segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Compartilhe

Atendendo a alguns pedidos, começarei hoje uma série de texto sobre quarterbacks e os “preços” pagos por cada um no draft, ou seja, a posição em que foram selecionados no recrutamento. Os jogadores da posição serão divididos entre badalados, barganhas e fracassos, sendo os badalados, aqueles que foram estrelas no futebol americano universitário, chegaram a NFL com status e corresponderam a expectativa, as barganhas, são as escolhas que passaram desapercebidas do primeiro escalão de seu draft e se tornaram super estrelas e os fracassos são as estrelas das universidades que não vingaram e acabaram sendo jogadores abaixo da expectativa na liga.

Este que vos escreve poderia começar pelos quarterbacks que foram as estrelas por onde passaram desde o ensino médio até chegar a liga profissional, mas, como amante das narrativas de superação e volta por cima, o primeiro texto da série será sobre as barganhas da história da liga. Antes de tudo, para entender melhor a dinâmica da escolha de um quarterback no draft, recomendo a leitura deste link, de um texto sobre a passagem do futebol americano universitário para a maior liga profissional do esporte no mundo.

Leia Mais: Jets, Osemele e até onde times e atletas vão para vencer jogos

Leia Mais: Sean Payton é o melhor técnico da NFL em 2019

Como na maioria dos esportes, no futebol americano também há jogadores que são promessas desde muito novos e jogadores que surgem para os holofotes de repente e se tornam estrelas, o que é perfeitamente normal na maioria das modalidades. Como nos esportes americanos existe o draft, a adaptação e o trabalho em volta desses talentos são determinantes para o sucesso. Os jogadores que serão considerados barganhas, não são necessariamente jogadores de sexta rodada que venceram 6 Super Bowls, como Tom Brady.

São considerados barganhas aqueles jogadores cujo talento demonstrado na liga é muito grande para a posição em que ele foi escolhido. Dan Marino, por exemplo, um dos melhores passadores de todos os tempos, foi escolhido na primeira rodada em 1983, mas na posição 27, depois de 5 outros quarterbacks. Com certeza o talento de Marino era caso de top 3, mesmo no draft daquele ano, considerado o melhor de todos os tempos. Começaremos então por Marino:

Dan Marino – Miami Dolphins (Draft 1983 – Rodada 1 –  Escolha #27 geral)

Marino é o melhor passador puro da história na humilde opinião do redator deste texto e deveria ter saído no top 3 de seu draft. Só não deveria ser número 1, pois Elway é um dos melhores prospectos que já saíram da universidade para a NFL. Marino teve uma carreira absurda, fazendo números de 2010 na década de 80, onde algumas marcas eram inimagináveis devido ao viés terrestre do jogo na época. Escolhido depois de 5 outros jogadores da posição, Marino poderia ter sido escolhido por New England Patriots, Kansas City Chiefs ou New York Jets, que escolheram antes Tony Eason, Todd Blackledge e Ken O’Brien, respectivamente.

Joe Montana – San Francisco 49ers (Draft 1979 – Rodada 3 – Escolha #82 geral)

Joe Cool venceu 4 Super Bowls em 4 finais jogadas, 3 MVPs do maior jogo dos esportes americanos e 2 MVPs da temporada regular. Só esses números já mostram o quanto a barganha foi grande para o San Francisco 49ers. Montana era reportado como muito magro e desengonçado pelos olheiros no draft, o que fez com que ele fosse preterido 81 vezes. New York Giants, Cincinnati Bengals e novamente o Kansas City Chiefs poderiam ter escolhido Montana antes no recrutamento, mas optaram por Phil Simms, Jack Thompson e Steve Fuller, respectivamente.

Kurt Warner – Green Bay Packers (Calouro não draftado 1994)

Um dos casos mais fantásticos da lista, Warner saiu da Universidade de Northern Iowa e não foi selecionado no draft de 1994. Assinou com o Green Bay Packers, depois foi dispensado e trabalhou em uma loja até ser contratado por um time de Iowa de Arena Football (futebol americano indoor). Passou depois pela NFL Europa (projeto de expansão da NFL no continente americano nos anos 90) e chegou ao St. Louis Rams, como terceiro quarterback. Em 99, após lesão do titular, Warner foi nomeado titular e comandou um dos melhores ataques da história da liga, o famoso “The Greatest Show on Turf” e no final foi nomeado MVP da temporada regular e MVP do Super Bowl 34, onde o Rams bateu o Titans. Warner foi MVP da liga também em 2001, ano onde levou o Rams ao Super Bowl novamente, mas foi derrotado pelo New England Patriots. Ao todo, 7 QBs foram escolhidos no draft de 1994, mas nenhum com a relevância de Warner.

Russell Wilson – Seattle Seahawks (Draft 2012 – Rodada 3 – Escolha #72 geral)

Wilson foi uma barganha que se provou muito rápido. Escolhido em 2012, ano em que o Seahawks tinha contratado Matt Flynn para ser o titular e fazer uma transição lenta para um quarterback jovem, Wilson bateu o veterano já nos treinos da pré-temporada e virou o titular. Com a explosão da read-option e o sucesso de QBs móveis jogando nesse ataque que deixava as defesas em pane, como Cam Newton, Robert Griffin III e Colin Kaepernick, Wilson foi uma das sensações da temporada em Seattle e ganhou o status de QB da franquia. Foi ao Super Bowl e venceu em seu segundo ano e ficou a uma jarda de ser bicampeão em 2014. Atualmente, é um dos favoritos ao prêmio de MVP da temporada e foi o exército de um homem só do ataque de Seattle em diversas oportunidades. Wilson era um talento de no mínimo primeira rodada em 2012 e foi preterido por Indianapolis Colts, Washington Redskins, Denver Broncos, Cleveland Browns e Miami Dolphins, que escolheram Andrew Luck, Robert Griffin III, Brock Osweiler, Brandon Weeden e Ryan Tannehill. Desses 6, apenas Tannehill e RGIII ainda estão na liga, nenhum deles é titular e somente Luck liderou a liga em touchdowns.

Tom Brady – New England Patriots (Draft 2000 – Rodada 6 – Escolha #199 geral)

Caso mais emblemático da liga, Tom Brady tem uma história digna de filme. De quarto QB na Universidade de Michgan, a titular no último ano, Brady viu angustiado o draft de 2000 onde 6 quarterbacks foram escolhidos antes de seu nome ser chamado pelo comissário na escolha compensatória de sexta rodada do New England Patriots. Chegou em New England também desprestigiado, mas ficou no elenco em todo ano 2000 até que no primeiro jogo da temporada 2001, a estrela do time, Drew Bledsoe se lesionou e Brady assumiu a titularidade. Drew Bledsoe nunca mais foi titular em New England e Brady viveu o maior conto de fadas da história da liga, vencendo 3 Super Bowls em seus 5 primeiros anos na liga. Hoje, com 6 anéis de Super Bowl, 3 MVPs da temporada regular e 4 MVPs do Super Bowl, Brady é o maior jogador da posição na história da liga e fez cada um dos 6 times (49ers, Saints, Jets, Ravens, Steelers e Browns) que escolheram QBs antes da escolha 199 daquele ano pagarem por não terem o escolhido. Brady foi descrito como fraco, sem força e agilidade para evitar o pass rush, incapaz de lançar bolas profundas e muito magro.

Menções honrosas: Roger Staubach, Steve Young, Warren Moon.

Acompanhe nosso conteúdo mais de perto e fique por dentro de tudo o que rola na NFL e NCAA: Siga nosso Twitter e curta nossa página no Facebook. Para ganhar DEZENAS de benefícios e se tornar um apoiador do site e do nosso trabalho, clique aqui.

Compartilhe

Comments are closed.