sexta-feira, 12 de maio de 2017

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O Saints tem um dos melhores QBs de todos os tempos e mesmo assim não vai aos playoffs desde a temporada 2013. A explicação mais simples é que a qualidade do ataque é inversamente proporcional a da defesa. Brees continua jogando em altíssimo nível, porém sabemos que infelizmente ele está mais próximo da aposentadoria do que do começo de sua brilhante carreira. Por isso, o time de New Orleans pretende aproveitar melhor os últimos anos de seu fantástico QB e esta offseason deu grandes sinais disso.

Brees chegou ao Saints em 2006 e nestas 11 temporadas nunca teve menos de 4300 jardas aéreas. Nenhum outro QB possui uma sequencia ativa tão longa com números deste nível. Em cinco desses onze anos, Drew ultrapassou as 5000 jardas, incluindo a temporada passada em que atingiu a expressiva marca de 5208, levando o Saints a ser o primeiro colocado em jardas totais, com 426 de média por jogo, e também foi o líder em jardas de passe, com uma média de 317,1. Além disso, teve o 2º melhor ataque da NFL, considerando a média de pontos por jogo, com 29,3. Este pequeno resumo estatístico mostra que o ataque vai muito bem.

Do outro lado da bola, o panorama é o oposto. O Saints teve média de 28,4 pontos cedidos na ultima temporada, isto o coloca na 31ª posição na liga, com média de 375,4 jardas totais cedidas aos adversários, 6ª pior entre os 32 times, e ainda proporcionou aos QBs adversários uma média de 273,8 jardas de passe, pior marca da NFL. O Saints conseguiu algo muito impressionante, foi o melhor em jardas aéreas ofensivas e o pior no mesmo quesito defensivamente. Por mais que o ataque seja poderoso, é praticamente impossível ter sucesso na liga se a defesa cede tantos pontos e jardas. Algo importante para o sucesso na NFL é o equilíbrio, e isto é tudo que esta comparação entre as unidades não demonstra.

Uma defesa que é estatisticamente a pior contra o jogo aéreo, em geral está com pelo menos dois problemas: secundária e pass rush. No caso do Saints não é diferente, com ambos precisando de ajuda. O futebol americano talvez seja o esporte mais coletivo que exista, com o time funcionando como um organismo. Se alguma parte falha, a tendência é uma reação em cadeia, o famoso efeito dominó. Sendo assim, se o seu time não pressiona o QB adversário, ele tem mais tempo para lançar a bola e sobrecarrega sua secundária. Da mesma forma, se a secundária é fraca ou está mal, o QB adversário nem precisa de muito tempo, pois seus recebedores em geral conseguem estar desmarcados com facilidade. No caso do Saints, apesar de tanto pass rush como secundária serem deficientes, eu entendo que a maior necessidade era qualificar a ultima unidade da defesa.

É fato que o Saints foi um dos piores times da liga em sacks, conseguindo apenas 30, ficando na 27ª posição entre os 32 times da NFL. Todavia, o time conseguiu uma quantidade considerável de hits e pressões ao QB, algo que pode parecer uma contradição. Se conseguem chegar ao QB, porque não o derrubam? Quanto a isso, de forma genérica, existem duas possibilidades:  A primeira delas é que a secundária deixa muito espaço na marcação, os recebedores ficam livres rapidamente e, por isso, apesar de chegar ao QB, não há tempo de derrubá-lo. Já a segunda opção é que falta talento ao pass rush da equipe. Sem dúvidas, um complemento para o ótimo Cam Jordan é importante, mas entendo que o Saints tinha uma necessidade maior e ela foi colocada como prioridade no Draft.

Considerado por alguns um talento top 5 e o melhor CB do draft, Marshon Lattimore supreendentemente caiu até a pick #11, sendo escolhido pelo Saints. Este é um daqueles casos de rara felicidade em que o time tem uma necessidade e um ótimo jogador daquela exata posição está disponível. Lattimore é um CB extremamente talentoso, atlético, rápido e será titular desde a semana 1. Na segunda rodada, o escolhido foi o S Marcus Williams, outro ótimo jogador e que também se encaixa em uma necessidade. O instintivo jogador tem uma capacidade incrível para gerar turnovers, conseguindo 10 interceptações em dois anos no College. Estas duas escolhas demonstram que o Saints também via esta unidade, não o pass rush, como a que precisava ser reforçada prioritariamente.

Falando apenas da parte defensiva, além destes dois verdadeiros playmakers, o Saints também escolheu no Draft o LB Alex Anzalone e os DEs Trey Hendrickson e Al-Quadin Muhammad. No período de Free Agency, a equipe já tinha adicionado os LBs AJ Klein e Manti Te’o, além do DE Alex Okafor, o que deixa evidente que a ideia era reforçar os dois setores destacados. Além disso, existe uma preocupação em dar maior profundidade e qualidade ao grupo de LBs. Nesta offseason, o Saints continuou e otimizou o processo de reconstrução de sua defesa. O caminho é este e as escolhas em sua maioria foram muito interessantes.

Não acredito que o Saints vá sair das últimas posições no ranking defensivo diretamente para o top 5, mas é possível crer em numa melhora considerável já para o próximo ano e uma mudança de patamar em médio prazo. Ter um dos mais brilhantes jogadores da história como QB é uma dádiva, porém é um desperdício imenso colocar este craque em um time que não o permita disputar o título.

Após alguns anos com uma defesa bem abaixo da média, o Saints tem tudo para evoluir, e esta evolução nem necessita ser tão radical. Quando o seu QB se chama Drew Brees, não é preciso ter a melhor defesa do mundo, basta o mínimo de equilíbrio entre ataque e defesa, o resto ele resolve com sua genialidade.


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