terça-feira, 2 de maio de 2017

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Uma das maiores reclamações dos torcedores do Carolina Panthers era que o ataque do Panthers não tinha dinamismo e nem criatividade. O coordenador ofensivo Mike Shula era o alvo prioritário da revolta dos torcedores. O Draft de 2017 mostrou que o GM Dave Gettleman, também enxergava a mesma deficiência no ataque. As duas primeiras escolhas do time no recrutamento mostram que o time buscava exatamente dinamismo e criatividade. Mais do que isso, estas escolhas apontam para algo maior, uma mudança no estilo de ataque do time.

Antes de falarmos diretamente das escolhas, vamos observar algumas coisas sobre este ataque de Carolina. Primeiramente, algo interessante é o fenômeno que acontece na NFL com qualquer time que faça sucesso, ele passa a ser estudado e observado. Com o Panthers não foi diferente, o sucesso do ataque em 2015, passou a ser meticulosamente analisado, o próprio Super Bowl daquele ano mostrou isto. O coordenador defensivo do Broncos, Wade Phillips, armou um esquema muito interessante e conseguiu anular a grande arma ofensiva do Panthers, Cam Newton.

Duas estratégias utilizadas naquele ataque ficaram evidentes após o Super Bowl 50. O Panthers tinha muitas jogadas desenhadas para que Newton corresse com a bola (Na maioria das vezes não era uma improvisação do QB) e muitas jogadas eram desenhadas para explorar a potência do braço de Cam, ou seja, o QB precisaria de tempo no pocket para esperar os recebedores desenvolverem as suas rotas. Estas duas estratégias foram bem utilizadas por toda a temporada 2015, mas além da capacidade de adaptação da NFL citada anteriormente, estas estratégias necessitam de uma OL muito segura. Além disto, tanto correr, como ficar mais tempo no pocket, expõem o QB a riscos de sacks e tackles. Não por coincidência, Newton sofreu uma concussão ano passado e nos últimos dois anos passou por cirurgias na offseason.

Após uma temporada 2016 decepcionante, chegamos ao draft 2017. Como explicado acima, algumas das estratégias bem sucedidas anteriormente, não alcançavam mais o mesmo sucesso. O recrutamento do Panthers mandou uma mensagem clara: Queremos mudar este estilo de ataque, pois além de não estar mais funcionando, ainda está colocando em risco a saúde de nosso QB.

A seleção de Christian McCaffrey, RB de Stanford na escolha número 8, foi um indício muito forte desta mudança de direção. McCaffrey como bem descrito pelos scouts é uma verdadeira arma ofensiva, não é só um RB, é também um WR e ainda um ótimo  retornador de chutes. Tem a capacidade de percorrer rotas com precisão e também de correr entre os Tackles. Sim, ele pode fazer isso e fez muito bem em Stanford. Não me parece que McCaffrey seja o RB que vá correr 30 vezes com a bola durante um jogo, mas o torcedor do Panthers pode se acostumar a vê-lo em campo muitas vezes e alinhando das mais diversas formas. Inclusive a capacidade como retornador vai ajudar demais nos times especiais, outro setor que o Panthers precisa melhorar.

Na segunda escolha do Draft, o Panthers selecionou o WR Curtis Samuel, de Ohio State. Samuel também pode jogar como RB, mas o descrevi com WR, pois o mesmo disse que foi recrutado para jogar como Slot Receiver. Samuel correu as 40 jardas no Combine em 4,31 segundos, nada mal para um time que precisava de mais velocidade.  Após esta escolha não havia mais dúvidas, o Panthers definitivamente chegou a este recrutamento com a ideia de dar mais dinamismo e mudar o estilo de seu ataque.

Na NFL, como em todos os esportes, algo que faz sucesso, costuma ser replicado. Esta mudança do Panthers pode também demonstrar a ideia de fazer um estilo de ataque semelhante ao Patriots. Muitos passes rápidos, recebedores em sua maioria em rotas curtas e RBs que são uma ameaça dupla. A forma como atuou o RB James White no ultimo SB é um bom exemplo. McCaffrey e Samuel têm a capacidade de fazer algo semelhante e até superior, pois são dois grandes talentos. Considerando que a ideia também é preservar fisicamente o seu QB, passes rápidos são uma ótima opção.

O ataque do Panthers na temporada passada tinha como principais recebedores: Kelvin Benjamin, Devin Funchess e Ted Ginn JR. Entendo as críticas ao coordenador ofensivo Mike Shula, mas temos que concordar que não se podia esperar uma grande criatividade com estas peças. Funchess e Benjamin são recebedores mais fortes, porém mais lentos, enquanto Ted Ginn é um velocista, geralmente usado em rotas mais verticais. Com a chegada de McCaffrey e Samuel este ataque ganha inúmeras possibilidades. Além disto, estes dois jogadores também trazem algo que faltava a este corpo de recebedores, a capacidade de conseguir jardas após a recepção.

Na terceira escolha do draft, o Panthers selecionou o OT Taylor Moton. Esta escolha é importantíssima, a OL do Panthers está longe de ser uma força do time e a chegada de Moton, que também pode jogar como OG, pode ajudar muito a estabilizar esta importantíssima unidade. Eu acredito que Taylor será o RT titular de Carolina por muitos anos. Pela primeira vez em sua história o Panthers usou suas 3 primeiras escolhas de draft em jogadores de ataque, isso é algo bem relevante. As escolhas foram (principalmente as duas primeiras) de uma ousadia louvável. Provavelmente não exista um torcedor do time que apostava na seleção de dois jogadores como McCaffrey e Samuel em rodadas consecutivas.

Este ataque formado por: Cam Newton, Jonathan Stewart, Christian McCaffrey, Curtis Samuel, Kelvin Benjamin e Greg Olsen, pode ser extremamente empolgante e sem dúvidas a chegada destas novas peças mostra uma mudança de direção e do pensamento ofensivo. E por falar em ataques, a força ofensiva da NFC SUL promete muito para esta temporada, mas isso é assunto para os próximos textos.


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