sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

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A euforia pela conquista do Super Bowl certamente continua em Philadelphia e nos torcedores  do Eagles espalhados pelo mundo, mas a diretoria da franquia já deve estar começando a se preocupar com a offseason difícil que terá pela frente.

Os campeões da NFL são o time com menos dinheiro para gastar na Free Agency e isso dificultará muito a permanência de jogadores que foram importantíssimos na conquista da temporada passada: Nigel Bradham, Patrick Robinson, LeGarrette Blount, Najee Goode e Trey Burton (entre outros).

Especula-se que o teto salarial da NFL em 2018 subirá de US$ 167 milhões para algo entre US$ 174 e US$ 178 milhões, mas esse valor só será anunciado oficialmente em março. Caso a perspectiva mais “otimista” se confirme e o teto suba para US$ 178 milhões, o Eagles estaria extrapolando o limite em cerca de US$ 9 milhões.


OBS.: Vamos trabalhar nesse texto com essa mesma perspectiva “otimista” com que tem trabalhado sites especializados em situação contratuais (Overthecap e Spotrac são os melhores no gênero), as informações sobre os contratos usados aqui foram retiradas desses sites.


Algo que complica ainda mais a situação do Eagles é que o time não tem escolhas no segundo e terceiro round do Draft. Caso não aja trocas, o time terá a última escolha no primeiro round do Draft e depois só voltaria a escolher no final do quarto round.

Com todo esse cenário desenhado, o time precisará cortar ou trocar alguns jogadores que tenham contratos significativos antes da temporada regular, sob o risco de ser punido pela NFL.

Os contratos da NFL não são simples de serem entendidos, vamos usar o QB campeão do SB como exemplo:

Nick Foles tem um contrato de US$ 7,6 milhões em 2018. Caso o time resolva cortar o jogador antes do dia 1º de junho, economizaria US$ 4 milhões, mas ainda teria que pagar US$ 3,6 milhões no próximo ano. Esses US$ 3,6 milhões são chamados de dead cap e ainda contariam na folha salarial do time esse ano.

Caso o time corte Foles depois desse prazo do dia 1º de junho, a economia seria de apenas US$ 2,2 milhões, enquanto ainda deveriam US$ 5,4 milhões ao jogador.

E a opção mais vantajosa para o clube – e também a mais provável no caso de Foles, seria conseguir uma troca pelo jogador antes da abertura da Free Agency, em Março. Nesse caso o time precisaria pagar somente US$ 2,4 milhões a Foles e economizaria US$ 5,2 milhões na folha salarial de 2018.

O MVP do Super Bowl está bem valorizado ao redor da liga, então é possível imaginar um cenário em que o Eagles consiga uma escolha de segundo ou terceiro round no QB. Isso seria a situação perfeita para o Eagles, ajudaria o time nos ajustes da folha enquanto adicionaria munição no Draft.

Mas mesmo que chegue a esse cenário ideal e troque Foles, o time ainda estaria extrapolando o teto salarial em cerca de US$ 4,2 milhões. Quais seriam outras possíveis medidas para o time ficar no azul, conseguir pagar o contrato se todos os seus calouros e quem sabe até ir atrás de alguns reforços pontuais no mercado?

Mychal Kendricks já esteve envolvido em rumores de trocas nos últimos anos, mas o time nunca encontrou uma outra franquia interessada em pagar o valor pedido e absorver o contrato do LB. Nos anos anteriores o Eagles acumularia mais dead cap caso cortasse o jogador, mas caso cortem o jogador antes do prazo de 1º de junho, conseguiriam economizar US$ 6 milhões e pagariam apenas US$ 1,6 milhões do total do salário do jogador.

Acredito que esse corte é bem possível de acontecer e não me surpreenderia se ocorresse no próximo mês. Essa movimentação somada a outros cortes dolorosos, poderiam dar a possibilidade do time reter Nigel Bradham, LB muito mais importante para a defesa de Philly.

Vinny Curry é outro forte candidato a ser cortado antes da chegada da Free Agency. O jogador foi uma peça importante na rotação desse ano, mas com a emergência de Derek Barnett e a presença de Brandon Graham, Curry passa a ser um jogador dispensável, especialmente se considerar a economia de US$ 9 milhões que viria de um possível corte antes do fatídico dia 1º de junho.

Nesse caso o time ainda teria que pagar US$ 2 milhões em dinheiro garantido, mas a economia de US$ 9 milhões em uma posição que o time está bem servido é bem convidativa.

Torrey Smith é outro candidato fortíssimo ao corte. O recebedor se mostrou importante durante os playoffs,  mas o time poderia cortá-lo economizando todos os US$ 5 milhões que estão cotados para pagar ao jogador nessa temporada (e ainda economizaria mais US$ 5 milhões no ano que vem). O salário dele não tem dinheiro garantido, então não sobraria dead cap desse corte. Com o investimento feito na renovação de Alshon Jeffery e a ascensão de Nelson Agholor, o time vai considerar bastante um adeus ao wide receiver.

Jason Peters já é um corte que eu acho mais improvável por tudo que ele representa dentro do elenco, mas não descartaria porque faz todo sentido do ponto de vista financeiro. Apesar de vir jogando em altíssimo nível antes de se lesionar gravemente e perder a segunda metade da temporada, Peters já tem 36 anos de idade, o terceiro maior contrato do time esse ano e como citado, vem de uma lesão no joelho de difícil recuperação. O time economizaria US$ 7 milhões se o cortasse antes do prazo do dia 1º de junho, ainda tendo que arcar com cerca de US$ 3,7 milhões na folha desse ano.

Caso Foles seja trocado e os outros 4 sejam cortados antes do dia 1º de junho, o Eagles abriria cerca de US$ 32 milhões na folha salarial desse ano. Dessa forma o time sairia do vermelho e teria cerca de US$ 20 milhões disponíveis para pagar arcar com cerca de 2 a 3 US$ milhões necessário para fechar com os calouros que vierem, contratar Free Agents vindos de outros times ou reter alguns dos seus próprios.

Desses cinco jogadores citados (Foles, Kendricks, Curry, Smith e Peters), acredito que pelo menos três deixarão o Eagles nessa offseason. Além deles, o time pode (e deve) cortar outros nomes que não tem contratos tão expressivos, mas que somados poderiam causar um impacto significativo na folha salarial do time.

Outra possibilidade nas mãos da franquia é conseguir reestruturar alguns dos contratos maiores nesse ano. Se formos analisar o caso do guard Brandon Brooks, por exemplo. Ele tem um contrato bem pesado, que só fica atrás dos salários de Fletcher Cox, Lane Johnson e Jason Peters. Mas apesar de estar sob contrato até 2020, o time tem uma claúsula muito favorável para poder cortá-lo no próximo ano e ficar com pouco dinheiro garantido para pagar depois disso.

Com esse cenário em mente, o jogador pode estar disposto a abrir mão de parte do salário desse ano, em troca de mais dinheiro garantido nos próximos anos de contrato, algo que diminuiria suas chances de se tornar dispensável. Se Brooks (ou qualquer jogador em situação parecida) achar interessante receber um salário menor esse ano, em troca de uma extensão, ou até mesmo uma maior segurança contratual no próximo ano, então pode fazer sentido para o time e para o jogador chegar a um acordo do tipo.

O trunfo que o Eagles tem na manga a medio prazo:

Como vocês puderam notar, a situação financeira do Eagles não é sequer um pouco confortável. Medidas drásticas precisarão ser tomadas e ainda assim o time vai perder algumas das peças importantes na conquista do Super Bowl. Mas o time tem uma carta na manga que poderá ajudar a normalizar as contas nos próximos anos: Carson Wentz.

E aqui não falo das habilidades do jovem QB. Sem dúvidas o time continuará competitivo se ele continuar jogando no nível que jogava antes da lesão. Mas o que pode ser melhor do que um Franchise QB com potencial de ser um dos melhores da liga por anos?

E a resposta, meus amigos, é um franchise QB em contrato de calouro. Wentz terá um impacto de menos de US$ 16 milhões nas duas próximas temporadas somadas. Para dar uma melhor perspectiva de quão barato é esse valor, Mike Glennon receberá US$ 16 milhões somente em 2018 e esse é o 19º maior salário entre os QBs nesse ano.

O time ainda terá a opção de segurar ele em 2020, na opção que os times recebem para manter seus calouros de 1º round por cinco anos, mas não por um preço tão cômodo como em 2018 e 2019.

Quando chegarmos nesse ponto, o time já estará pensando em um renegociação a longo prazo e aí sim Carson Wentz vai começar a receber como os maiores QBs da NFL. A boa notícia para o torcedor do Eagles é que a projeção atual é que o teto salarial aumente para as cercanias de US$ 200 milhões até 2020, algo que daria maiores condições do time pagar o seu QB tudo que ele vale no mercado e ainda ter condições de manter um elenco equilibrado.

O Eagles conseguiu um feito espetacular ao conquistar a NFL em 2017, mas agora a tarefa é ainda mais difícil: repetir a dose (de novo, de novo e de novo). Aqui continuaremos acompanhando de perto os passos da franquia para saber se conseguirão manter a competitividade com todos esses desafios que se apresentam.


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