerrando suas corridas com violência, tem uma rara mistura de força, agilidade e velocidade, sendo quase impossível de tacklear quando atinge a última marcha. As grandes preocupações são sua capacidade de ficar no campo pelas três descidas, já que não é um grande recebedor e precisa trabalhar nos bloqueios, e seu histórico de lesões combinado a um alto volume de carregadas.

2 – Dalvin Cook (Florida State)

Cook não teve um bom período pré-Draft, com desempenho ruim no Combine, o que colocou seu atleticismo em dúvida. Contudo, suas apresentações mostram um corredor de boa visão, com ótima habilidade por fora dos tackles e com velocidade para pontuar de qualquer lugar do campo. Além disso, é um bom recebedor e bloqueador decente. Outros aspectos que podem fazê-lo cair são os constantes fumbles e um histórico de diversos problemas com a lei.

3 – Christian McCaffrey (Stanford)

McCaffrey é excelente mudando de direção e nos cortes agudos. Também se destaca quando recebe a bola no campo aberto e é um recebedor muito acima da média pra posição, capaz de executar rotas em alto nível. Ele é um grande candidato a tomar conta das terceiras descidas de seu time logo no começo da carreira e expandir aos poucos seu papel no ataque. Tem ótima visão, mas lhe falta força para encarar os tackles pelo meio.

4 – Joe Mixon (Oklahoma)

Mixon é outro prospecto complicado, com muitos times tendo excluído seu nome das avaliações por conta de um pesado vídeo vazado no qual aparece batendo em uma garota. No entanto, em termos de talento puro, ele pode ser considerado o melhor corredor da classe, demonstrando ótima visão, cortes e muita paciência, mas sempre sendo bastante decidido quando escolhe a raia pela qual avançará. Para completar, é um recebedor muito bom.

5 – Alvin Kamara (Tennessee)

Último da lista, Kamara teve poucas carregadas em sua carreira em Tennessee e mostrou dificuldades em proteger a bola. Entretanto, é ótimo quando consegue agir com espaço, mostrando um ótimo equilíbrio e boa capacidade para quebrar tackles. Apesar do tamanho ideal para a posição, poderia correr de uma maneira um pouco mais física.

Wide Receiver

1 – Mike Williams (Clemson)

Principal alvo de Deshaun Watson, Williams não se destaca pela velocidade ou atleticismo em geral. Sua maior habilidade está em executar boas rotas e ser espetacular disputando passes contestados, utilizando sua altura, controle corporal e timing impecável para sair vencedor nessas batalhas. Precisa melhorar sua saída da linha de scrimmage e criar alguns movimentos para ajudar a criar separação nas rotas. Outro ponto para ficar de olho é o fato de ter lesionado o pescoço e perdido toda a temporada de 2015.

2 – Corey Davis (Western Michigan)

Davis pode ter vindo de uma universidade pequena e se aproveitado do baixo nível de competição para produzir números insanos, mas suas habilidades se traduzem na NFL. Com boa velocidade e tamanho, ele executa rotas muito precisas. Após a recepção, é capaz de cortes que deixam oponentes no chão. Uma lesão o tirou da temporada pré-Draft e isto pode impactar a posição na qual será selecionado. Também é um bloqueador fraco e precisou lidar com pouco press, o que não será o caso nos profissionais.

3 – Chris Godwin (Penn State)

Talvez a maior surpresa desta lista, Godwin é bom em quase todas as rotas e mostrou seu atleticismo no Combine. Realiza ótimos ajustes corporais para realizar recepções em passes contestados ou mal executados. Além disso, é um ótimo bloqueador e muito físico com a bola nas mãos. Por outro lado, não parece traduzir a velocidade cronometrada em campo e seus cortes deixam a desejar. É um recebedor ideal para assumir a função de mover as correntes e manter o ataque em campo.

4 – John Ross (Washington)

Ross viu seu nome explodir ao correr as 40 jardas em 4,22 segundos, quebrando o recorde do Combine. No entanto, lesionou a perna no processo e levantou algumas dúvidas sobre sua saúde. Bom retornador, utiliza sua agilidade para conseguir separação nas rotas e é elétrico com a bola nas mãos. Por ser pequeno para a posição, tem dificuldades contra marcadores mais físicos e não realiza recepções difíceis com frequência.

5 – Josh Reynolds (Texas A&M)

Reynolds, assim como Godwin, é um especialista em passes contestados. Apesar do porte pouco muscular para sua altura, atua de maneira física. É um ótimo alvo na red zone, com boas rotas, mas problemas para lidar com o press e deixou algumas bolas fáceis caírem ao se desconcentrar. Também demonstra um grande foco para recepções nas laterais, é esforçado nos bloqueios e possui uma boa velocidade.

Tight End

1 – OJ Howard (Alabama)

Melhor talento ofensivo disponível em minha opinião, Howard é um TE completo, executando a função de bloqueador com muita dedicação e eficiência e sendo um alvo muito perigoso como recebedor. Com grande aceleração, é capaz de ganhos enormes após a recepção e é difícil de ser derrubado. Como pontos negativos, alguns olheiros questionam sua competitividade e seu papel reduzido no ataque de Alabama.

2 – David Njoku (Miami)

Njoku é um jogador insanamente atlético e que usa esta característica para mitigar os buracos técnicos que ainda apresenta. Por mais que seja dedicado, precisa evoluir nos bloqueios. Como recebedor faz um grande estrago, com ótima mudança de direção e quebrando tackles constantemente. Também é um alvo muito forte na red zone. No geral, é um prospecto ainda cru, mas com potencial imenso.

3 – Evan Engram (Ole Miss)

Outro nome muito talentoso é Engram, que poderia tranquilamente ser convertido para WR, uma vez que raramente bloqueia. Ele atua como um enorme recebedor de slot e tem uma velocidade incrível para o tamanho, com boas rotas para todas as profundidades e bom trabalho após a recepção.

4 – Gerald Everett (Southern Alabama)

Everett também atuou como recebedor na maior parte do tempo, mas se mostrou um bloqueador esforçado e que procura contribuir no aspecto. Suas rotas ainda são cruas e a separação é fruto de seu atleticismo. Raramente é derrubado após o primeiro contato, mostrando muito equilíbrio. Contudo, enfrentou concorrência de nível baixo e tem mãos pequenas para a posição.

5 – Adam Shaheen (Ashland)

Completando a lista, Shaheen se trata de um projeto de elevado potencial, com um porte físico monstruoso e velocidade surpreendente para o tamanho. Por mais que tenha enfrentado competição fraca, dominou completamente, sendo uma máquina na red zone, sabendo usar suas dimensões para abrir espaços. Como bloqueador, tem amplo espaço e promessa para evolução.

Tackles

1 – Ryan Ramczyk (Wisconsin)

Apesar de alguns problemas contra pass rushers mais velozes, Ramczyk mostrou ótima capacidade de espelhar o defensor na proteção para o passe e de fazer o escudo para abrir espaços para o jogo terrestre. Atlético, consegue chegar ao segundo nível da defesa e enfrentou um bom nível de concorrência, provando sua qualidade. Por outro lado, apresentou dificuldades para trocar de responsabilidades e manteve uma postura ereta demais em alguns momentos. Além disso, tem braços curtos, o que pode forçá-lo a jogar de guard.

2 – Garett Bolles (Utah)

Por mais que sua combinação de massa e altura deixe a desejar, obrigando-0 a encorpar para enfrentar defensores mais físicos, Bolles é um atleta excelente, com um nível elevado na proteção para o passe e ótimo encaixe em um esquema de bloqueios em zona, que tiraria proveito de sua movimentação e habilidade de chegar ao segundo nível. Ele superou momentos difíceis na vida e encontrou um rumo no futebol americano. No entanto, esta jornada o fará ser um calouro de 25 anos na NFL, uma idade considerada avançada. Assim como Ramczyk, também precisa melhorar sua postura e procurar atuar mais curvado.

3 – Cam Robinson (Alabama)

Vindo de uma boa escola de bloqueadores em Alabama, Robinson tem boas dimensões para a posição, com muita força e um estilo físico, o que leva a um ótimo trabalho no jogo corrido. Na proteção ao quarterback mostrou inconsistência, cometendo muitas faltas ao longo da carreira e podendo ser batido por defensores mais ágeis. Outro problema que pode ser constatado é sua falta de equilíbrio, caindo no chão em diversas jogadas. Por mais que tenha estas dificuldades, seu desempenho contra um nível avançado de competição faz com que seja projetado para atuar como guard ou como tackle pelo lado direito.

4 – Antonio Garcia (Troy)

A principal característica de Garcia é sua grande habilidade protegendo o QB, sobretudo contra atletas que se baseiam na velocidade. Além disso, é capaz de abrir crateras para o jogo corrido, mas não o realiza com a consistência desejada. Ele pode evoluir na forma como lida com defensores que tentam passar por ele na força. Para isso, seria ideal ganhar massa muscular, o que melhoraria seu porte já atlético.

5 – Will Holden (Vanderbilt)

Um atleta na média e com braços pequenos, Holden conta com sua boa combinação de massa e estatura para lidar com os defensores. Apesar da falta de velocidade, consegue se impor usando a força física, sempre terminando bem seus bloqueios, principalmente no jogo corrido. Seu estilo encaixa bem no lado direito de uma linha ofensiva, também podendo ser utilizado como guard.

Guards

1 – Forrest Lamp (Western Kentucky)

Melhor jogador de linha ofensiva do Draft, Lamp jogou como LT durante quatro anos, mas suas dimensões físicas – braços muito curtos – são as clássicas do interior da OL. Um ótimo atleta, ele é forte e ágil, com uma versatilidade incrível. Mostrou habilidade lidando contra todo tipo de movimento de pass rush que os adversários usaram contra ele e aparenta ser físico o suficiente para não ser dominado no jogo terrestre, mas ainda não parece capaz de abrir grandes espaços.

2 – Dan Feeney (Indiana)

Com atleticismo e dimensões na média da posição na NFL, Feeney tem experiência em esquemas de zona, se movimentando com naturalidade. Muito físico no ataque aos defensores, é difícil de ser movido no jogo terrestre, mas poderia adicionar mais força para abrir espaços maiores e conseguir avançar para o segundo nível com frequência. É um bloqueador sólido nos passes e executa uma boa leitura em situações de blitz.

3 – Taylor Moton (Western Michigan)

Com experiência nas duas posições do lado direito da linha, Moton deve jogar de guard na NFL. Um atleta muito bom e com porte físico avantajado, apresenta um equilíbrio acima da média. Tem força o suficiente para abrir espaços no jogo corrido, mas seu tempo de reação após o snap ainda precisa de melhorias. Apesar da necessidade de evolução em alguns aspectos, parece já estar pronto para o próximo nível.

4 – Dorian Johnson (Pittsburgh)

Por mais que Johnson tenha uma ótima altura e um braço com excelente comprimento, sua massa é abaixo da média da posição. Isto deve indicar a necessidade de fazer um trabalho para fortalecer a musculatura, o que pode combinar com seu estilo agressivo. Explosivo, costuma ter um forte tempo de reação e avançar buscando finalizar os bloqueios de forma enfática. O problema desta abordagem é que pode resultar em erros de cálculo. No entanto, trata-se de um atleta muito consistente e ágil, apesar da impaciência.

5 – Isaac Asiata (Utah)

O aspecto que mais se destaca ao assistir Asiata é sua dedicação em todos os snaps. Muito forte fisicamente, carrega uma massa excessiva para alguém de sua altura, o que resulta em um nível atlético apenas moderado. Apesar disso, consegue abrir crateras no ataque terrestre e chega ao segundo nível da defesa com frequência. Também se mostra habilidoso em passes screen, por mais que seja apenas mediano protegendo o QB. Com todas estas características, o esperado é que consiga render melhor em um esquema de zona.

Center

1 – Pat Elflein (Ohio State)

Elflein não é o jogador mais atlético, mas apresenta boas dimensões para ancorar a linha ofensiva. Agressivo em excesso, muitas vezes acaba perdendo bloqueios. No entanto, quando consegue engajar com um defensor, raramente perde o controle da situação. Visto como um dos grandes líderes do forte time de Ohio State, é ótimo nas corridas, mas pode melhorar a movimento de pernas nas situações de passe para criar uma maior consistência.

2 – Ethan Pocic (LSU)

Com experiência em múltiplas posições da linha ofensiva e ótima movimentação lateral, Pocic se coloca como um dos destaques entre os centers da classe. Bom atleta, é muito bom no espaço aberto, bloqueando no segundo nível. Alto para os padrões da posição, pode ter problemas contra oponentes mais físicos, mas exibe paciência e controle corporal para contornar a situação.

3 – Chase Roullier (Wyoming)

Flexível para jogar tanto como guard quanto como center, Roullier possui braços curtos problemas contra defensores mais atléticos causados pela pouca explosão após o snap. Apesar de sua experiência jogando em movimento, se trata de um especialista em jogadas que dependem da força física, com ampla capacidade de mover os adversários e abrir raias para os corredores.

4 – Chad Wheeler (USC)

Com um histórico como LT em USC, Wheeler sofreu com lesões em todos os anos na universidade. Ele é especialmente eficiente em sistemas de bloqueios em zona, com ótima habilidade em movimento, dedicação e atenção, além de ser ótimo em screens. Por outro lado, lhe falta força física e precisa melhorar a postura na proteção para os passes para evitar desequilíbrios. Por ser dependente do esquema, seu teto é limitado.

5 – Jon Toth (Kentucky)

Por mais que tenha uma ótima combinação de dimensões corporais, Toth é um atleta que não chama a atenção por sua movimentação, mas que tem na fisicalidade o seu pão com manteiga. Capaz de ser dominante em espaços curtos, possui a potência para arrastar defensores e gerar raias para os corredores. No entanto, adversários mais atléticos podem tirar proveito de sua pequena mobilidade.

Esta é apenas a minha análise e ela está aberta para discussões. Então deixe um comentário com os seus jogadores preferidos do ataque para o próximo Draft.


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