segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

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Na NFL, muitas vezes tomamos certas verdades como absolutas, e esperamos um desfecho igual ou minimamente idêntico daquele que temos em nossa cabeça, pois simplesmente as coisas são assim. O Patriots vencerá a AFC Leste para sempre, o Cleveland Browns estará fadado ao fracasso e ao eterno processo de reconstrução sempre perdendo os poucos talentos que lá estão, enfim, não há como fugir de certas premissas que criamos em nossa cabeça. Certo?

Errado. De um dos exemplos citados vem na mente uma mudança de paradigmas: o próprio Cleveland Browns parece finalmente deixar os dias obscuros desde que voltara à NFL como franquia de expansão após uma gloriosa caminhada na metade do século passado. O núcleo jovem e igualmente talentoso capitaneado pelo provável calouro ofensivo do ano, o QB Baker Mayfield parece pronto para assombrar a NFL e dar um passo importante na próxima temporada – caso façam as decisões corretas ao longo desta intertemporada. A campanha de 7-8-1 da franquia de Ohio é por incrível que pareça animadora perto a outros tempos obscuros, mas conforme o título do texto, a tradicional equipe não é o tema deste texto.

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É o Indianapolis Colts. A franquia que dominara a NFL na década passada com um desempenho magistral de seu xerife, o lendário Quarterback Peyton Manning que dominou a divisão e também a conferência por tantos anos. Veio o ano de 2011 e uma das piores campanhas da história da franquia, o 2-14, não apenas pavimentou a chegada do QB Andrew Luck – tido como o melhor prospecto desde o próprio Manning mas que também poderia ter significado a continuidade de um amplo domínio, afinal, os ventos do destino foram generosos com a equipe ao brindar uma sucessão tão natural – de um atleta lendário para outro, mas como você deve saber, não foi exatamente o que aconteceu.

A combinação da “dupla que não deve ser dita” – Chuck Pagano e Ryan Grigson, não apenas foi responsável por alguns anos tenebrosos dentro de campo mas também fora dele, afinal as decisões no mínimo questionáveis ao lidarem com a situação do ombro direito de seu principal atleta, Andrew Luck, custaram duas temporadas ao atleta e também reais dúvidas sobre sua capacidade voltar a atuar em alto nível.

Mas isto está no passado. Para o bem da franquia e de todos que gostam de um futebol bem jogado. Está no passado.

Por outro lado, isto não era para acontecer tão rápido. Não estava nos planos. Um técnico que sequer era a primeira opção (você deve se lembrar do fiasco da situação Josh McDaniels antes de se voltarem ao então coordenador ofensivo do campeão Philadelphia Eagles), um Quarterback que sequer lançou uma bola de tamanho normal antes do training camp após dois anos completos, um elenco que se excluir o lendário Kicker Adam Vinatieiri nos seus 45 anos era o mais jovem de toda a NFL, uma “no-name defense”, isto é, uma defesa que no papel não contava com nenhum nome de impacto… simplesmente não estava nos planos.

Para o torcedor mais otimista talvez duas ou três temporadas seriam o suficiente para esta atual base demonstrar resultados satisfatórios, quem sabe uma campanha com recorde positivo e talvez uma classificação para o Wild Card seria um bom parâmetro para observarmos um avanço na geração e a certeza que a equipe estaria no caminho certo rumo à reconstrução após algumas temporadas em que imperou a falta de planejamento à médio e longo prazo, de certa forma mascarado por três classificações seguidas aos playoffs entre 2012 e 2015 – incluindo uma ida até o AFC Championship Game contra o New England Patriots em 2015.

Mas isto representa a mágica da NFL.

O Colts precisou de apenas uma temporada para demonstrar que sim, o caminho para a reconstrução não foi apenas pavimento mas também percorrido pela atual geração, que em apenas quatro anos reformulou praticamente todo o elenco: do time que venceu o Houston Texans com autoridade atuando fora de casa por 21 x 07, somente o QB Andrew Luck, WR TY Hilton, TE Jack Doyle e o K Adam Vinatieri estavam presentes na derrota para o Patriots citada no parágrafo anterior, sendo que Doyle atualmente está na lista de machucados devido a uma lesão que o atormentou durante toda a temporada.

É até utópico pensarmos que em Outubro o Colts estava com uma vitória em seis jogos e caminha a passos largos rumo às primeiras escolhas do Draft. Derrotas para times como Bengals e Jets denotavam que a equipe estava longe de competir com as maiores forças da conferência, o que de certa forma era esperado afinal um time jovem com um técnico de primeira viagem naturalmente precisa de tempo para render tudo aquilo que se esperam, mas de um lance até inusitado a reviravolta na temporada começou.

A controversa decisão de Reich em arriscar uma quarta descida para cinco jardas na primeira partida contra o Houston Texans até custou a derrota à equipe – em vez de jogarem seguro pelo empate, mas segundo o próprio Reich, “este time não joga para empatar”. E provou isto.

Foram mais de 200 jardas terrestres na sequencia contra Bills e Raiders para provar que o tão sonhado equilíbrio entre o ataque aéreo de Luck e o terrestre do RB Marlon Mack finalmente estava alcançado – tudo pelo desempenho soberbo da linha ofensiva, que por sua vez manteve Luck em pé por 237 tentativas de passes consecutivas, recorde histórico da franquia.

O trabalho de Frank Reich também é digno de destaque: Luck já mostrou ser capaz de vencer o Texans lançando 40 ou 50 bolas por jogo, mas não queria expor seu Quarterback da franquia desta maneira. Esta nova versão do Indianapolis Colts busca vencer seus jogos não com a finesse de um passe maravilhoso de quarenta jardas que cruza o campo e encontra o WR TY Hilton livre para sua tradicional comemoração. Esta nova versão do Colts quer dominar a linha de scrimmage através de um potente jogo terrestre, quer vencer a batalha das trincheiras e mais, Reich tem papel crucial nisto em fazer seus jogadores acreditarem que isto é possível

A vitória dominante contra o campeão de sua própria divisão chamou novamente a atenção do resto da NFL para o Colts. Mas não porque Luck carregou o time nas costas e lançou para 450 jardas em uma virada improvável, mas que a equipe sequer precisou da melhor partida de seu Quarterback para não dar nenhuma chance a seus tradicionais rivais de divisão; o que honestamente era inimaginável há três meses atrás.

Os playoffs divisionais aguardam esta nova versão do Colts. De pior time da NFL antes da temporada à um de oito equipes restantes na busca pelo troféu Vince Lobardi e o título máximo da temporada, é uma campanha de Cinderela do Colts – no melhor estilo do basquete universitário lá nos EUA. O fato de estarmos Janeiro adentro e a equipe continuar treinando firme pois ainda há jogos no calendário denota que esta é uma temporada especial, mas que foge de qualquer script pensado pelo torcedor mais otimista. O time começou a vencer e simplesmente esqueceu de parar.

A melhor parte? Eles sabem que podem vencer mais jogos.

O Indianapolis Colts chegou (ou voltou?!). Não importa.


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